Ucrânia: para além dos ‘pró-Rússia’ ou ‘pró-Ocidente’

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Manifestação antifascista

Na última edição de AND (nº 132) relatamos a situação política que vive a Ucrânia, atirada ao olho do furacão das disputas pela repartilha do mundo entre as potências imperialistas e seus monopólios em crise, agonizantes, e por isso mesmo ávidos por expandir seus tentáculos a novos mercados e a novas fontes de matérias primas, como quem se debate em espasmos de moribundo em busca de algumas bolhas de ar.

O USA, de um lado, visa controlar aquela nação a fim de garantir pontos estratégicos para a instalação de bases do chamado “escudo antimísseis” do Leste Europeu, faraônico aparato que é peça chave para sua estratégia de dominação global e com o qual Washington tem por objetivo cercar a Rússia em seu próprio território, isolando a nação que detém o único arsenal do planeta capaz de fazer frente ao poderio nuclear ianque.

A Rússia, por seu turno, na condição de superpotência atômica que fica ainda mais enfraquecida com a ofensiva ianque sobre a Ucrânia, busca retardar o máximo que puder o avanço ianque, além de tentar manter suas “áreas de influência” em torno de suas fronteiras.

Quando fechamos a última edição deste jornal, a Ucrânia havia acabado de divulgar o resultado da farsa eleitoral convocada às pressas pelos poderes políticos títeres do imperialismo ianque como subterfúgio para a “estabilização” do país segundo a vontade - e para atender as vontades - do “Ocidente”, com a “vitória” do oligarca Petro Poroshenko.

A Ucrânia, porém, em vez de trilhar o caminho da estabilização e da conformação das suas forças políticas reacionárias, cada vez mais segue no rumo da guerra civil.

O ministro da Defesa do novo gerenciamento de Kiev, Mikhail Koval, gabou-se junto ao seu superior imediato, o fantoche Poroshenko, de ter dado cabo de 250 opositores em menos de 24 horas. Já Moscou anunciou no último dia 16 de junho a suspensão do fornecimento de gás para a Ucrânia, catapultando as tensões e pagando para ver até onde o USA está disposto a chegar.

Análise de classes da crise ucraniana

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Manifestação antifascista

A União Borotba (Luta), que compõe a resistência antifascista na Ucrânia, publicou um documento intitulado ‘Análise de classes da crise ucraniana’. A análise traz elementos importantes para a compreensão da situação atual naquele país e parte da compreensão de que “a crise ucraniana não se deve somente a fenômenos nacionais”.

“A Ucrânia, por diversos motivos, se tornou o ‘elo débil’ e tem sido a primeira vítima do afundamento do modelo econômico baseado no domínio do dólar como moeda de reserva mundial e o estímulo a demanda do consumidor mediante o crédito como mecanismo de crescimento económico. A Ucrânia era uma das economias mais vulneráveis no marco da crise global, o que provocou a fratura da classe dirigente e a aguda luta política que temos observado faz alguns meses” – inicia o Borotba, que também analisa a base social do chamado Euromaidan (como foi chamado o movimento que resultou na ocupação e enfrentamentos na Praça Maidan).

“Na etapa inicial do Euromaidan, a participação das massas populares foi mínima”, analisa o Borotba, explicando que nos primeiros dias participaram basicamente membros e ativistas das ONGs pró-ocidentais e grupos neonazistas em torno do fascista Svoboda.

“O autêntico caráter massivo do Euromaidan foi alcançado somente depois da dispersão dos manifestantes em 30 de novembro” de 2013. Mas “a principal força de Maidan que estava continuamente ali presente e participava nas ações de luta com os guardiães da ordem foram os militantes neonazistas (principalmente torcidas de futebol) e gente sem ocupação vinda das regiões oeste e central do país. Essa gente viveu durante uns tantos meses em Maidan, onde tinham garantidos alimentos e subsídio em dinheiro.”

Esse financiamento, explica a União de resistência, “se produziu tanto através dos três partidos parlamentares do bloco opositor, como através de ONGs, ou diretamente pelos grupos paramilitares de tendência neonazista”.

A análise do Borotba ainda aponta como “demonstração do domínio da ultradireita a derrubada por parte dos ativistas do Euromaidan da estátua de Lenin na Praça Besravia”.

“No sentido contrário, o movimento de oposição do Sul e Leste tem a composição mais proletária. É algo que registram os observadores independentes. Não é tampouco por casualidade que a oposição à junta de oligarcas e nazistas que conseguiu o poder como resultado de Maidan se desenvolva, sobretudo nas regiões mais industrializadas, com predomínio da classe operária entre a população”, conclui o Borotba.

A Divisão Militar de Mineiros de Donetsk

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Em 22 de junho, em Kharkov (Cracóvia), milhares de pessoas marcharam pelas ruas atendendo ao chamado do Partido Comunista da Ucrânia, da União Borotba e de outras organizações populares. O principal lema da manifestação foi “Kharkov se levanta para expulsar os fascistas”. Milhares de manifestantes agitaram bandeiras vermelhas e consignas antifascistas, contra a guerra imperialista e em solidariedade às barricadas proletárias de Donetsk.

Nesse mesmo dia, multidões de trabalhadores das minas de Donetsk se levantaram em um grande protesto, convocando o proletariado ucraniano a resistir e expulsar os fascistas. Da mobilização das massas nessa importante região de forte movimento proletário e tradições antifascistas, surgiu a iniciativa da criação da primeira Divisão Militar de Mineiros voluntários antifascistas para deter a guerra contra o povo.

No primeiro dia, quinhentas pessoas se alistaram na Divisão Militar de Mineiros, que espera inscrever dez mil voluntários.

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