BA: famílias despejadas em Camaçari

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Mais de 50 famílias residentes de ocupações nos bairros de Buri Satuba e Parque Verde, em Camaçari, Bahia, tiveram suas casas demolidas a mando da gerência municipal Ademar Delgado (PT) com o apoio da Polícia Militar.

Segundo relatos enviados pelo comitê de apoio ao AND na Bahia, entre os moradores jogados na rua, muitos eram crianças e idosos.

Sem nenhuma resposta efetiva das “autoridades” locais, estas pessoas estão ocupando o pátio da prefeitura e sobrevivendo de doações de pessoas que passam pelo local. A situação em que se encontram não tem tido repercussão na imprensa local, ‘comprada’ pela prefeitura.

— No dia 19 de maio, a prefeitura, junta com outros órgãos públicos, a Polícia Militar, chegaram na nossa comunidade dizendo que a gente tinha que sair do local porque a área estava demarcada e estava dentro da obra. Aí eles enganaram a gente dizendo que a gente ia para um galpão de apoio. Pegaram nossas coisas, bens materiais como colchões, roupa, fogão, bujão e trancaram num galpão aqui perto da prefeitura e a gente não tem acesso a nada, Estamos aqui há mais de seis dias na prefeitura dormindo em papelões, com frio, crianças pequenas, idosos, pessoas que não podem estar vivendo esse tipo de situação. O prefeito parece que fechou os olhos para tudo que está acontecendo aqui nesse lugar. E a gente está aqui pedindo para que alguém possa nos ajudar, porque o poder público parece não querer fazer nada por nós — desabafou um morador de Buri Satuba.

— A prefeitura se reuniu com a polícia e chegou onde nós habitávamos com Conselho Tutelar, Juizado de Menores, Defesa Civil, às 5 horas da manhã. Bateram em nossas portas mandando a gente sair. Os carregadores da prefeitura que estavam lá carregaram nossas coisas, botaram em cima do caminhão, trouxe para um galpão em frente à prefeitura. As famílias que eles disseram que iam pra Seab [Secretaria da Administração do Estado da Bahia], eles disseram que quando chegasse aqui ia ter uma assistente social pra nos atender... Quando a gente chegou lá eles disseram que não sabiam de nada... Porque estamos passando por isso? Nós merecemos? Em 2013 nós nos escrevemos pra essa tal de ‘Minha Casa Minha Vida’ e até hoje eu não vi casa e a vida da gente está nessa humilhação — disse outro morador.

Segundo o Coletivo Maria Baderna, que publicou um vídeo na internet no dia 29 de maio, “Camaçari incha cada vez mais a cada ano, enriquece e o PIB se mantém entre os maiores do estado da Bahia. Contudo, não oferece o mínimo em qualidade de vida para seus moradores. A população convive com um ar tóxico, transporte precário, um serviço de saúde açougueiro e agora a parte mais carente da população sofre o medo de ser desalojada. Ocupar não é crime, ser pobre e estar em uma situação vulnerável também não. Casa não é mercadoria, ou ao menos não deveria ser, porque dialoga com umas das necessidades mais básicas do ser humano que é o de abrigo. Sem casa não se trabalha, não se dorme, não se estuda, não se tem condições de garantir meios de se obter comida, água e dignidade”.

O vídeo pode ser visto abaixo:

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