A luta dos prisioneiros de guerra no Peru

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Nota da redação: Este texto foi enviado ao jornal A Nova Democracia pela Associação Nova Democracia, de Hamburgo, na Alemanha.

A mensagem, traduzida para o português por AND, trata de importantes questões sobre a Revolução Peruana. Por ser muito longa, a publicaremos em duas etapas, sendo que a primeira segue abaixo:

http://www.anovademocracia.com.br/134/15.jpg
Pintura feita por prisioneiros de guerra revolucionários do PCP

Mensagem da Associação de Nova Democracia Peru – Alemanha, Hamburgo, ao simpósio internacional sobre presos políticos e prisioneiros de guerra em Istambul, Turquia, entre 25, 27 e 27 de abril de 2014.

Apoiar a luta dos presos revolucionários em todo o mundo por conquistar a condição de prisioneiros de guerra para servir mais a revolução!

Defender a vida do Presidente Gonzalo como o mais importante prisioneiro de guerra revolucionário do mundo!

1 A rebelião se justifica!

O Partido Comunista do Peru (PCP), a vanguarda organizada do proletariado, um partido marxista-leninista-maoísta, pensamento Gonzalo, em maio de 1980 incendiou a fogueira da invencível guerra popular. Para destruir a velha e podre ordem de opressão da grande burguesia e dos latifundiários, sujeitos totalmente ao imperialismo, em nosso caso ao imperialismo ianque principalmente. Para estabelecer o novo Poder e defendê-lo, desenvolvê-lo e fortalecê-lo com a guerra popular contra a guerra contrarrevolucionária, destruindo parte por parte o caduco e reacionário velho Poder. Para conquistar o Poder em todo o país e estabelecer a República Popular do Peru e com ele estabelecer a ditadura do proletariado e passar a desenvolver a revolução socialista.

Desde então se desenvolve a guerra popular seguindo seu caminho vitorioso, em meio de vitórias e dificuldades, porém invencível. Em 1982 surge o novo Poder, com o desenvolvimento da guerra de guerrilhas e a fundação dos Comitês Populares. Desde ali se desenvolve a luta entre restabelecimento e contra-restabelecimento, isto é, a guerra contrarrevolucionária para destruir o novo Poder e a guerra revolucionária para defendê-lo, desenvolvê-lo e fortalecê-lo ou restabelecê-lo mediante contra-restabelecimento, e assim até a conquista do Poder em todo o país. Desta maneira se desenvolveu a guerra popular até conquistar o equilíbrio estratégico.

Em 1992 foi capturado o Presidente Gonzalo e grande parte dos membros do Comitê Central e, depois, nas prisões, com a ajuda da CIA-Ianque e a reação peruana, se estruturou uma linha oportunista de direita, revisionista e capitulacionista (LOD). Desde esse momento se encontra o PCP e a guerra popular em uma curva no caminho e ante a tarefa da reorganização geral do Partido para prosseguir dirigindo a guerra popular até a vitória.

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2 A reação combate a guerra popular com genocídio e aponta contra os prisioneiros de guerra

Qual foi a resposta da reação desde o começo da revolução até agora?

A reação combateu a guerrilha, desde o início, seguindo a receita estabelecida pelo imperialismo ianque. É de conhecimento de todos que foi o presidente do USA, Reagan, seu ministro de relações exteriores Haig e seus seguidores quem, em seguida, puseram essa denominação às guerras revolucionárias que se desenvolvem na atualidade no mundo.

Assim, obedecendo a sua natureza e sua lógica, reagiram os governos Belaúnde, García, Fujimori, Paniagua, Toledo, García (novamente) até o atual de Humala, com perseguição e repressão, com torturas, prisão e morte contra lutadores e lutadoras da revolução. Belaúnde, disse o PCP, com todo ódio enviou as forças repressivas, principalmente a polícia, e depois, no fim de 1982, suas forças armadas reacionárias para afogar em sangue nossa nascente revolução armada.

Os governos reacionários, pisoteando seus próprios direitos reconhecidos nacional e internacionalmente, com toda impunidade, violou, assassinou, roubou e queimou os filhos e filhas do povo. As forças repressivas saciaram por completo sua fome de ódio reacionário, descarregando-o sobre as massas, especialmente contra os camponeses. De maneira perversa buscam aterrorizar as massas para separá-las da luta armada.

Eles empregaram a tortura indiscriminadamente para quebrar a vontade e obter falsas confissões. Sem reparar em nada e com perversas infâmias eles buscaram quebrar a moral e destruir os lutadores e lutadoras da revolução.

Eles usam a violação como meio infame, degradante e sádico para quebrar a vontade cristalina, firme e decidida das filhas do povo e obrigá-las a se submeter.

Eles desconhecem todos os direitos e garantias aos prisioneiros e prisioneiras de guerra. Eles continuam perseguindo-os como “terroristas” detrás dos bares de suas imundas prisões, mal tratos e sofrimentos sem fim que se estendem a seus familiares e advogados.

Recordemos o assassinato da Presidente da Associação de Mães e Familiares dos Presos Políticos e Prisioneiros de Guerra, dos advogados da Associação de Advogados Democráticos (AAD), como Manuel Febres Flores e muitos outros.

Assim se desenvolve, sob a falsa máscara de respeito aos direitos fundamentais, um negro e criminoso plano de genocídio para submeter o povo através da violência contrarrevolucionária. Mas, contudo, não podem alcançar seus sinistros objetivos, já que os filhos e filhas do povo, da classe e do Partido, com a cabeça erguida se mantém firmes e vitoriosos em seus postos de combate. Por isso, a reação lançou mão do serviço dos revisionistas e oportunistas de dentro e fora do Partido para destruí-lo, pois ele é o heróico combatente que dirige a revolução.

O melhor exemplo disso, da resposta valente e revolucionária do povo frente a aplicação do reacionário genocídio, são as Luminosas Trincheiras de Combate (LTC), que se levantaram nas prisões da reação. Como também, a aplicação magistral da política do Partido de libertação das prisões, que alcançou seus mais alto ponto com o ataque ao cárcere de Ayacucho em 2 de março de 1982. Como, também, os numerosos companheiros prisioneiros de guerra mortos em consequência da desnutrição, tortura, falta de tratamento médico e, apesar disso, desafiando corajosamente a morte, permaneceram fiéis ao Presidente Gonzalo e à Base de Unidade Partidária.

3O genocídio da reação e a luta dos prisioneiros para conquistar o status de prisioneiros de guerra

O genocídio contra os militantes do PCP, os combatentes do Exército Popular de Libertação, os Comitês Populares e as amplas massas é, até o momento, de mais de 35 mil mortos. As principais, cometidas contra os prisioneiros, são as seguintes:

Em 3 de março de 1982, infame assassinato de três prisioneiros de guerra no Hospital Regional de Ayacucho e tentativa contra outros três, cometidos pela polícia, plena de ódio e vingança pela derrota. Em Callao, assassinato brutal de um prisioneiro de guerra pela polícia. Foi parte do massacre policial cometido quando os prisioneiros de guerra se levantaram em resistência contra a transferência para o Frontón e Lurigancho.

Em 4 de outubro de 1985, assassinato brutal contra trinta combatentes na prisão de Lurigancho, cometido pelo governo de García.

Em 18 de junho de 1986, em Frontón, Lurigancho e no Callao, os prisioneiros de guerra se levantaram em rebelião contra o novo genocídio. Em 19 de junho, o governo de García desatou uma perversa e reacionária operação de aniquilamento, mobilizando exército, marinha, aviação e a polícia, sob a direção do Comando Conjunto das Forças Armadas, para levar a cabo seu monstruoso genocídio. Assassinaram centenas de combatentes guerrilheiros e filhos e filhas do povo (cerca de 300), banhando-se em sangue ardente do povo. Este 19 de junho foi para sempre conhecido como o Dia da Heroicidade.

Em 9 de maio de 1992, uma vez mais, se levantaram os prisioneiros de guerra contra o genocídio reacionário do governo fascista, genocida e vende-pátria de Fujimori e, como sempre, para conquistar o reconhecimento do status de prisioneiros de guerra. Em 9 de maio, as forças armadas e policiais reacionárias assassinaram seletivamente aos dirigentes do PCP (formas mortos cerca de 120 prisioneiros).

Em setembro de 1992, o Presidente Gonzalo e grande parte do Comitê Central foram feitos prisioneiros. Desde 24 de setembro de 1992 se encontra o Presidente Gonzalo em isolamento absoluto (desde abril de 1993 ele se encontra em uma cela subterrânea sob isolamento absoluto na Base Naval da Marinha em Callao).

Em 1993, com a ajuda da reação e da CIA-Ianque, se conformou nas prisões uma linha de direita, oportunista e capitulacionista (LOD). Desde então se encontra o Partido e a guerra popular numa curva e ante a tarefa de reorganização geral do Partido para dirigir exitosamente a guerra popular até a vitória.

A reação, com a ajuda das ratazanas da LOD, infiltrou o Partido e conseguiu a colaboração de alguns traidores como a ratazana “Julio” ou “Artemio” e outros no Comitê Regional Huallaga, e a ratazana “José” e outros no Comitê Regional Principal Ayacucho. Com o auxílio foi explodido o Partido em julho de 1999. Tudo isto repercutiu na luta dos prisioneiros de guerra.

Pese tudo isso, a luta dos prisioneiros de guerra na LTC se mantém firme até os nossos dias. Podemos afirmar isso baseados em um informe destes meses dos prisioneiros de guerra de uma LTC (Informe sobre a situação nas Luminosas Trincheiras de Combate (LTC), Peru, entre fevereiro e abril de 2014).

Continua na próxima edição de AND.

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