SP: ‘Copa do Povo’ é fora do Itaquerão!

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O jornal A Nova Democracia foi divulgado entre os moradores da ocupação

Na madrugada de 03 de maio, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizou uma grande ocupação com mais de mil famílias na Gleba do Pêssego, em Itaquera, Zona Leste da cidade de São Paulo. A área de 155 mil m², que estava abandonada, fica a 4 km do Itaquerão, estádio da abertura da Copa da Fifa. Após a ocupação, essa área está sendo “reclamada” pela Construtora Viver Incorporações (Inpar Projeto 47 SPE Ltda.). O grande acampamento ganhou o nome de Copa do povo.

A Nova Democracia esteve no local e presenciou a construção de várias barracas de lona. As famílias afirmam que após a escolha da Arena Corinthians (Itaquerão) para a abertura da Copa, os aluguéis aumentaram muito.

— Eu preciso de um canto pra acabar com esse problema. Eu vivo há dez anos criando os meus três filhos, sozinha! Sempre morei de aluguel e ainda não consegui o meu canto. A vida não é fácil para quem vive de aluguel e eu estou confiando que dessa vez eu vou conseguir o meu cantinho... Eu fiquei sabendo dessa luta através da minha tia que mora aqui. Meu filho Danilo [21 anos], também está aí, foi buscar bambu para gente fazer o barraco — diz Rose, ½ oficial de cozinha.

— Eu vim pra essa luta, por que estou desempregada com dois filhos e moro de favor com o meu avô, aqui próximo no Jardim Helian. Fiquei sabendo e vim lutar para ter minha casa — diz a jovem Bianca, com a pequena Milena, de 2 anos, no colo.

— Essas famílias são todas da região de Itaquera e estão em situação mesmo de pagar aluguel, que no último período tem aumentado quase que 100%. O aluguel acaba sendo maior que 80% do seu salário. Além disso, vêm de áreas de risco ou moram com familiares — diz Jussara, uma das lideranças do MTST.

O monopólio da imprensa alardeia a todo instante que o acampamento está “próximo” do Itaquerão.

— Não estamos tão próximos assim! Mas a própria ocupação em Itaquera é para demonstrar a conotação desse megaevento que vai acontecer. Os aluguéis aqui têm subido muito, as pessoas continuam sem saúde e um transporte de qualidade. Essas famílias já perceberam o aumento abusivo dos aluguéis e a gente tem aí mais de 30 bilhões investidos na Copa e nada de moradia popular na região. Então eu acho que a ocupação aqui, mesmo que eles queiram colocar povo contra povo, na verdade só vai demonstrar que o Estado brasileiro só pensa em pão e circo, na verdade nem tanto pão assim! — diz Jussara.

Os advogados do movimento, Dr. Ramon Koelle e Dr. Felipe Vono, conseguiram fazer com que o juiz Celso Maziteli Neto, da 3ª vara Cível do Fórum de Itaquera, suspendesse reintegração de posse (expedida em 7 de maio pelo mesmo juiz) após pedido de reconsideração. Agora haverá uma audiência no dia 23/5, no Fórum em Itaquera. Até lá não poderá ter despejo. 

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Acampamento conta com a participação de milhares de pessoas. A luta por moradia continua

No dia 10 de maio, Guilherme Boulos, coordenador do MTST, fez os informes sobre as negociações e rechaçou o espírito do ‘já ganhou’. Isso devido ao encontro com os gerentes Dilma e Fernando Haddad em 8 de maio.

— Tanto o prefeito quanto a presidenta se comprometeram a marcar uma reunião até quarta-feira dessa semana, junto também com o governador do estado. Essa reunião vai acontecer agora nos próximos dias, para discutir o destino e o procedimento que vai ser utilizado, para solução de moradia, para a ocupação Copa do Povo. Fez promessa, falou que ia incluir no “Minha casa, minha vida” e tal. Mas nós somos “gatos escaldados” e sabemos que, de promessa em promessa, isso não melhora a vida de ninguém. O que vai melhorar é fato concreto. Por isso nós deixamos claro uma coisa pra eles, tanto com a Dilma e o Haddad e depois também lá com o secretario do Alckmin. Deixamos claro para eles o seguinte: que, se eles acham que só vão passar um melzinho na boca e a gente vai sair daqui de boa antes da Copa, para eles fazerem a Copa e os jornalistas do mundo inteiro não nos verem aqui, se eles acham isso, eles estão enganados.  Que se eles quiserem tentar tirar a gente a força e achar que a gente vai sair com o rabinho entre as pernas, eles iam arrumar é um massacre da Copa do Mundo e essa Copa do Mundo ia virar sangrenta para eles e não ia ficar bonito isso pra ninguém! Só fazer uma promessa verbal de que vai dar moradia não sei quando não adianta. Não vamos aceitar, até mesmo por que esse ano é ano eleitoral e de promessa tá todo mundo aqui cheio. Não estamos pedindo nada impossível. Só vamos sair daqui com garantia — disse o coordenador.

Para mostrar a força da ocupação, Guilherme enfatizou que, durante os doze anos no movimento por moradia, nunca viu a presidência receber alguém e enfatizou que é necessário mostrar a cara, tomar as ruas e fazer manifestações, alertando que todos devem estar preparados para a luta.

Os movimentos de luta por moradia de São Paulo ainda pressionam pela aprovação na câmara dos vereadores do Plano Diretor, que estabelece o zoneamento da cidade conforme distintos interesses. A ideia é ampliar as Áreas de Interesse Social, o que pode facilitar a desapropriação de áreas para moradias populares. O MTST luta ainda para que a Gleba do Pêssego seja incluída como Área de Interesse Social.

O interessante é que, mesmo tendo na gerência federal a “Mãe do PAC” e criadora do programa “Minha casa, minha vida”, cresce em todo país a luta pela moradia, potencializada pelas constantes remoções e “higienização” das metrópoles.

Os vídeos produzidos por AND sobre a ocupação podem ser vistos em nosso canal no Youtube: www.youtube.com/user/patrickgranja.

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