Editorial - E o protesto popular não se cala

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Estima-se que mais de 200 mil militares estejam envolvidos na “segurança” da Copa da Fifa, a maioria voltada a reprimir a parte do povo que protesta contra o evento. Oficialmente são 60 mil efetivos das forças armadas, 10 mil da Força Nacional de Segurança, mil policiais federais; o restante se refere a policiais militares dos estados-sede dos jogos.

Cerca de 1,9 bilhão de reais foram gastos pelo governo federal em equipamentos e logística dessa tropa de sítio, fora o que foi gasto pelos governos estaduais. O sistema que integra os comandos das forças de “segurança” foi comprado de Israel.

As PMs compraram armaduras de robocop, blindados, caminhões com jatos d’água, armas de choque, ampliaram o arsenal de armas de bala de borracha, bombas de efeito moral e gases de vários tipos. Batalhões foram treinados por militares franceses e mercenários da Blackwater, que hoje atende pelo nome de Academi.

Toda essa operação de guerra levantada para impedir que os protestos do “Não vai ter copa!” ocorressem. Todo esse aparato para garantir os lucros financeiros da Fifa e os dividendos eleitorais do oportunismo. Os lucros da Fifa e corporações transnacionais “patrocinadoras” do evento, bem como os privilégios da Rede Globo, foram garantidos. Já os votos, grande parte deles foi para o ralo pela vitoriosa luta popular que tomou o país em protestos combativos desde junho de 2013 e jogou água no chopp da campanha ufanista que os governistas ensaiaram para estes dias.

Os gerentes do velho Estado não conseguiram parar os protestos com repressão e comprando as organizações de seus “movimentos sociais” oficiais. Então cassaram o direito de manifestação através de táticas militares para impedir até mesmo a concentração de atos políticos na rua, como as operações de kettling, ou “envelopamento”, criada pelas SS de Hitler, batizadas de “Caldeirão de Hamburgo”.

As PMs cercam os atos com efetivos muito maiores que o número de manifestantes. Fecham o cerco e impedem o ato de se deslocar. Procedem a revistas humilhantes a todo o momento, seguidamente, muitas vezes na mesma pessoa. Constrangem as pessoas que desejam integrar o ato. Prendem indiscriminadamente durante as manifestações e perseguem os manifestantes que ficam sozinhos ao fim delas.

Toda aquela conversa mole de que os “protestos pacíficos são legítimos” e que as forças da repressão só combatem “vândalos e baderneiros” já não pode ser encoberta, porque a ordem é impedir qualquer manifestação contra a farra da Copa. Além disso, colocam barreiras por quilômetros em volta dos estádios e dos eventos externos da Fifa, impedindo até mesmo moradores de circular no perímetro.

É um rol enorme de arbitrariedades e direitos revogados pela gerência oportunista, no seu afã de manter a boa vida dos capi da Fifa e impedir que os protestos contra o governo se ampliem. Toda essa gente defensora do velho Estado se esmera em brandir a “constituição cidadã”, o “Estado democrático de direito”, mas enfurecida com as massas rebeladas não faz qualquer cerimônia para rasgar suas vestes, mandando baixar o pau para nos tomar as migalhas de direitos de livre manifestação e aquele, tão propalado por eles mesmos como sagrado, de “ir e vir”.

O problema, para eles, é que o direito de manifestação é garantido pelo próprio povo nas ruas, e não por letras escritas num papel. Os protestos seguem durante toda a Copa, praticamente em todas capitais, maiores ou menores, mas seguem, enfrentam a repressão, denunciam a sua brutalidade, defendem seus presos políticos e comovem os trabalhadores e explorados do mundo, que manifestam sua solidariedade.

Esse é um direito fundamental e sua retirada só prova o grau de degenerescência do velho Estado e de seus atuais gerentes de turno. Só atesta que não se pode esperar democracia para o povo em nenhum país nessa situação e que mesmo “protestando nas urnas”, como essa canalha que governa o país gosta de dizer, não pode mudar a sociedade.

E se hoje a repressão pode “envelopar” protestos, só o faz porque agora tem mais policiais que manifestantes, numa operação de guerra nunca vista em evento esportivo nenhum, em lugar algum, em época alguma. Mas chegará o dia em que de novo seremos milhões e será impossível deter a força do povo. Enquanto isso, os revolucionários e democratas se organizam e se preparam para as grandes batalhas que estão por vir.

E quanto à “Copa das Copas”, vença quem vença, o que é certo é que, como representantes dessa velha ordem aqui e no mundo, o senhor Blatter e senhora Rousseff, presentes ou não, falando ou calados, serão retumbatemente vaiados. E tal vexame não será nada diante das lutas que se levantarão com a crise do país.

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