Luta pela terra

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Amargosa - BA: revolta popular após morte de criança por policial

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"Para que serve a polícia? Defender ou matar?"

Amargosa - BA, 250 quilômetros de distância de Salvador.

Policiais civis perseguiam um jovem e invadiram uma casa. Luis Carlos Silva, 22 anos, carregava sua filha de um ano e gritou para que os policiais não atirassem, que ele estava lá sozinho com a menina. Os policiais dispararam acertando a criança na cabeça, assassinando-a covardemente. Diante da reação de desespero do pai, mandaram-no “para a desgraça”.

A população da cidade se levantou em revolta, tomando as ruas. Era 16 de julho.

Ônibus e carros foram incendiados. O povo em fúria invadiu a delegacia da cidade, libertou os presos e fez o prédio arder em chamas. Gritos de revolta ecoaram pelas ruas e a multidão crescia enquanto a notícia se espalhava. As saídas da cidade foram bloqueadas por grupos de moradores para impedir a fuga dos autores desse crime hediondo.

O prefeito e demais “autoridades” refugiaram-se apavorados em um hotel da cidade enquanto o povo dava vazão ao seu ódio de classe, o seu ódio contra os agentes de repressão que assassinaram mais uma criança indefesa em nosso país.

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Veículos incendiados durante protesto

Rapidamente, o Estado, que até bem pouco nada ou quase nada dedicava a pequena e pacata Amargosa, deslocou dezenas policiais, delegados, investigadores e Batalhão de Choque para reprimir a população.

E logo começaram a circular na internet e outros meios notícias de “vandalismo” em Amargosa. “Vandalismo”. Disso acusam a rebelião de uma população inteira contra o assassinato de um bebê.

E logo foram deslocadas para Amargosa mais viaturas policiais e caminhões do Corpo de Bombeiros de Santo Antônio de Jesus, cidade próxima.

O policial Carlos Raimundo de Jesus Cardoso, acusado de ter feito o disparo que matou a criança, é vereador da cidade de Cachoeira, próximo a Amargosa.  Após a rebelião popular, ele foi transferido para a 3ª Coordenadoria de Polícia do Interior, em Santo Amaro. Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, o prazo para conclusão da investigação sobre a “conduta do policial” é de 30 dias.

 Pouco menos de um mês antes, moradores de Costa Barros, no Rio de Janeiro, também se levantaram em dor e revolta após o assassinato de uma criança de 3 anos , o pequeno Luis Felipe, morto com um tiro de fuzil disparado por policiais militares que realizavam uma operação em seu bairro. Amargosa, o Brasil profundo se levantou, se somou a esse brado e se fez ouvir contra mais um crime dos agentes do velho Estado.

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Pará: dirigente camponês assassinado

Informações de Comissão Pastoral da Terra (CPT)
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Félix Leite dos Santos, vice-presidente da associação dos ocupantes da área de uma terra pública conhecida como Divino Pai Eterno, localizada no município de São Félix do Xingu (PA), foi assassinado a tiros no dia 18 de julho quando saía de sua roça e retornava para casa. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte por familiares. Félix era casado e pai de cinco filhos. Segundo informação do presidente da associação, ele já vinha recebendo ameaças de morte e havia registrado o fato na delegacia de polícia de São Félix do Xingu.

O complexo Divino Pai Eterno é constituído de terra pública federal, com área aproximada de oito mil hectares. Há mais de seis anos, cerca de 200 famílias camponesas ligadas à Fetagri reivindicam essas terras.

Nos últimos meses, os conflitos pelas terras do Divino Pai Eterno se agravaram, particularmente após o programa Terra Legal rejeitar o pedido de um grupo de oito fazendeiros que reclamavam aquele local. Os camponeses que lá vivem e produzem a seis anos ampliaram a ocupação exigindo do Incra o assentamento de todas as famílias.

A Comissão Pastoral da Terra denunciou em nota que o grupo de fazendeiros encabeçado por Bruno Peres de Lima passou então a atacar os camponeses com violência. Eles pretendem ocupar essas terras para estabelecer pastos e criação de gado.

Em 16 de abril último, o camponês Lourival Gonçalves de Souza, de 60 anos de idade, posseiro da área, foi atingido por quatro tiros. Denúncias feitas pelas lideranças da área dão conta de que os disparos teriam sido feitos por pistoleiros ligados a esses fazendeiros. À época, lideranças da associação denunciaram o ataque de pistoleiros a Ouvidoria Agrária Nacional e relataram que os cinco principais dirigentes da ocupação estavam ameaçados de morte, entre eles, Félix Leite.


RO: Rio Madeira, cheia e desmoronamento

Informações de CPT-RO

 A antiga Rua Madeira Mamoré, no bairro Triângulo, em Porto Velho, Rondônia, é hoje uma “rua fantasma” com casas totalmente destruídas. A cada dia, o barranco de barro deixado pela cheia do Madeira desmorona, levando casas para o fundo do rio. Moradores vivem o desespero de verem as casas no chão e acusam as usinas pela destruição do bairro mais antigo da cidade.

O carpinteiro Delso Marcelino contou que participou de reunião e engenheiros apresentaram resultados que culpam as hidrelétricas pela enchente que desabrigou milhares de pessoas e devastou distritos inteiros do Baixo Madeira.

 “Nasci nesse bairro pelas mãos da parteira vovó Filó e nunca esperávamos que seríamos enganados com a construção dessas usinas. Já temos estudos que comprovam esse fato e os antigos moradores dessa região sofrem com esses descasos e estão vivendo longe de suas residências”, declarou Delson, que vive no bairro Triângulo há 49 anos.

O morador Renato Mourão lamenta a situação caótica e o descaso das “autoridades” que fazem vistas grossas para o grave problema. “Até semana passada conseguíamos passar por aqui normalmente, mas agora cada dia um pedaço vai ao chão”.

Antigos moradores estão morrendo depois da enchente por depressão de verem suas casas destruídas, denunciou Roberto Carlos, morador do bairro. “Estamos aterrorizados com o que está acontecendo nesse bairro tão tradicional de Porto Velho. Senhoras de idade como a dona Raquel e a dona Neci faleceram recentemente por não suportarem ver suas residências arrastadas pela enchente”, afirmou.

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