“A festa nos estádios não vale as lágrimas na favela”

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Centenas de pessoas participaram do ato que criticou a violência policial nas favelas

Na tarde do dia 23 de junho, aconteceu em Copacabana, na Zona Sul do Rio, o ato “A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas”, mobilizado por várias organizações que lutam pelos direitos do povo, entre elas a Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência e o Movimento Favela Não se Cala. Os manifestantes — vítimas de despejos violentos, mães que tiveram seus filhos assassinados pela polícia e pessoas que sofreram toda ordem de abusos — oriundos de inúmeras favelas da cidade, se concentraram em frente à associação de moradores do Morro Chapéu Mangueira ainda pela manhã. No local, houve algumas apresentações artísticas, roda de capoeira, pinturas em referência à violência do Estado contra o povo e inúmeras outras intervenções.

— Além dessa perda, nós ainda temos que lutar para limpar a imagem do nosso filho. Eles fazem isso na nossa favela: transformam vítimas em criminosos. E eles, que são os criminosos, viram vítimas. A comunidade está sufocada, está calada diante dessa ditadura. Eu vim aqui pedir justiça em nome do meu filho e de todos os jovens que foram e continuam sendo assassinados pela polícia — disse a pedagoga Ana Paula Gomes de Oliveira, 36 anos, mãe do jovem Jonathan de Oliveira Lima, de 19 anos, assassinado por PMs da UPP de Manguinhos com um tiro nas costas no último dia 14 de maio.

— Hoje faz um ano da Chacina da Maré, na qual nove jovens foram assassinados pela polícia. E nós estamos aqui para mostrar que, um ano depois, a matança continua. Torturas, assassinatos, despejos forçados de milhares de famílias, tudo escondido pelos meios de comunicação que estão nas mãos de empresários. Enquanto a imprensa internacional está lá em Copacabana mostrando a Copa do Mundo dos ricos e turistas, nós pobres favelados estamos aqui tentando dar voz aos nossos mortos — disse o líder comunitário André Constantine, do Movimento Favela Não Se Cala.

O ato desceu o morro e tomou as ruas de Copacabana para dar o recado: “Chega de chacina! Polícia assassina!”. Na Avenida Princesa Isabel, a manifestação se juntou ao protesto “Não vai ter Copa”, da Frente Independente Popular (FIP- RJ), que saiu da estação de metrô Cardeal Arcoverde em direção à praia. Engrossando mais ainda as fileiras do ato, mais à frente, manifestantes se juntaram aos moradores do Morro do Cantagalo, entre eles a ativista Deise Carvalho, que teve seu filho assassinado por agentes penitenciários em um presídio para menores em 2009. A manifestação chegou ao Cantagalo onde lideranças fizeram intervenções condenando a violência policial e manifestantes entoaram palavras de ordem contra as Unidades de Polícia Pacificadora.

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