Rodas na casa do Gilson

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Há mais de vinte anos reunindo chorões importantes, curiosos e apreciadores do gênero, o Bar Casa do Gilson é referência do choro em Belém, PA. Instrumentista, chorão dedicado e batalhador por espaço para música brasileira, Gilson transformou o quintal de sua casa em um local para se fazer rodas, que incluem também o samba e um pouco de MPB.

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— A música para mim é uma herança de família, porque meu pai era uma pessoa que gostava muito de violão e de cantar. Tinha uma boa voz para isso. Comprava discos, aqueles que as pessoas chamavam de bolachão, e fazia muitas reuniões em casa com os amigos. Ficavam tocando. Isso me despertou o interesse — conta Gilson.

— Naquele tempo o choro também não era muito divulgado pela mídia. Na verdade, acho que sempre chegou até um público pequeno, só quem realmente queria ir atrás, e meu pai e seus amigos eram esse tipo de pessoa.

— Comecei a aprender violão sozinho, ainda criança e nunca tive um professor. Na época do serviço militar optei pela marinha e fiquei uns seis anos no Rio de Janeiro servindo. Nesse tempo entrei em contato com muita gente de choro, pessoas que tocavam violão também, mas não profissionalmente, e descobri também o bandolim — diz.

Quando voltou para Belém, Gilson conheceu um amigo que também gostava muito de choro e se juntaram para tocar.

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— Fazíamos nossas reuniões nos finais de semana, informalmente. Procurávamos aqui na cidade um local para tocarmos os instrumentos, mas os donos dos bares achavam que iríamos fazer bagunça e não nos davam uma chance.

— Esse amigo tinha uma melhor condição financeira que eu, então comprou uma casa e abriu o primeiro espaço de choro aqui de Belém. Isso foi 1989/90. Passamos a fazer nossas reuniões no local, nos juntando com outros chorões em rodas. Até tocávamos outra música uma vez ou outra, mas a maioria era choro — continua.

— Mas infelizmente esse meu amigo teve um AVC aos 36 anos de idade e faleceu. Novamente os chorões voltaram à estaca zero quanto a ter um espaço para tocar. Foi aí que resolvi usar o terreno sem construção da minha casa como espaço para o choro. Aos domingos o pessoal passou a se reunir aqui.

Os encontros no quintal da casa do Gilson repercutiram e atraíram a atenção de vários chorões e apreciadores do gênero.

— Aquele pessoal que sempre estava lá na primeira casa descobriu que estávamos fazendo as reuniões aqui. Ligaram todos para cá e começaram a aparecer — conta Gilson.

— As reuniões acabaram ficando muito conhecidas e resolvi abrir o bar, chamado ‘Casa do Gilson’. Fui construindo aos poucos no lugar vago do terreno. Primeiro fiz um barracãozinho logo na entrada, depois fui aumentando e virou o que é hoje.

— A casa já tem 26 anos de existência e acredito que continua em atividade, sempre com muita gente, porque tem uma conduta padrão, nunca mudou seu estilo. Quem vem aqui já sabe o que vai escutar. Também servimos alguns petiscos, entre eles, o pirarucu frito, que é um dos mais conhecidos. Mas não somos um restaurante — esclarece.

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