Rodoviários cruzam os braços no Rio de Janeiro

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Momento em que a PM atacou o repórter Patrick Granja

No final da noite do dia 7 de maio, rodoviários do Rio de Janeiro decretaram uma paralisação de 24 horas exigindo das empresas de ônibus o fim da dupla função, 40% de aumento, 400 reais de cesta básica, plano de saúde e condições humanas de trabalho. Segundo os trabalhadores, uma negociação foi feita entre o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sintraturb) do Rio de Janeiro e os patrões. No entanto, o acordo não atende às necessidades mais elementares dos trabalhadores, como banheiros nos pontos finais e o fim da dupla função, motivo da maior parte dos acidentes de trânsito causados por coletivos, segundo especialistas em mobilidade urbana.

— A nossa cesta básica é uma vergonha. Eu sou um pai de família. Eles ainda não acabaram com essa dupla função. Tem um monte de acidente acontecendo por causa disso. Eles não nos dão plano de saúde, carro quebrado, uma cesta básica de 120 reais. Ainda tem esse sindicato, que faz tudo pelas nossas costas. Se eles conseguisem 1%, eles tinham que procurar a gente para saber se a gente aceita ou não aceita. Nós não temos direito de ir ao banheiro porque o ônibus é circular. Cadê a nossa dignidade? — pergunta o rodoviário Raimundo Gonçalves.

Reunida em assembleia em frente à prefeitura, a categoria rejeitou o acordo feito pelo sindicato e decretou uma paralisação de 24 horas. Durante a madrugada, as saídas dos veículos das garagens foram bloqueadas por manifestantes. Nas manchetes do monopólio dos meios de comunicação, logo cedo, já vigorava uma feroz campanha de criminalização ao movimento. A greve ganhou contornos mais combativos quando patrões começaram a oferecer mundos e fundos para quem furasse a greve. Conforme iam saindo das garagens, os veículos fura-greve, um a um, foram atacados pelos trabalhadores. No total, segundo o consórcio Rio Ônibus, mais de 500 veículos foram danificados.

— Isso aqui, essa quantidade de trabalhador na rua, esse sindicato nunca mobilizou. Eu nunca vi. É o movimento mais forte que nós já fizemos nessa cidade. Se não nos ouvirem, vão ter que ouvir a nossa força. O nosso movimento é independente. Eu acredito em você, você acredita em mim e nós acreditamos um no outro e estamos juntos — diz um trabalhador na assembleia da categoria.

A adesão ao movimento foi quase total e a paralisação deixou pelegos e patrões com os nervos a flor da pele. Durante audiência pública no Tribunal Regional do Trabalho em 12 de maio, sindicato e empresas passaram horas defendendo suas posições e a comissão de greve foi proibida de falar. Ao fim da discussão, não se chegou a um acordo e, além disso, a greve foi decretada ilegal pela justiça burguesa. Diante da decisão reacionária do TRT, rodoviários se reuniram na porta do tribunal e decidiram por uma nova paralisação, dessa vez de 48h.

Na madrugada do dia seguinte, os trabalhadores novamente fizeram protestos nas portas das garagens das maiores viações do Rio de Janeiro. A equipe de AND, na companhia de fotógrafos da Mídia Independente e Coletiva e da Mídia Ninja, flagrou o momento em que rodoviários protestavam pacificamente durante a madrugada na porta da garagem da viação Alpha, no Engenho Novo, Zona Norte da cidade, e foram atacados por policiais. PMs chegaram a atirar uma viatura contra os trabalhadores e atacar a equipe de AND com um jato de spray de pimenta. O filho do empresário Jacob Barata — dono do Grupo Guanabara Diesel, que reúne 70% da frota do Rio de Janeiro —, David Barata, rondava a garagem da Alpha fazendo intimidações aos rodoviários.

De nada adiantou, pois, dessa vez, a adesão foi ainda maior. No entanto, patrões e gerenciamentos de turno não se entenderam e nenhuma outra proposta foi apresentada aos rodoviários efetivamente. Reunidos em assembleia no dia 15 de maio, os trabalhadores marcaram uma nova reunião para o dia 20, na qual decidirão por uma nova paralisação, ou um movimento de “catraca livre” para a população. Até o fechamento dessa edição, não houve acordo entre a categoria e o consórcio Rio Ônibus e o movimento continuava firme em sua luta por melhores salários e condições de trabalho.

Os trabalhadores dizem que não têm medo do lobby Consórcio/Estado/Sindicato e só irão regularizar as atividades quando todas suas reivindicações forem atendidas. O movimento recebeu apoio de profissionais da educação, estudantes e movimentos populares e não para de angariar novos aliados. Enquanto isso, patrões, prefeito e governador tremem de medo, assistindo seus contratos milionários com vistas à Copa queimarem na fogueira da rebelião popular.

Os vídeos produzidos por AND podem ser vistos em nosso canal no Youtube: http://www.youtube.com/user/patrickgranja.

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