Editorial - O fiasco político e a logorreia de Dilma

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As vexatórias derrotas da seleção da CBF para a Alemanha e Holanda fecharam com chave de ouro a derrota política da gerência PT/PMDB/pecedobê e quejandos, que não mais poderão extrair os dividendos políticos que adviriam com a conquista do hexa pelo “escrete canarinho”, como era conhecido nos anos do regime militar.

A coisa foi ainda mais vergonhosa pelas vaias recebidas por Dilma Roussef na abertura e na entrega da taça à veneranda seleção alemã. Prontamente, os asseclas petistas atribuíram as vaias “às elites” presentes nos estádios. Ora, mas se fizeram a Copa sem povo, por que reclamam se os beneficiados por ela não se comportam?

No fim, a derrota serviu ainda para dissolver um bocado do discurso eleitoreiro, já que ninguém poderá tirar vantagem de um triunfo que não veio.

Restou à gerência FMI-PT a contrapropaganda de “Copa das Copas”, slogan que a poesia das ruas soube converter em “copa das tropas” devido ao enorme aparato repressivo mobilizado contra as massas em luta e preventiva contra possíveis reações populares.

Porém, os gerentes de turno seguem patrocinando a peso de ouro o anúncio de recorde de turistas estrangeiros, lotações nos hotéis, lucros no comércio, pesquisas de satisfação e outras pataquadas levantadas para dar brilho a um dos períodos mais negros de nossa história. Seguem ignorando os mais de 170 mil removidos, os 14 operários mortos nas obras dos estádios, afora os demais em outras obras da infraestrutura para a Copa da Fifa, as pessoas mortas em desabamento de viadutos, etc. Só não ousaram acusar manifestantes por estes crimes seus.

Não satisfeitos, derrubam um a um os direitos que eles mesmos se vangloriam de ter aprovado na “constituição cidadã”. As prisões de ativistas em Goiânia, São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, nas últimas semanas, além das táticas militares fascistas utilizadas pelas forças repressivas estaduais e federais, como o “sitiamento” de manifestantes, são flagrantes violações ao direito de livre manifestação.

Essa brutal perseguição aos que protestaram contra a Copa e o governo se anunciava há tempos e definitivamente contribuirá para que os protestos ganhem massividade e combatividade. Mas aí os capi da Fifa já estarão longe contando seus lucros. Essa atitude do velho Estado acabou obrigando diversas siglas do oportunismo eleitoreiro a se manifestassem, condenando as prisões políticas.

Menos mal, uma vez que durante toda a preparação dos protestos para o “Não vai ter Copa!”, muito se esforçaram para dizer que o correto era dizer que “Na Copa vai ter luta!”, que ia ter greve e o escambau, mas não tomaram nenhuma iniciativa na luta popular. Os que lutaram, os que realmente se colocaram contra a farra da Fifa, conseguiram repercutir o grito das ruas, que foi ouvido no Brasil e no exterior, recebendo ondas de solidariedade e incentivo.

E que não venham dizer que a responsabilidade pelas prisões ilegais e a brutalidade policial é do governo estadual e blá-blá-blá. É preciso reconhecer que a ordem, o comando, a orquestração de tudo emanou do governo federal, da própria Dilma e do ministério da justiça. Todo o plano de “segurança” (leia-se repressão) da Copa da Fifa foi elaborado nos gabinetes ministeriais, inclusive se valendo de equipamentos comprados do Estado delinquente e terrorista de Israel, que nestes dias, uma vez mais, está espalhando terror e genocídio sobre os palestinos.

Os próprios ministros José Eduardo Cardozo (da “justiça”), e Aluísio Mercadante (da Casa Civil) deram declarações afirmando não haver nenhuma irregularidade nas prisões ocorridas no Rio de Janeiro, o que denota claramente a integração dos mais diferentes níveis do velho Estado na repressão ao movimento popular.

Além disso, a tão propalada liberdade de imprensa, exercida plenamente pelo monopólio dos meios de comunicação, que já vinha sendo atacada com as agressões policiais aos comunicadores populares, foi brutalmente cassada durante entrevista coletiva do chefe de polícia do Rio de Janeiro, que nominalmente proibiu que a equipe de A Nova Democracia estivesse presente. A razão para tal proibição seria a presença de exemplares do jornal nas residências de vários dos presos naquele 12 de julho. Quanto a isto nos resta perguntar às doutas autoridades repressivas do Estado Democrático de Direito se a correspondência direta seria então premiar todas as “autoridades” deste velho Estado que tiverem um exemplar da Veja ou de O Globo em suas casas.

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