Recife: luta combativa dos rodoviários arranca direitos



Aconteceu em Recife (PE) durante três dias, de 28 a 30 de julho, uma combativa greve dos trabalhadores rodoviários da Região Metropolitana.

No ano passado os trabalhadores rodoviários já haviam realizado uma greve muito combativa logo após as manifestações de junho. O sindicato da categoria se voltou contra o movimento grevista, inclusive dando declarações no monopólio da imprensa combatendo a luta dos trabalhadores.

O último presidente do sindicato era Patrício Magalhães, que já estava há trinta anos no cargo freando a luta da categoria. No mês de maio deste ano, ocorreram eleições para disputar a presidência. A antiga gestão e a CUT foram derrotadas pela chapa encabeçada por Conlutas/PSTU.

Após as eleições para a direção do sindicato, a categoria começou a mobilização e pressão por uma nova greve que ocorreu logo após a Copa da Fifa envolvendo motoristas, cobradores e fiscais.

Em 27 de julho, a assembleia geral da categoria aprovou indicativo de greve. Os trabalhadores exigiam um reajuste de 10% e a elevação no valor do tíquete-refeição de R$ 171 para R$ 320.

Na reunião de negociação do dia 24/07, os patrões reafirmaram que só pagariam 5% no salário e no ticket. Quiseram afrontar a categoria afirmando que, com esse reajuste pífio, ainda seria imposto um banco de horas e que a jornada de trabalho aumentaria. Como protesto, os representantes dos rodoviários entregaram a um representante da patronal um envelope com R$ 5,70 (o que corresponde ao valor diário do tíquete-refeição) desafiando-o a se alimentar com o que ele paga aos funcionários.

O judiciário de Pernambuco cumpriu o papel de cerceadora do direito à greve, exigindo que, nos ‘horários de pico’, 100% da frota circulasse. E durante todo o período de greve, terceirizados (fura-greves) assumiram o posto dos motoristas e cobradores. Mas os trabalhadores não se intimidaram.

Durante três dias os grevistas encostaram ônibus nas principais avenidas, esvaziaram pneus e ‘liberaram catracas’ para a população como protesto. A população apoiou e fortaleceu o movimento fechando avenidas, fazendo transbordar sua revolta contra os péssimos transportes, seguindo o exemplo do que já ocorreu em outras regiões do país, quebrando e incendiando ônibus. Uma pessoa chegou a ser presa e liberada após pagamento de fiança, acusada de depredação de ônibus.

No dia 30 de julho, após dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho, a greve terminou com as reivindicações atendidas.

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