Protestos denunciam a farra da Fifa

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Manifestação contra a Copa em Brasília: 'Cartão vermelho pra Fifa'

Faltando poucos dias para a data prevista para o início da Copa da Fifa no Brasil, os protestos populares vêm ocorrendo de forma cada vez mais intensa colocando em cheque os ditames da mafiosa Fifa e exigindo melhorias das condições de vida do povo brasileiro. As palavras de ordem contra a Copa ecoam em todos os lugares e, desde já, independente do megaevento acontecer ou não, a política de pão e circo já foi desmoralizada.

Até o fechamento desta edição de AND, às vésperas do megaevento, inúmeras manifestações estavam marcadas para ocorrer pelo país, principalmente na abertura em 12 de junho e nos dias de jogos. Todas elas serão acompanhadas por nossas equipes de reportagem e as informações serão divulgadas em tempo real na nossa fan page no Facebook.

RJ: professores “recepcionam” seleção

Na manhã de 26 de maio, cerca de 500 professores das redes municipal e estadual de educação do Rio de Janeiro realizaram uma manifestação no aeroporto internacional, o Galeão, para receber a seleção brasileira de futebol. Neste dia, a tradicional festa de “recepção” verde e amarela foi substituída por um legítimo protesto grevista por melhores salários e condições de trabalho.

Os professores conseguiram entrar no caminho do ônibus que levava os jogadores e houve ‘empurra-empurra’ com a Polícia Militar. Em seguida, com faixas, cartazes e bandeiras, os educadores foram em passeata até o saguão do aeroporto, onde foram cantadas palavras de ordem do tipo ‘Da Copa eu abro mão! Eu quero mais dinheiro pra saúde e educação’. Uma enorme faixa escrita ‘Não vai ter Copa’ se destacava. O protesto obteve grande repercussão no monopólio da imprensa, inclusive internacional.

— Os profissionais da educação realizaram um ato com o intuito de propagandear a greve. Ainda às 6h da manhã, os ônibus do sindicato foram impedidos de sair dos pontos de encontro pela polícia. Mesmo assim os educadores, mostrando muita altivez, arrumaram vários meios de chegar ate o Galeão. Lá, um grande aparato da tropa de choque da PM e da Polícia Federal já estava a postos para receber os professores – disse Emerson Fonseca, professor de História de uma escola privada que estava no ato e ativo apoiador da greve da rede pública, que prosseguiu:

— Quando o ônibus da seleção saiu, os profissionais, com muita ousadia, barraram a saída do mesmo, romperam o cordão policial e colaram vários adesivos da greve da educação no ônibus.

Mais tarde, um grupo com cerca de 100 educadores seguiu para Teresópolis, região serrana do Rio, onde ficará concentrada a seleção brasileira até a Copa do Mundo. Chegando ao local, eles conseguiram entrar numa área que havia sido isolada nas redondezas da Granja Comari (ver matéria na página 10 desta edição).

Mais manifestações no Rio

No dia 30 de maio, centenas de manifestantes protestaram contra a realização da Copa do Mundo nas ruas centrais da cidade. O ato teve início na Cinelândia. De lá os manifestantes seguiram em direção à prefeitura, onde se encontraram com a manifestação de professores estaduais e municipais. Um grande efetivo de policiais acompanhou o protesto.

— Os governantes podem esperar, nós vamos para as ruas independente de toda a campanha criminosa que a grande mídia está fazendo para aterrorizar o povo. O legado da Copa é esse: protesto! A Copa não vai acontecer da maneira que eles queriam – disse um manifestante com o rosto coberto.

— Não vai ter Copa! Gritaremos isto até o fim! Ela pode até acontecer, mas esse grito simbólico ganhou tamanha repercussão que o megaevento não será o oba-oba que desejavam. Não vai ter Copa do jeito que a Globo, por exemplo, queria. Agora resta a eles ficar fazendo campanha para o povo decorar as ruas. Vamos decorar sim, só que com pichações de protesto – afirmou outra jovem.

Já no dia 1º de junho, a visita da gerente federal Dilma Rousseff ao Rio de Janeiro para a inauguração do BRT Transcarioca também foi marcada por protestos organizados, principalmente, por professores das redes públicas de educação.

O primeiro ato foi realizado na estação do BRT (corredor de ônibus) Viaduto Silas de Oliveira, em Madureira, Zona Norte da cidade. Uma grande faixa escrita ‘Educadores em defesa da escola pública’ foi colocada em cima de uma passarela. O segundo ato ocorreu por volta do meio-dia no Conjunto de Favelas de Manguinhos, igualmente na Zona Norte, onde ocorreu a cerimônia de entrega de 564 unidades habitacionais. Ao passar de carro sob forte esquema de segurança, Dilma foi vaiada pelos manifestantes. Em ambos, os gastos com a Copa foram criticados.

Uma manifestação dos estudantes da UERJ estava marcada para o dia 5 contestando a utilização do estacionamento da universidade, que fica ao lado do Maracanã, para os jogos do Mundial. A equipe de AND acompanhou vários desses protestos e os vídeos podem ser vistos em nosso canal no Youtube: youtube.com/user/patrickgranja.

DF: indígenas e sem-teto contra a Copa

Em 27 de maio, centenas de indígenas e trabalhadores sem-teto engrossaram uma manifestação contra a Copa da Fifa realizada em Brasília, no Distrito Federal, que contou com a participação de milhares de pessoas durante a ‘Turnê da Taça da Copa’.

As faixas do Eixo Monumental foram bloqueadas pelos manifestantes, que seguiam em direção ao estádio Mané Garrincha. No trajeto, iniciou-se um confronto com os agentes da Polícia Militar, muitos deles montados a cavalo, que lançaram bombas e balas de borracha contra a massa. Em resposta, pedras e flechas foram arremessadas contra a repressão. Um policial foi atingido por uma flechada na perna.

Dezenas de povos indígenas participaram da manifestação levantando a bandeira da demarcação de suas terras. Em declaração à agência AFP, o indígena Tamalui Kuikuru, de Xingu-MT, disse que “subir no Congresso foi um ato de coragem, demonstração de que somos guerreiros e defendemos nossos direitos”. Assim como a manifestação dos professores na chegada da seleção, este protesto também teve repercussão em vários países. Pelo menos três pessoas foram presas e a visitação da taça foi suspensa no dia.

O ato foi convocado pelo Julgamento Popular das Violações e Crimes da Copa. Segundo uma nota divulgada na página do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 27 de maio, “o objetivo do Julgamento Popular é explicitar os diversos crimes e violações cometidos contra a população para possibilitar a realização de uma Copa do Mundo que não traz benefícios para a população. Dentre eles estão: a remoção de 250 mil pessoas de suas casas para a construção de obras, a mudança da legislação para a efetivação de políticas de exceção, a criminalização dos movimentos sociais, a repressão ao trabalho informal, os gastos exorbitantes, o desinteresse e a falta de programas para impedir a exploração sexual de crianças e adolescentes, a subserviência do poder público aos interesses privados e à Fifa, a isenção fiscal total dos patrocinadores e da Fifa, dentre outros”.

SP: organizações populares contra a Copa

Na tarde do dia 31 de maio, um sábado, centenas de pessoas participaram do 9º protesto contra os gastos públicos na Copa do Mundo. Os manifestantes se concentraram em frente ao Theatro Municipal, de onde partiram pelas ruas do Centro.

Um enorme aparato policial foi mobilizado. Quando os agentes da Companhia de Ação Especial Policial chegaram ao local foram prontamente vaiados pela massa. Pela primeira vez os PMs utilizaram o exoesqueleto chamado de ‘Robocop’.

O ato foi até a Federação Paulista de Futebol, na Barra Funda, onde os manifestantes lembraram os operários mortos em obras de estádios. Diferentemente dos protestos anteriores, marcados pela violência desproporcional da PM, a manifestação terminou sem registros de confrontos e detidos. Na estação Barra Funda houve início de tumulto e duas catracas do metrô foram danificadas.

SP: ‘Copa sem povo, tô na rua de novo’

A equipe de AND em São Paulo vem acompanhando as seguidas manifestações dos sem-teto, como a que ocorreu no último 22 de maio. Mesmo debaixo de chuva torrencial, mais de 20 mil pessoas se reuniram no início da noite desse dia no Largo da Batata. No dia 28, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) realizou um novo ato no Centro da cidade.

As famílias do acampamento ‘Copa do Povo’, nas redondezas do estádio Itaquerão, uma das arenas do Mundial na Zona Leste de SP, seguem firmes na luta por moradia e prometem resistir (ver AND nº 131, SP: ‘Copa do Povo’ é fora do Itaquerão!). Novas manifestações e mobilizações estavam marcadas para acontecer, uma delas no dia 4 de junho com concentração na estação de metrô da Vila Matilde.

ES: protesto durante jogo treino

Em 2 de junho, o Movimento Estudantil Popular Revolucionário divulgou fotos de uma manifestação contra a Copa realizada na esquina do Estádio Engenheiro Araripe com a BR-262, em Vitória (ES), durante a realização de um jogo-treino da seleção da Austrália com o Paraná Clube.

Segundo o MEPR, “ao contrário do que foi divulgado (de que iam levar estudantes etc), a partida não teve audiência, somente algumas ‘autoridades’ estavam presentes. Havia mais policiais do que torcedores... Muitos motoristas buzinavam apoiando o protesto. Pedestres paravam para a apoiar e criticar os gastos da Copa”.

Goiânia: protestos em dia de amistoso

Dezenas de pessoas realizaram, na manhã de 3 de junho, um protesto em frente ao hotel Castro´s, que hospedava a seleção brasileira no Setor Oeste, em Goiânia, para a penúltima partida amistosa antes da Copa, contra o Panamá. Por volta das 10h houve um início de tumulto quando a polícia tentou tirar os manifestantes do canteiro central. Um manifestante foi detido e liberado em seguida após conversa com o responsável pelo policiamento.

Na segunda manifestação do dia, na parte da tarde, centenas de profissionais da educação municipal, dos Institutos de Ensino Superior de Goiás, estudantes e trabalhadores de outras categorias se reuniram na Praça Cívica e seguiram até o estádio Serra Dourada. Os 4 km de passeata foram agitados com palavras de ordem contra os gastos públicos com a Copa.

Segundo relato enviado pelo comitê de apoio ao AND em Goiânia, ao chegarem próximos do estádio, os manifestantes foram recebidos por policiais, alguns montados a cavalo, que usaram gás de pimenta. No trajeto de encerramento, viaturas tentavam ir à frente do ato para barrá-lo e liberar o trânsito. O ato foi marcado por momentos de tensão.

Decoração anti-Copa

A campanha maciça do monopólio da imprensa não foi capaz de impor o ‘clima de festa’ tão aguardado pela burguesia. As decorações anti-Copa se espalharam pelas ruas do país. Na última edição de AND publicamos um artigo de Wilson Ventura Júnior intitulado ‘O povo boicota a Copa da Fifa’ divulgando algumas artes. De lá pra cá, muitas outras foram divulgadas nas redes sociais.

Na Tijuca, Zona Norte do Rio, a inscrição ‘S.O.S Saúde’ ficou estampada no asfalto da rua Alzira Brandão, o ‘Alzirão’, tradicional ponto de decoração e festas nas Copas anteriores. No Andaraí, também na Tijuca, várias frases de ordem foram escritas nas ruas: ‘S.O.S Andaraí’, ‘Copa: R$ 30 bi. Saúde: zero’ e ‘Copa pra quem?’. Em frente à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o grafiteiro Roma fez uma arte com o mascote da Copa furando sua barriga com um lápis representando o “suicídio da educação”.

No Terreirão do Samba, região central da cidade, uma pichação fez sucesso mostrando o jogador Neymar com o rosto coberto por uma máscara preta semelhante às usadas pela juventude combatente nas manifestações de rua. A pichação de protesto foi feita por cima da pintura original que participava de um concurso promovido pela prefeitura em parceria com uma empresa de material esportivo.

Em São Paulo, pichações contra a Copa foram feitas por cima da pintura anunciada como “o maior corredor de grafite a céu aberto da América Latina”, o Projeto 4KM, nas imediações do estádio Itaquerão. A ação custou R$1,7 milhões (1,2 mi dos cofres públicos e 500 mil de iniciativa privada) e tem 4km de extensão. Segundo os organizadores do mural — a Secretaria Estadual de Turismo e o Comitê Paulista para a Copa do Mundo — , ele só não é maior que o muro de Berlim.

O Coletivo Bagaço, de Pernambuco, também fez várias pinturas e divulgou fotos nas redes sociais. As imagens das decorações anti-Copa podem ser vistos no link: facebook.com/DecoracaoAntiCopa.

AND acompanhará os protestos

As equipes de reportagem de AND e os comitês de apoio do jornal estão preparados para cobrir as inúmeras manifestações que ocorrerão nas cidades-sede da Copa e em outras regiões do país. As informações serão divulgadas em tempo real em nossa fan page no Facebook. Produziremos vídeos e divulgaremos fotos dos atos. Na próxima edição do jornal traremos matérias sobre as diversas manifestações e atividades que denunciarão a farra da Fifa no Brasil.

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