Abaixo a farra da Fifa! Viva a liberdade de manifestação!

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Os gastos para a Copa da Fifa no Brasil já ultrapassaram os R$ 30 bilhões. Para se ter uma comparação, as copas na Coréia do Sul e Japão, Alemanha e África do Sul juntas gastaram R$ 25 bilhões. E os lucros, já divulgados pela Fifa, somam fabulosos 4,2 bilhões de reais, isentos de qualquer tipo de imposto.

Para a realização dessa copa, foram erguidos verdadeiros elefantes brancos, como o estádio Mané Garrincha, em Brasília, cuja capacidade é de 71 mil pessoas. Para se ter noção do tamanho absurdo, o jogo de abertura do campeonato brasiliense do ano passado teve um público de 1.956 pagantes.

Em Manaus, o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, ligado ao Tribunal de Justiça do Amazonas, levantou a hipótese de transformar o recém-construído estádio em um ‘presídio’ temporário após a Copa! A reforma do Maracanã custou quase dois bilhões de reais e apenas sete jogos da Copa do Mundo serão realizados no estádio. Gastou-se um valor maior do que construir um novo!

Os brasileiros que tinham o hábito de ir aos estádios torcer pelos seus times, de comprar ingressos para arquibancada ou “geral” e levar as suas famílias já sentiram, desde a inauguração dos novos estádios, agora chamados de “arenas”, o preço amargo imposto pelos monopólios. Dificilmente os trabalhadores poderão torcer com suas famílias e certamente muitos, a maioria absoluta, não irá assistir os jogos da Copa, pois um trabalhador não tem como pagar um ingresso que chega a custar 50% (ou mais) do salário mínimo.

A atual Copa só ocorre no Brasil porque nenhum governo ofereceu mais o país na bandeja para a máfia da Fifa do que o do PT/Lula. O governo da Suécia abriu mão de sua candidatura como sede para realização das olimpíadas devido à previsão de enormes gastos.

Na Europa em crise, os povos se levantam contra o desemprego, o arrocho e as medidas antipovo ditadas pelos Estados reacionários para postergarem o agravamento ainda maior da crise do capitalismo em seus respectivos países. Os povos se levantaram em protestos em todo o Norte da África e Oriente Médio e seguem com novas rebeliões na Ásia, América Latina e nos próprios países imperialistas.

A Fifa e os monopólios necessitavam de um gerenciamento servil, submisso como o governo Dilma Rousseff, que permitisse a farra dos monopólios, que abrisse passagem para a imposição do “território Fifa”, sem cobrar impostos, proporcionando lucros exorbitantes aos sanguessugas de nosso povo, que cumprisse à risca a ordem de remover populações, de intensificar a instalação das UPPs, de reprimir com bestialidade os protestos, de perseguir e encarcerar os ativistas mais combativos.

Nem o futebol que mexe com as multidões e desperta paixões entre bilhões de habitantes em todo o mundo pôde aplacar a revolta do povo brasileiro transformando em fiasco o plano do PT/PCdobê de manipular os sentimentos das massas para encobrir a grave crise que ameaça o país e pavimentar seu continuísmo no gerenciamento de turno do velho Estado na farsa eleitoral de outubro próximo.

Mas o debate surgido das jornadas de lutas da juventude contribuiu para a elevação da consciência de nosso povo, que separa sua paixão pelo futebol da podre política eleitoral das classes dominantes e seus agentes. Até mesmo a torcida que vai aos estádios, pagando caríssimos ingressos, está vaiando a gerente Dilma Rousseff e os representantes da Fifa, como foi na Copa das Confederações e agora na abertura, não permitindo que proferissem seus planejados discursos ensebados. E as vaias não são somente para Dilma Rousseff e o PT. No Rio de Janeiro, a palavra de ordem da Frente Independente Popular – FIP, organização combativa surgida das lutas independentes e classistas, é “Fora Cabral e a farsa eleitoral”. Nas manifestações mais combativas que ocorrem em todo o país, é marcante a posição classista, independente dos partidos eleitoreiros, repúdio aos governantes de PT, PSDB, PMDB, PSB, PCdobê, DEM, etc., e a decisão de resistir à repressão policial e responder com a justa resistência popular a violência do velho Estado e seus gerentes de turno.

Operação de guerra é medo das massas rebeladas

Ao longo dos últimos meses os monopólios da comunicação e os governos municipais, estaduais e federal desenvolveram intensa campanha para desqualificar os protestos contra a farra da Fifa. Formularam projetos de lei que visam tipificar o crime de terrorismo no Brasil, utilizam as leis antipovo já existentes para criminalizar e enquadrar movimentos populares e manifestantes como “organizações criminosas”, “vândalos” e “bandidos”. Polícias federal, militar e civil, Força Nacional de Segurança e exército, todo o arsenal do velho Estado está sendo utilizado contra os protestos e para isolar os estádios onde são realizados os jogos.

Os governistas e aqueles que ainda não compreenderam o significado da palavra de ordem das multidões dizem agora: “Viram só, tem Copa sim!”. Os jogos da Copa só estão ocorrendo porque impuseram um verdadeiro Estado de Sítio, que sem toda essa verdadeira operação de guerra a Copa das Copas prometida por Lula, Dilma, PCdobê e a máfia da Fifa teria que ser adiada e levada para qualquer outro lugar longe do Brasil.

Aqui em Belo Horizonte, no dia 14 de junho último, a polícia militar sitiou a cidade, bloqueou as ruas num raio de mais de três quarteirões, revistou toda a população que circulava nesse bloqueio, tudo na tentativa de impedir protestos contra a Copa da Fifa no dia do primeiro jogo na cidade. Mas o tal “envelopamento”, termo técnico utilizado pela PM para impedir o direito de livre manifestação e de ir e vir dos cidadãos, não foi capaz de barrar o protesto, que se manteve até o fim do jogo no centro da capital, denunciando a farra da Fifa e a repressão policial.

A bravata da polícia de que criaram a tática do “envelopamento” para acabar com o “vandalismo” não é nada mais do que o desmascaramento da demagogia cacarejada pelas autoridades reacionárias e essa imprensa mentirosa de que são a favor das manifestações pacíficas. Todos eles tremem quando as massas tomam as ruas e nada podem fazer senão que desatar sua covarde brutalidade. Queremos ver seu “envelope” quando dezenas e centenas de milhares voltarem a tomar as ruas. A resistência e persistência dos manifestantes sitiados hoje são o anúncio dos novos combates que virão! Voltaremos e seremos milhares e milhões para varrer toda exploração, opressão e podridão dessa velha e carcomida ordem.

O protesto segue: boicotar a farsa eleitoral

Os protestos de hoje são a demarcação do terreno da resistência e o anúncio que a revolta popular prepara para novas batalhas nos dias vindouros quando a inevitável crise econômica explodir e lançar suas chamas por todo o país, de forma mais organizada e consciente dos objetivos e programa de um novo Brasil que as jornadas do ano passado clamaram. Em todas as cidades que sediam jogos, principalmente, debaixo do mais pesado cerco repressivo e da calúnia dessa imprensa venal da burguesia, o protesto não para e não será calado. A patifaria montada com a trágica morte do cinegrafista da Band no RJ, em fevereiro deste ano, e a desabalada campanha de terror e intimidação sobre a juventude combatente não puderam deter o espírito de combate e a decisão de levar o protesto popular à frente.

E já durante a Copa os movimentos mais combativos e independentes estão levando o combate contra a farsa eleitoral que seguirá chamando o povo a boicotar as eleições e não votar! Nas últimas eleições 35 milhões de brasileiros disseram não à farsa eleitoral boicotando as eleições, votando nulo ou em branco. Como já temos afirmado, a maior resposta do nosso povo a toda essa farra da Fifa, dos oportunistas e dos monopólios, a toda podridão do velho Estado, a repressão policial, ao péssimo transporte, ao arrocho, etc., será boicotando as eleições, não votando, não participando dessa farsa de democracia.

Convocamos a população desde já, todos aqueles que apoiam o protesto popular, que não aceitam viver como escravos num país subjugado pelos monopólios e pelo imperialismo e “governado” por essas ratazanas a levantar a sua voz e juntos gritarmos: O povo prepara sua rebelião, se abre um novo tempo para a revolução!

Belo Horizonte, junho de 2014.

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