Concentração de terras, ocupação e resistência

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Cerco da PM em área ocupada no sudoeste do Paraná

Quedas do Iguaçu, sudoeste do Paraná — um latifúndio no Oeste do Paraná que tem origem nas grilagens de terras no século passado - foi ocupado por duas mil e quinhentas famílias de camponeses sem terra organizadas pelo MST no dia 17 de julho. Esse latifúndio possuía mais de oitenta e cinco mil hectares de terra, mas com várias irregularidades.

Segundo informações de lideranças do movimento, há mais de dez anos o Instituto Nacional de Reforma Agrária — Incra considerou essas terras, reclamadas pela empresa madeireira Araupel, como sendo território da União e, por isso, ingressou com um pedido na justiça objetivando a utilização para fins públicos. O processo está parado na justiça.

Em 1996, o MST ocupou parte desse território, conseguindo um grande assentamento em 25 mil hectares. Nesse assentamento há mais de três mil famílias, dez escolas e uma produção agrícola acima da média de qualquer latifúndio desse país.

Com o processo recente de ocupação nesse latifúndio, imediatamente uma juíza da comarca de Laranjeira do Sul expediu mandado de despejo, que só não aconteceu porque são muitas famílias que estão num local de difícil acesso para a polícia e, sabendo da irregularidade desse latifúndio, estão dispostas a lutar pela garantia dos direitos de um espaço para continuar vivendo e produzindo o necessário para sua existência. O curioso é o tempo que faz que esse processo está parado na justiça federal de Cascavel, a pedido do Incra, e continua sem análise, com artimanhas de protelação das classes dominantes locais. Ao contrário do pedido de investigação sobre as irregularidades do latifúndio, foi expedido o mandado de despejo.

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Essa ocupação mexeu com as classes dominantes locais e com a impressa que representa o velho Estado e o governo dos latifundiários. O boy que está no comando do Estado falou na imprensa de Cascavel que “há 1.200 empregos” que a Araupel oferece e que esses empregos estão em risco se a empresa perder essas terras. Um documento público que os latifundiários e o empresariado da região lançaram diz que “a propriedade é um direito sagrado, garantido na Constituição”.

Ora, o “direito da propriedade” não é superior ao direito sagrado do trabalho. O latifúndio é propriedade de exploração e como tal tem que ser atacado de todas as formas. É isso que esses trabalhadores estão fazendo.

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Famílias tomaram latifúndio que tinha origem em terras griladas

Outra artimanha que essa empresa fez foi mudar a razão social. O grande latifúndio era da Jacomete Marudim. Com a ocupação em 1996 ficou evidente que ele tinha origem ilícita e apenas um único dono. As providências tomadas foram de criar várias empresas com diversas razões sociais. No entanto, o dono é o mesmo e tanto as “autoridades” como a comunidade local sabem disso. Continuar explorando os empregados é o que interessa tanto para a os grandes burgueses como para seus representantes. Acabar com esse latifúndio é uma questão social.

Enquanto houver exploradores com domínio sobre o Estado, enquanto houver um judiciário que defende apenas a propriedade de exploração e condena as pessoas que trabalham, com desejo de produzir alimentos saudáveis e sem venenos para a população, a luta continua pelo fim do monopólio da terra. Acabar com o latifúndio é dar fim no direito da exploração e garantia de dignidade humana. É isso que garante Miranda, um dos lideres do movimento.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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