Estado de exceção Padrão FIFA

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Manifestação na Praça Saens Peña, Tijuca, Zona Norte do RJ, no dia da final da Copa, 13/7

Nas últimas semanas, enquanto a TV tentava distrair as massas com o circo da Copa, o gerenciamento Dilma aprofundava o estado de exceção que vem sendo rapidamente instalado contra os pobres e lutadores populares. No Rio de Janeiro, no dia 12 de julho, vários militantes tiveram suas casas invadidas pela polícia ainda de madrugada. Policiais civis, todos vestidos de preto, cumpriram inúmeros mandados de prisão, busca e apreensão nas casas dos ativistas. Computadores, celulares e demais aparelhos eletrônicos foram apreendidos pelos agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

Um revólver, pertencente ao pai de uma das procuradas, que estava com o porte vencido, foi apreendido e cinicamente apresentado como prova de “formação de quadrilha armada”, crime pelo qual todos os presos foram indiciados. No dia seguinte, os presos foram transferidos para as masmorras do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste

Foram presos a advogada Eloisa Samy Santiago — assistida pela Comissão de Defesa Assistência e Prerrogativas da OAB/RJ —, a jornalista Joseane Maria Araújo — assistida pelo Departamento Jurídico do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro — e Rebeca Martins de Souza, Bruno de Souza Vieira Machado, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Pedro Brandão Maia, Felipe Frieb de Carvalho, Felipe Proença de Carvalho Moraes, Rafael Rego Barros Caruso, Elisa Quadros Pinto Sanzi, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Eduarda Oliveira Castro de Souza, Igor Pereira D’Icarahy e Thiago Teixeira Neves da Rocha — assistidos pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e por advogados particulares.

Ainda no sábado, a imprensa popular — nominalmente o jornal A Nova Democracia — foi barrada em uma entrevista coletiva realizada pelo chefe da polícia civil, Fernando Veloso. O motivo: na casa de vários dos ativistas presos foram encontrados exemplares de AND, o que supostamente, na mente troglodita da polícia fluminense, atestaria outra “evidência” de que os detidos fariam parte de uma quadrilha.

Com os ativistas trancafiados em Bangu, o velho Estado pensou que calaria a voz das ruas no dia da final da Copa do Mundo. Os inimigos do povo não poderiam estar mais enganados. No dia seguinte, mais de duas mil pessoas tomaram as ruas da Tijuca, Zona Norte, para protestar contra a farra da FIFA e a criminalização da luta popular. Foi a maior mobilização no Rio de Janeiro desde o início do megaevento.

A primeira manifestação começou logo cedo, às 10h da manhã. Manifestantes deixaram a Praça Afonso Pena e seguiram em direção à outra praça, a Saens Peña, ambas nos arredores do Maracanã.

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Uma das jovens agredidas pela repressão no dia 13

Ao chegar a Saens Peña, manifestantes se juntaram a um grupo de moradores de favelas e várias organizações da juventude combatente. No local, começava a concentração do ato unificado entre as bandeiras “FIFA Go Home!”, da Frente Independente Popular (FIP-RJ), e “A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas”.

— Eu sou mãe de um preso ativista. Hoje estou aqui em nome dele. Tiraram ele da rua e eu estou no lugar dele, tentando fazer um pouquinho do que ele fazia, filmando, fotografando. É um sentimento de impotência, de revolta. Eu fiquei muito traumatizada quando tiraram as cosias de dentro da minha casa. Você se sente impotente ao ver eles jogarem as coisas do seu filho no chão, procurando coisas, e você saber que seu filho não é um marginal, mas sendo tratado como marginal. Hoje eu tenho medo de entrar bandido na minha casa, ou de entrar policial. Eu tenho medo dos dois, porque eu não sei quem pode invadir minha casa a qualquer momento– relatou Rosilene durante a concentração do ato.

 Não demorou muito para que manifestantes deixassem a praça em direção ao Maracanã entoando palavras de ordem contra a FIFA e o Estado reacionário. Em questão de minutos, mais de dois mil policiais bloquearam todas as ruas de acesso à praça, deixando manifestantes cercados por todos os lados. Pacificamente, as pessoas tentaram convencer policiais a abrir caminho e foram respondidas com bombas de gás e efeito moral.

Nenhuma pedra foi atirada de volta. Mesmo assim, os “robocops” da polícia militar fizeram o serviço sujo de sempre e iniciaram um verdadeiro massacre no miolo do cerco policial. Lembrando cenas dos protestos contra o regime militar fascista, cavalgaduras da PM avançaram sobre a massa atacando quem estivesse pela frente. Mulheres, idosos, jornalistas, advogados, socorristas, fotógrafos, ativistas, ninguém foi poupado. O cineasta canadense Jason O’hara foi covardemente atirado ao chão e espancado por policiais. Um dos PMs ainda roubou sua microcâmera, que estava presa ao capacete. O fotógrafo Alexandre Firmino flagrou o momento em que um PM atacou uma manifestante com golpes de cassetete.

 A ação durou cerca de duas horas e deixou 36 pessoas feridas. Seis ativistas foram presos, um fotógrafo teve o pulso quebrado, um cinegrafista teve a perna suturada e seis profissionais voltaram para casa com o equipamento destruído ou danificado. Sem exceção, todos foram vítimas da polícia. Muito assustadas, as pessoas correram para dentro da estação de metrô da Saens Peña, onde PMs seguiram promovendo cenas de violência gratuita contra as massas. Não houve qualquer reação violenta de manifestantes, o que não conteve o sadismo da polícia política de Dilma, Pezão e Cabral.

Mesmo depois que já não havia mais nada na praça, o cerco permaneceu e cerca de mil pessoas foram mantidas durante duas horas em cárcere privado pela PM. Questionados, os comandantes da operação disseram que seguiam ordens do Palácio Guanabara e que nem moradores e trabalhadores da região poderiam passar.

Nos dias após o ato, por conta da enorme repercussão dos vídeos do AND denunciando as violações praticadas pela PM, quatro policiais foram presos, entre eles, os PMs que vitimaram com roubos e agressões o cineasta Jason O’hara; o fotógrafo do portal Terra, que teve seu equipamento de trabalho destruído por um policial; e a artista plástica Aline Campbell, agredida com pontapés por um policial. Foram presos administrativamente os soldados Carlos Henrique Ferreira, Cristiano Ximenes, Jair Portilho Júnior e Rogério Costa de Oliveira.

Ao mesmo tempo, foi deferido o pedido de habeas corpus de 13 dos ativistas presos. No entanto, permanecem presos Elisa Quadros Pinto Sanzi (Sininho), Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Eduarda Oliveira Castro de Souza, Igor Pereira D’Icarahy e Thiago Teixeira Neves da Rocha. A influência do jornal com seus vídeos e reportagens tem sido cada vez maior em meio às massas, o que preocupa os agentes da polícia política de Dilma, sedentos por mais repressão e cerceamento. Segundo advogados do povo, uma ação da justiça burguesa contra AND pode ser levada a cabo pelo Estado reacionário a qualquer momento.

A Nova Democracia é um jornal legalmente estabelecido no Rio de Janeiro. Cumpre com todas as burocracias exigidas a empresas do país. Tem seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Por isso repele qualquer tentativa do velho Estado, através de suas polícias e judiciário, de envolvimento em qualquer acusação de crime, seja de que tipo for. Caso venha a se conformar qualquer ataque ou tentativa de nos intimidar, estará configurado o maior atentado à imprensa livre no Brasil em décadas.

O jornal A Nova Democracia também repudia veementemente a suspensão do direito de livre manifestação ocorrido em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, através de táticas militares fascistas utilizadas pelas forças de repressão estaduais e federais. Repudia veementemente o cerceamento do trabalho da imprensa popular e democrática, entendendo-a como cassação de outro direito tão propalado pela própria burguesia, a liberdade de imprensa.

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