Gaza resiste! “Vitória para o nosso povo e sua heroica resistência! Derrota para os invasores!”

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No último 2 de agosto o exército de Israel voltou a bombardear uma escola-refúgio da ONU, em Rafah, na parte sul da Faixa de Gaza, em ataque que deixou pelo menos dez mortos, sendo que um dos que foram destroçados foi o menino Mohamed al Jashef, de 10 anos de idade. Das 100 escolas credenciadas como refúgios da ONU na Faixa de Gaza, três já foram transformadas em escombros pela artilharia sionista desde o início da atual agressão ao povo palestino.

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Palestino anda pelo local onde ficava o hospital Al Wafaa

O genocídio que se dá sob a alcunha infame de operação “Margem Protetora” já assassinou, segundo os dados subestimados dos governos, cerca de 2.000 palestinos em Gaza. Mas vale sempre o alerta feito a nós por uma leitora de origem palestina durante um protesto: “devemos multiplicar esse número não por dez, mas por mil!”

No mesmo dia 2 de agosto mais de 20 mil pessoas participaram de uma marcha em Paris e outras milhares engrossaram protestos em várias outras cidades da França contra mais este sangrento episódio do prolongado genocídio na Palestina, e sob as palavras de ordem: “Israel assassino! Hollande cúmplice!”.

Uma semana depois, no sábado dia 9 de agosto, uma multidão de milhares de trabalhadores e estudantes se concentrou no centro da capital da Espanha, Madri, em solidariedade aos povos da Ucrânia e da Palestina e sob o lema “Fascismo e sionismo, as duas caras do imperialismo”. A mobilização do povo espanhol contra o extermínio promovido pelo sionismo na Faixa de Gaza foi fundamental para que a administração do “primeiro-ministro” Mariano Rajoy tomasse a decisão, no início de agosto, de “paralisar cautelosamente” a venda de armas para Israel, trocando um negócio de cinco bilhões de euros anuais pela esperança de não arcar com o ônus político de municiador um projeto de limpeza étnica que vem sendo levado a cabo não sob o signo da suástica, mas sim sob a égide da estrela de Davi.

A heroica resistência palestina, que logrou conter a ofensiva terrestre do poderoso exército de Israel, combate nos escombros e túneis, impondo baixas ao invasor sionista. De tão retumbante e tenaz, bem como por causa das demonstrações de apoio dado a ela por multidões mundo afora, já conseguiu inclusive romper a barreira de informação do monopólio da imprensa reacionária.

No dia 8 de agosto números divulgados de dentro da Faixa de Gaza por fontes palestinas davam conta de que, até aquela feita, a resistência impusera nada menos que 150 baixas ao exército sionista (Tel-Aviv admitia 64 baixas naquela altura) e mandara outros 1.500 soldados de volta para casa, feridos.

Em todo o mundo os veículos da comunicação dos grandes conglomerados de mídia não vêm tendo como ignorar tal sucesso da resistência ante tamanha desproporção de forças, ainda que isto seja “noticiado” como algo surpreendente e sob a mentira de que só agora, durante os episódios correntes, a luta armada contra Israel começa a ganhar a adesão do povo palestino, como mostra a redação de uma manchete do portal G1, da Rede Globo, do último dia seis de agosto: “Hamas surpreende por resistência e ganha apoio entre os palestinos”.

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E Netanyahu ainda ganha o Nobel da Paz...

Ora, o povo palestino escolheu ser liderado pelo Hamas contra o sionismo porque o Hamas é uma força política com um claro e justo programa de libertação nacional, de retirada incondicional dos “israelenses” da Palestina invadida e de restituição da terra roubada pelo sionismo a quem lhe é de direito, tendo o Hamas inclusive vencido em 2006 a eleição para o Conselho Legislativo da Palestina (CLP) derrotando de forma esmagadora os capitulacionistas do Fatah, afeitos a negociar a “paz” (a paz dos cemitérios) com o inimigo e seus cúmplices da “comunidade internacional”, não obstante as tentativas de intimidação e a contrapropaganda do USA, que classifica o Hamas como “terrorista”.

Como bem observou o colunista da Folha de S. Paulo Guilherme Boulos (em raríssima dissonância do ronrom hegemônico sobre o “conflito Israel-Palestina” publicada no monopólio da imprensa reacionária), “é possível que Benjamin Netanyahu, comandante do massacre em Gaza, ainda receba o Prêmio Nobel da Paz. E que os palestinos, após desaparecerem do mapa, passem para a história como um povo bárbaro de terrorista”.

Mas do mapa os palestinos não sumirão! Naquela ocasião, na vitória do Hamas para o CLP em 2006, os que hoje se dizem surpreendidos com sua força e sua popularidade também se mostraram “pegos de surpresa”, ainda que durante os vários anos que antecederam aquela vitória política sobre os traidores da Palestina o mesmo Hamas viesse conquistando cada vez mais representação em eleições representativas de toda sorte, inclusive em associações estudantis e profissionais.

Em entrevista à emissora iraniana Press TV, um palestino de Gaza pareceu refletir o estado de espírito do seu povo:

“Apoiamos a resistência e continuaremos em nossa terra. Estamos juntos com os heróis que estão nos defendendo. Sacrificaremos nossas vidas por nosso país, se assim for preciso. Israel está destruindo nossas vidas e matando nossas crianças, homens e mulheres. Só a resistência nos dá ânimo para sobreviver.”

Só com este respaldo do povo (um povo sob pesado bombardeio, mas ciente da importância de não capitular ante o terrorismo de Israel) o Hamas e outras organizações políticas e militares que compõem a resistência palestina poderiam, como fizeram, colocar os senhores da guerra do sionismo no bolso quando das negociações durante as tréguas estabelecidas em meio à “operação Margem Protetora”. Quando da primeira trégua, iniciada no dia 5 de agosto, Israel veio com a “proposta” de desmilitarização do Hamas, ou seja, da capitulação, a resposta a este acinte foi uma dúzia de foguetes atirados contra o território “israelense”, no que os papagaios do sionismo não tardaram a sair esperneando que o Hamas rompera a trégua.

Agora, para falar em cessar-fogo com o Estado fascista de Israel, a resistência é quem dá as cartas. No dia 10 de agosto, quando da segunda trégua, as condições foram postas na mesa: retirada incondicional do exército sionista, a imediata suspensão do bloqueio à Gaza e a libertação de 100 presos políticos palestinos que haviam sido soltos em troca da libertação do soldado israelense Gilad Shalit, em 2011, mas que foram posteriormente sequestrados novamente pelas forças de repressão de Israel.

A guerra terrorista do sionismo

De outra representação de um povo árabe classificada pelo USA como “terrorista”, o Hezbolah, partido da resistência do Líbano que liderou o rechaço popular a invasão sionista do país justamente em 2006 — ano em que o Hamas irritou o imperialismo e seu filhote mais dileto, o sionismo, atropelando o Fatah nas urnas — veio uma saudação à resistência palestina e uma condenação sem meias palavras à tentativa de Israel de tentar “tomar por alvo justamente a base popular da resistência, quebrar a vontade do povo”:

“Israel tenta novamente a mesma experiência na Faixa de Gaza, para impor aos comandantes da resistência, à direção política e à direção em campo, um cessar-fogo a qualquer preço, ou a rendição. Significa que quando o exército israelense chegou a Gaza, não chegou como exército de combatentes, mas como gangue de assassinos de crianças. E foi assim também que nós conhecemos o exército de Israel no Líbano”, disse Said Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, para quem a atual ofensiva de Israel sobre Gaza é, isto sim, uma “guerra terrorista”.

E sobre as artimanhas do imperialismo e do sionismo, o que melhor deu conta disso nas últimas semanas foi a divulgação de arquivos do WikiLeaks que informam, por exemplo, sobre o uso de palestinos como escudos humanos pelo exército sionista durante a operação “Chumbo Fundido”, nome dado ao capítulo do genocídio em Gaza escrito entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009; o ataque deliberado a alvos civis; o bombardeio de hospitais e o corte de suprimentos de remédios aos habitantes do território palestino sitiado.

Um trecho de um dos telegramas enviados por diplomatas ianques a Washington desde Israel diz o seguinte:

“Autoridades israelenses confirmaram diversas vezes aos funcionários da Embaixada [do USA] que a intenção do governo de Israel é manter a economia de Gaza funcionando em nível precário, pouco acima de uma crise humanitária”.

Urge derrotar o Estado facínora de Israel! Que as palavras de ordem das Brigadas Abu Ali Mustafa, braço militar da Frente Popular para a Libertação da Palestina, sirvam de inspiração para a solidariedade internacional com a luta de libertação nacional contra o sionismo:

“Nenhuma voz é mais forte do que a voz da resistência e da intifada! Glória aos mártires! Pronta recuperação dos feridos! Liberdade para nossos bravos presos! Vitória para o nosso povo e sua heroica resistência! Derrota para os invasores!”

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