SP: junho de protestos marca um ano das jornadas

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Manifestação de 19 de junho

Em São Paulo, o mês de junho iniciou-se com grandes manifestações, greves e resistências populares, em uma luta sem tréguas contra todos que atacam os direitos do povo.

Os professores municipais realizaram uma greve de 42 dias, com passeatas e manifestações combativas. Dessa vez, grupos de educadores da oposição realizaram amplo trabalho de base que resultou em ações independentes da direção do sindicato, forçando o gerente municipal Fernando Haddad a convocar uma negociação de urgência.

Nas três grandes universidades de São Paulo: USP, UNESP, UNICAMP, além do Centro Paula Souza, professores, funcionários e estudantes persistem em greve deflagrada desde o dia 27 de abril e seguem mobilizados lutando por melhores salários e condições de trabalho, contra o sucateamento das universidades públicas, por isonomia salarial, entre outras demandas. Também nesse setor a greve é marcada por manifestações combativas e ações de solidariedade a outras categorias em luta, como os metroviários.

Os trabalhadores do Metrô, por sua vez, realizaram uma paralisação combativa que enfrentou o governo antipovo e a brutal repressão sustentando cinco dias de greve, entre 5e 9 de junho. A greve dos metroviários, por se tratar de uma categoria fundamental para a mobilidade de uma população, foi duramente atacada pelo monopólio da comunicação, mas o povo respondeu com apoio, aglutinando um bloco de entidades e movimentos populares solidários a luta. A justiça burguesa (que se diz “cega”, mas só vê o lado dos patrões) mais uma vez julgou a greve ilegal e taxou multas diárias de R$100 mil reais, saltando para R$500 mil após a decisão de continuidade da luta pela assembleia lotada da categoria em 8 de junho. O aparato repressivo do velho Estado atacou covardemente os trabalhadores, ferindo e prendendo alguns nas estações Bresser e Ana Rosa no dia 6. A categoria não se intimidou e em assembleia decidiu realizar um ato de repúdio à violência sofrida. Este protesto, realizado no dia 9, foi mais uma vez atacado pelas forças de repressão a mando do gerente Alckmin com bombas, balas de borracha, cassetetes e spray de pimenta. 42 funcionários do Metrô foram arbitrariamente demitidos.

Após a repressão, os metroviários seguiram em passeata até a Praça da Sé, no centro da capital, e realizaram um ato conjunto com outras entidades, seguindo até a Secretaria de Transporte Metropolitano de São Paulo. No horário previsto para a realização da assembleia da categoria, o gerenciamento Alkmin e seus agentes do Metrô convocaram uma reunião de negociação, provocando a suspensão da assembleia dos trabalhadores, que mais tarde decidiu pela suspensão da paralisação e determinação do “estado de greve”, sob ameaça de possível paralização em 12 de junho, o que não ocorreu.

Luta por moradia

Também tiveram destaque os massivos protestos de famílias trabalhadoras em luta pela moradia organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Milhares de famílias ocuparam e resistem em um terreno vizinho ao estádio Itaquerão, um dos palcos da farra da Fifa. O gerenciamento Dilma Rousseff logo se prontificou em chamá-los para uma negociação, prometendo mundos e fundos, em clara tentativa de cooptação do movimento. Mas os coordenadores do acampamento afirmaram: “O MTST não negocia o direito de ir à luta e realizar manifestações nas ruas” e “que não nasceu em junho e julho e por isso a sua luta não termina com o fim da Copa do Mundo”.

E a luta pela moradia segue intensa na capital paulista. Na manhã de 21 de junho, o bairro do Morumbi, Zona Sul, acordou com várias barracas de lona preta, em uma das áreas mais caras na especulação imobiliária e também na luta pela mudança do plano diretor.

Manifestações contra a Copa

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A juventude combatente, que está sempre em movimentos e lutas contra a farra da Fifa, vêm se colocando na linha de frente da resistência contra as forças de repressão do velho Estado.

No dia da abertura do megaevento, em 12 de junho, OS jovens foram às ruas e antes mesmo de se agruparem, na estação Carrão do Metrô, foram covardemente atacados por bombas, balas de borracha e spray de pimenta. A sanha dos opressores era tamanha de impedir qualquer tipo de manifestação contra a Copa, que na falta de manifestantes no local, pois já haviam se dispersado, as forças policiais atacaram os profissionais da imprensa, ferindo gravemente duas representantes da CNN e vários profissionais de outros veículos de comunicação.

Os manifestantes se reagruparam e seguiram protestando e resistindo pelas ruas do bairro do Tatuapé. Nesse ato, além de resistência contra a repressão, também houve luta contra as organizações oportunistas, que eram contra resistir aos ataques da polícia. Mas isso não foi impedimento para o bloco combativo se organizar e se dirigir para a estação Tatuapé, que logo foi cercada por um forte aparato da Tropa de Choque, Força Tática, Cavalaria, Rocam e vários P2, além de e policiais civis e federais. As operações, tanto nos trens, quanto no metrô, foram suspensas e os usuários ficaram reféns das forças de repressão, que sem medir consequências atacaram manifestantes, senhoras, idosos e crianças. Na abertura da Copa da Fifa, os protestos fecharam três estações do metrô e o principal embarque do “Expresso da Copa”. A repressão agia com selvageria em todos esses locais enquanto o monopólio das comunicações atacava os manifestantes taxando-os de “vândalos”.

Uma semana depois, em 19 de junho, foi realizada a celebração de um ano da derrubada do preço da tarifa no transporte de R$3,20 para R$3,00 e vários movimentos populares foram às ruas, concentrando-se na Praça do Ciclista, situada na região da Avenida Paulista. O ato seguiu em passeata até a Avenida Marginal Pinheiro. A PM seguiu o protesto a distância por ruas paralelas, pelo helicóptero e infiltrando P2 entre os manifestantes. Cerca de cinco mil pessoas participaram do protesto. Chegando à Marginal, os manifestantes se reuniram, fecharam duas vias com barricadas em chamas, realizaram atividades culturais e a tradicional queima das catracas. Nesta ocasião, muitas pessoas também levaram faixas e cartazes contra o Mundial da Fifa. “Abaixo a Copa do capital”, dizia uma faixa.

E, quando boa parte dos manifestantes dava por encerrado a celebração de um ano da derrubada do preço da tarifa, um grupo de pessoas dirigiu-se para uma concessionária da Mercedes-Benz e descarregou seu ódio contra os carros de luxo lá estacionados e contra agências bancárias nos bairros Pinheiros e Vila Madalena. Enquanto o monopólio da imprensa transmitia as imagens da concessionária sendo quebrada, seus âncoras, hienas histéricas, pediam mais repressão.

Um novo protesto foi marcado para o dia 23 de junho e, novamente, os manifestantes se reuniram na Praça do Ciclista para o ‘11º Ato Se não Tiver Direitos Não Vai Ter Copa’. Cerca de 300 manifestantes partiram da manifestação sob forte cerco do aparato militar. De repente, uma correria de fotógrafos e repórteres: tratava-se da primeira detenção em um local separado dos manifestantes. Policiais deram buscas nas bolsas e pertences dos Observadores Legais que acompanham os atos justamente para averiguarem os abusos e excessos cometidos pela PM. O Dr. André Zanardo, advogado Ativista, fez essa denúncia de forma pública e chegou a ser puxado pelo braço por um capitão da PM.

Havia cerca de cinco policiais para cada manifestante. Ainda assim, o protesto avançou pela Avenida Paulista. Cercados por todos os lados por policiais, os manifestantes avançaram até o Masp, onde realizaram uma assembleia. Durante a dispersão, um policial civil fez disparos de pistola provocando tumulto. Ocorreram três detenções, entre elas a do professor Rafael Marques Lusvarghi, que já havia sido preso no protesto de 12 de junho e brutalmente agredido. Ele foi conduzido para o DEIC em um carro descaracterizado de placa DRC-8791, sem que informassem o motivo da sua prisão. O jovem Fábio Hideki Harano também foi preso.

Um dia antes do fechamento desta edição, 26 de junho, ocorreu uma manifestação pela libertação de Rafael e Fábio. Até a data, eles continuavam presos acusados de “associação criminosa”, “incitação à violência”, “porte ilegal de arma de fogo de uso restrito”, “resistência” e “desobediência”. Os manifestantes criticaram duramente a tentativa, por parte da “justiça”, de criminalizar os rapazes e as manifestações populares. Antes mesmo de o protesto começar, os PMs tentaram intimidar vários jovens fazendo “revistas”.

Novas manifestações e atividades estão marcadas para ocorrer, principalmente até o dia 13 de julho, quando termina a Copa.

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