Resistência em defesa do ensino público

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MG: manifestação dos estudantes da Escola Estadual Guerino Casassanta no dia 27/5

Na manhã de 27 de maio, estudantes e professores da Escola Estadual Guerino Casassanta, em Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, tomaram as ruas do bairro para protestar contra a falta de estrutura da escola e em apoio à greve dos trabalhadores em educação da rede estadual, iniciada no dia 21 de maio.

Cerca de 80 estudantes, junto aos professores em greve, saíram pelas ruas do bairro Justinópolis reivindicando melhores salários e condições de trabalho para os trabalhadores. O prédio da escola, recém- construído e que foi entregue há cerca de um mês pela prefeitura de Ribeirão das Neves, se encontra em uma situação precária. Faltam laboratórios, quadra esportiva e é constante a falta de água. Os alunos também reclamaram sobre a desqualificação dos professores contratados para o programa “Reinventando o Ensino Médio”.

Caminhando em direção à praça do bairro, os estudantes gritavam palavras de ordem como ‘Não Vai ter Copa!’ e outras contra a farsa eleitoral e contra a gerente municipal Daniela Corrêa.

Ao chegarem à praça, os estudantes logo fecharam a avenida principal do bairro por cerca de 30 minutos. Pouco tempo depois a PM tentou intimidar os manifestantes, ameaçou os professores e prendeu arbitrariamente um homem que não fazia parte da manifestação, alegando que ele estaria “bêbado e perturbando a ordem”.

Pouco tempo depois os manifestantes ocuparam a avenida novamente. No mesmo momento chegaram reforços policiais portando armas de grosso calibre e desviaram o trânsito da avenida. Os estudantes persistiram bloqueando-a por mais 20 minutos e retornaram para a praça, onde a polícia, mais uma vez, tentou coagir os professores a encerrar o protesto os acusando  de “colocar a segurança dos alunos em risco”. Os alunos de imediato rechaçaram a atitude da polícia chamando-os de “assassinos” e “fascistas”. O ato encerrou logo em seguida com os estudantes da região afirmando que esse foi o primeiro de muitos outros em defesa do ensino público.

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Greve na educação municipal de Goiânia

Na quinta-feira, 22 de maio, cerca de dois mil professores e funcionários administrativos da rede municipal de educação realizaram uma assembleia em frente à Secretaria Municipal de Educação de Goiânia e decidiram entrar em greve no dia 26 por tempo indeterminado. Os trabalhadores estão insatisfeitos com as promessas de melhorias salariais feitas pela prefeitura em outubro do ano passado e que não foram cumpridas.

Nesta nova jornada, os trabalhadores em educação da rede municipal de ensino querem que a prefeitura cumpra o acordo estabelecido, incorpore a gratificação que recebem à aposentadoria e pague a data-base salarial.

RJ: PM prende e agride professores em luta

A combativa greve unificada da educação no Rio de Janeiro persiste e avança. Em 28 de maio, os educadores realizaram uma manifestação pelas ruas do Centro da cidade. A PM atacou os manifestantes. A professora Aluana foi detida arbitrariamente e conduzida com truculência para a delegacia. Quatro pessoas ficaram feridas durante a agressão policial. Um deles é Eron Moraes Melo, conhecido por se fantasiar de ‘Batman’, figura simbólica que acompanha os protestos na capital fluminense.

O primeiro conflito foi em frente à prefeitura, por volta das 13h. A polícia usou bombas de efeito moral para liberar a Avenida Presidente Vargas, que foi fechada por 20 minutos. Manifestantes reclamaram de agressões e de truculência policial.

Às 15h50, o confronto foi na porta da Secretaria de Estado de Educação, no Santo Cristo, Zona Portuária da cidade. Mais uma vez a PM atacou professores que colavam adesivos da greve na porta do local.

A brutal agressão na manifestação do dia 28/05 foi prova de que para o velho Estado professor é ‘caso de polícia’. Por outro lado, os trabalhadores em educação vêm de lutas sucessivas e combativas ao longo dos últimos anos e reafirmam que o essencial nesse momento é lutar. Não aceitam a destruição do ensino público, resistem, principalmente através da luta combativa (ver matéria na página 10 desta edição, ‘RJ: greve da educação vira aula pública de combatividade’).

Recife: greve de 48 horas

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'Não vai ter Copa! Rebelar-se é justo!', dizia a faixa

Os trabalhadores em educação da rede municipal do Recife (PE) realizaram uma greve de advertência de 48hs nos dias 22 e 23 de maio. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada no dia 14 de maio com a presença de aproximadamente dois mil trabalhadores.

Os profissionais se queixam de falta de condições de trabalho. Segundo a categoria, nada do que vem sendo discutido com a prefeitura foi efetivamente executado ou cumprido, como é o caso da aula atividade, falta de estrutura das escolas, merendas de péssima qualidade, falta de valorização dos professores, autonomia pedagógica etc.

São Luís: greve por tempo indeterminado

Com a adesão de 70% da categoria, trabalhadores em educação da rede municipal de ensino de São Luís (MA) entraram em greve. O movimento grevista tem como objetivo exigir melhores condições de trabalho e aumento salarial de 20%. A gerência municipal apresentou a absurda proposta de aumento de 8,32%, parcelado em duas vezes.

Além do aumento de 20% nos salários e data-base, conforme a Lei do Piso, os trabalhadores em educação exigem a implantação dos direitos estatutários e melhoria nas estruturas das escolas municipais da capital.

Um dado absurdo apontado por integrantes do comando de greve revela marcas da semifeudalidade no país. Cerca de 12 escolas estão sem aulas desde o fim de 2013 por causa da precariedade de suas estruturas. As escolas não têm água para nada. Quando chove, o professor não tem condições de ficar na turma por causa dos telhados, são muitas goteiras. Os sistemas hidráulicos e elétricos estão bem ruins. As lâmpadas estão queimadas e as salas escuras.

A luta dos companheiros de São Luís, iniciada emm 22/5, é parte do vigoroso levante de milhares de trabalhadores em educação de diversos municípios e estados, como é o caso da cidade de São Paulo, onde também os educadores municipais protagonizam uma importante greve. Em Minas Gerais, nas cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, em Curitiba e inúmeras cidades do interior do país. As lutas em todo o Brasil convergem para a revolta geral contra toda podridão do velho Estado e contra a Copa do Mundo da grande burguesia e do imperialismo.

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