RJ: greve da educação vira aula pública de combatividade

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PMs agridem professores em frente a prefeitura. 28 de maio

Em greve desde o dia 12 de maio, profissionais da educação do estado e do município do Rio de Janeiro deram uma aula pública de combatividade nas últimas semanas. Atacados pelos gerentes de turno, Paes e Pezão, e pelo monopólio dos meios de comunicação, os trabalhadores foram às ruas com toda a sua energia para mostrar a força que têm. No dia 15 de maio, os educadores pararam as ruas do Rio após assembleia no Clube Municipal, na Tijuca, Zona Norte da cidade. Na Central do Brasil, o ato da educação se juntou com o 15M, manifestação nacional contra a Copa do Mundo da Fifa.

No dia 22, os trabalhadores fizeram uma nova assembleia no Clube Hebraica, em Laranjeiras, Zona Sul, na qual decidiram pela continuidade da greve. Em seguida, a categoria partiu em passeata até o Palácio Guanabara, sede do gerenciamento Pezão-Cabral. Milhares de trabalhadores, estudantes e outros lutadores do povo marcaram presença em apoio aos profissionais da educação. PMs fizeram uma barreira na Rua Pinheiro Machado para impedir a passagem do ato pelo Palácio e até mesmo os moradores do bairro foram impedidos de passar.

A avenida ficou bloqueada pela PM durante duas horas, virando o Rio de Janeiro de pernas para o ar. Quando o trânsito começou a se espalhar, uma equipe da Rede Globo rapidamente apareceu, provavelmente para culpar os trabalhadores pelo caos na cidade. Mas o povo não é bobo e tratou de enxotar do local os funcionários dessa que é o mais antipovo dos monopólios do Brasil.

Depois que a via foi liberada, o ato seguiu em direção ao Palácio da Cidade, residência oficial do gerente municipal Eduardo Paes. No local, um novo bloqueio impediu a passagem dos trabalhadores e moradores de Botafogo. Mais negociação e mais tensão. No entanto, a categoria não perdeu a calma e se impôs diante das seguidas tentativas da PM de desarticular o ato.

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Educadora é puxada pelo cabelo por policial

Nós fizemos um acordo, cessamos a nossa greve, repusemos as nossas aulas, e o governo não cumpriu nada do que acordou. A SEDUC nem tirou os nomes dos companheiros que estavam em processo administrativo por conta da última greve do quadro do Proderj. Eu, inclusive, ainda estou com o meu nome lá. Esses caras são de rapina mesmo. Eles são marginais sarcásticos. O governo faz o papel dele de manipular, de colocar ator da Globo na televisão falando que está tudo maravilhoso com a UPP e com a educação. Mas esquece de dizer que quando o Sérgio Cabral assumiu esse governo estadual, o Rio tinha 3.600 escolas no estado. E hoje somos 1.310. Ou seja, estamos aqui tratando de um governo que fecha escola — diz o Mestre Edir, professor de filosofia da rede estadual.

Já na manhã do dia 26, os educadores foram mais ousados. Cerca de 500 trabalhadores tomaram o aeroporto internacional do Rio de Janeiro em uma vitoriosa manifestação na “recepção” da seleção brasileira de futebol. Quem esperava a costumeira festa verde e amarela se surpreendeu com a aproximação do ato dos educadores, a maioria deles vestindo roupas pretas.

Os trabalhadores entraram no caminho do ônibus que levava os jogadores e a polícia mais uma vez protagonizou cenas de selvageria contra os profissionais da educação. O ônibus levou 40 minutos para passar pelo bloqueio e saiu adesivado de para-choque a para-choque com mensagens em defesa da educação pública. O ato terminou com intervenções e palavras de ordem no saguão do aeroporto. Em seguida, um grupo de 100 educadores seguiu para Teresópolis onde está concentrada a seleção brasileira até a Copa do Mundo.

No local, os trabalhadores conseguiram invadir a área que foi isolada pela PM no entorno da Granja Comari e dar o recado para os poucos fãs da seleção que estavam no local: Se não tiver educação, #nãovaitercopa.

Esse governo só está interessado em fazer acordos com grandes empresas, que bancam suas campanhas e, assim, eles se perpetuam no poder. Esse governo não quer alunos mais inteligentes. Aliás, na educação hoje a gente vive um processo de idiotização dos estudantes. Porque o governo insiste que nós devemos aprovar o aluno sem qualquer conhecimento. O filho do Sérgio Cabral foi reprovado no último ano na escola particular onde estuda. Tudo bem, porque ele dará uma nova chance ao seu filho de aprender o conteúdo. Já o filho do trabalhador, é aprovado sem qualquer conhecimento do conteúdo. Isso é uma desgraça. Ele quer dar dinheiro da educação para Cultura Inglesa, para a Fundação Xuxa, Roberto Marinho, Ayrton Senna, fazendo convênios com a Natura, entre outras empresas. Nós estamos aqui, eu e meus companheiros, dando uma aula pública de política e educação, ao vivo e a cores — afirma o professor

Dois dias depois, no dia 28 de maio, uma modesta manifestação foi convocada para às 11 horas em frente a prefeitura, onde aconteceria uma reunião da categoria com representantes do gerenciamento municipal. Em seguida, os trabalhadores tomaram a Avenida Presidente Vargas para seguir em passeata em direção à Secretaria Estadual de Educação, no Santo Cristo, Centro do Rio. No entanto, foram surpreendidos por policiais, que iniciaram um ataque com bombas de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e golpes de cassetete.

Segundo representantes do Sepe, o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, que representa a categoria, seis pessoas ficaram feridas, entre elas um professor, que foi atingido na cabeça por um golpe de cassetete e teve que ficar internado em estado de saúde estável, após ter sido submetido a uma cirurgia. Figurinha marcada nas manifestações, o ativista Eron Moraes de Melo, que costumeiramente usa a fantasia do “Batman”, também foi atingido na cabeça e recebeu quatro pontos após atendimento no Hospital Souza Aguiar.

Na Secretaria Estadual de Educação, mais violência. Uma professora foi agredida e arrastada pelos cabelos por um policial. Ao menos duas professoras foram presas durante o dia de protestos. Do início ao fim, o protesto foi pacífico e a polícia aproveitou a chuva e a presença discreta da imprensa para atacar covardemente a luta dos profissionais da educação. Mais tarde, na porta da 17ª DP, em São Cristóvão, educadores fizeram vigília até a professora Aluana ser liberada.

 Uma grande manifestação também ocorreu no dia 30 de maio, partindo do Clube Municipal até a prefeitura.

No fim da tarde de 3 de junho, um ato que foi da Cinelândia ao Tribunal de Justiça criticou as prisões e agressões aos educadores.

No fechamento desta matéria, na tarde de 5 de junho, uma assembleia decidiu pela continuidade da greve apesar das manobras do governo e dos oportunistas.

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O que exigem os professores

  • Plano de carreira unificado;
  • Reajuste linear de 20% com paridade para os aposentados;
  • Contra a meritocracia e pela autonomia pedagógica;
  • Não à privatização da educação;
  • Contra o repasse das verbas para empresas, bancos, Organizações Sociais, fundações;
  • Fim da terceirização;
  • Cumprimento de 1/3 de planejamento extraclasse Já!;
  • 30 horas para os funcionários administrativos, já!;
  • Eleição direta para diretores;
  • Uma matrícula uma escola;
  • Equiparação salarial entre PEI, PI e PII;
  • Reconhecimento do cargo de cozinheira (o) Escolar;
  • 15% de reajuste entre níveis;
  • Convocação dos concursados de 40 horas.
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