Copa sem Povo, estamos na rua de novo: Porto Alegre contra o Estado FIFA de exceção

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Manifestação nas ruas da capital gaúcha

No último dia 23 de junho, centenas de pessoas reuniram-se em frente à prefeitura de Porto Alegre para realizar um ato com o caráter de dialogar com a população e denunciar os crimes cometidos pelo Estado FIFA de exceção para garantir a realização do megaevento.

Com mais de uma hora e meia de duração, a marcha convocada pelo Bloco de Luta passou por algumas das principais ruas do centro da cidade, tornando possível a realização deste diálogo direto com a população que saía do serviço e aguardava nos terminais de ônibus.

Durante todo o tempo, o ato ‘Copa Sem Povo, estamos na rua de novo’ foi acompanhado de perto por um forte e numeroso aparato de repressão militar. Com as tropas de policiais mascarados que acompanhavam o final da marcha, os batalhões do choque que se moviam para proteger vidros de bancos e multinacionais, as outras tropas que fechavam as ruas que poderiam dar acesso a eventos FIFA, a atuação da cavalaria e dos veículos utilizados na operação de guerra, o Estado FIFA de exceção escancarava mais uma vez a sua expressão ditatorial perante toda a população de Porto Alegre e turistas que circulavam pelo centro da cidade.

Após um ato com forte repressão militar no dia 18/06, o movimento social buscava, sobretudo, voltar a exercer o seu direito de marchar pelas ruas da cidade.

18 de junho: ato é brutalmente atacado

O que era para ser mais um grande ato do Bloco de Luta em 18 de junho, terminou após um ataque brutal por parte da Brigada Militar, a Polícia Militar do estado, que jogou bombas e atirou balas de borracha contra manifestantes reunidos pacificamente em uma praça de Porto Alegre.

Um ataque aos direitos

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Atingidos por balas de borracha e estilhaços de bombas

O ato ‘Copa sem povo, estamos na rua de novo’ realizado no dia 18 também tinha o caráter de diálogo com a população. Reunidos pacificamente na Praça Argentina a partir das 11h, cerca de 200 pessoas preparavam-se para marchar pelas ruas da cidade. Munidas de faixas, cartazes, bandeiras e carro de som, entregariam mais de 5.000 panfletos para denunciar à população alguns dos crimes cometidos pelo Estado para realizar o megaevento. Em meio a esta tentativa, o Estado cometeu mais uma série de crimes, atacando, de forma covarde e violenta, alguns dos direitos garantidos pela Constituição do dito estado democrático de direito.

O primeiro ataque aos direitos foi realizado sobre o direito da livre organização e manifestação. Assim que o grupo de ativistas começou a sair da praça para iniciar a marcha pelo centro da cidade, por volta das 13h, a Brigada Militar, em um contingente com no mínimo 1.500 policiais, iniciou os disparos das bombas. Nem a dispersão em meio às bombas foi possível, pois diversos pelotões do choque e da cavalaria aglomeravam-se nas esquinas das ruas próximas, fazendo com que ativistas e pessoas que passavam pelo local ficassem cercadas pela polícia.

Também com o direito de ir e vir negado, a única saída para o Bloco de Luta foi tentar negociar a dispersão dos manifestantes. Após aproximadamente 30 minutos do cerco policial e do terror de Estado, foi negociada a saída de ativistas para a dispersão.

Essa prática de cercar manifestantes, impedindo-os de caminhar e privando-os de acesso à alimentação, água ou instalações sanitárias, às vezes por muitas horas, é conhecida como kettling, empregada por forças policiais em diversos locais do mundo, que também veio a ser amplamente utilizada no Brasil durante as manifestações em algumas cidades-sede da Copa do Mundo. Várias organizações nacionais e internacionais, dentre as quais a ONU, consideram essa prática como um ataque aos direitos humanos.

Um ataque aos corpos

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Ao contrário do que afirma a Brigada Militar em seu comunicado lançado após o protesto, informando que teriam sido jogadas quatro bombas, há registros em vídeo feito por manifestantes que comprovam o disparo de no mínimo sete bombas de efeito moral contra cerca de 200 pessoas que tentavam protestar pacificamente. Várias pessoas ficaram feridas após uma tentativa de marcha que durou menos de cinco minutos. Estudantes e trabalhadores tiveram os seus corpos violados pelos estilhaços das bombas, ao mesmo tempo em que relatos de ativistas indicam para a utilização de balas de borracha.

Dezenas de lutadores sociais e no mínimo três jornalistas, entre eles uma da Mídia Ninja e outro do portal Terra, ficaram feridos durante o ataque da Brigada Militar ao protesto pacífico. Em meio a bombas e disparos, uma mulher que não participava do protesto passou mal e chegou a desmaiar, vindo a ser socorrida por ativistas.

Além do ataque a todos os direitos civis e aos corpos das pessoas, a polícia ainda realizou um trabalho de ataque de inteligência, impedindo que, durante o ato, o plantão jurídico do Bloco de Luta pudesse ser acionado. Situação que foi contornada posteriormente, e não houve informações de pessoas detidas.

Como em todos os outros protestos realizados pelo Brasil em que ocorre a repressão e a violência do Estado, os criminosos de farda não foram identificados e tampouco detidos. Seguem impunes e livres após ferir diversas pessoas e cometerem crimes contra os direitos civis da população.

Depois dos três mil, a repressão

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Em 12 de junho, dia de abertura dos jogos da Copa, o Bloco de Luta havia convocado o primeiro “Ato Copa sem Povo, estamos na rua de novo”, que contou com a presença de mais de três mil pessoas em um protesto combativo.

Uma semana depois, no dia em que acontecia um jogo da Copa do Mundo em Porto Alegre, manifestantes foram covarde e brutalmente atacados pelas forças de repressão. A ação criminosa da polícia foi uma clara demonstração de força, truculência e violência, destinadas a qualquer pessoa que ouse questionar os crimes do Estado.

Por entender que as ruas são o espaço legítimo da luta popular e não aceitar os desmandos do Estado FIFA de Exceção, o Bloco de Luta convocou um novo ato para segunda-feira (23 de junho). Contou com a adesão de cerca de 200 pessoas e teve uma grande representatividade para a luta na cidade por proporcionar esta retomada das ruas após o ato brutalmente atacado.

Além da retomada das ruas após a repressão, a marcha do dia 23 conseguiu comprovar mais uma vez que por mais que as forças de repressão invistam em tecnologias e técnicas, por mais que atirem bombas e deem tiros, por mais que tentem criminalizar e perseguir politicamente os movimentos sociais, a força de um povo organizado jamais irá se render aos crimes do Estado e sempre utilizará as ruas como o espaço legítimo para realizar as denúncias populares e exigir suas reivindicações sociais.

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