Área Brilho do Sol, Norte de Minas: 10 anos de resistência, luta e produção

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No dia 9 de agosto realizou-se, na cidade de Varzelândia, Minas Gerais, uma vibrante celebração pelos dez anos da Área Revolucionária Brilho do Sol.

São dez anos de vitoriosa resistência contra o latifúndio e seus bandos de pistoleiros, dez anos de resistência contra as políticas de expulsão pelo Estado, de luta pela sobrevivência e produção em áridos terrenos. Foram anos a fio carregando água em lombo de animais e nas próprias costas, até que as famílias, por conta própria, encanassem água para todos, contando com a solidariedade do “Tanquinho” (comunidade vizinha). São dez anos de vitória do Corte Popular feito pelos próprios camponeses junto com a LCP.

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Camponeses celebram os 10 anos de luta: "Viva a Revolução Agrária!"

O Brilho Sol é mais uma comunidade que é alvo da perseguição do velho Estado, que ameaça de despejo parte dos camponeses para criação do Território Quilombola Brejo dos Crioulos. As famílias já possuem várias casas de alvenaria e estão construindo poços artesianos.

Enfrentando uma das maiores secas da região nos últimos anos, os camponeses plantam milho, feijão e outros alimentos em todas as safras, tudo isso sem nenhum apoio do Incra e sua falida reforma agrária, contando com suas próprias forças e com o apoio daqueles que acreditam na aliança operário-camponesa.

Os camponeses do Brilho Sol tiveram participação ativa em todas as principais lutas do movimento camponês na região em todos estes anos. Foram decisivos na construção da Ponte da Aliança Operário-Camponesa em 2006, entre os municípios de Varzelândia e São João da Ponte, e no apoio às diversas tomadas e resistências contra as reintegrações de posse em andamento.

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A festa

Os convidados foram recebidos com fogos num ambiente de muita confraternização. Bandeiras dos movimentos de luta, faixas e cartazes fixados ornamentavam a entrada da área.

Mais de 300 pessoas participaram da celebração. Estiveram presentes representantes de diversas áreas camponesas organizadas pela LCP, comunidades vizinhas, quilombolas, apoiadores da cidade como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o ex-prefeito de Varzelândia, funcionários da prefeitura, comerciantes, além dos ativistas da Liga Operária, do Movimento Feminino Popular, diretores do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de BH (Marreta) e professores da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves.

Pela manhã foi celebrado, conforme costumes locais, um culto ecumênico. Antes do almoço coletivo, preparado pelos anfitriões da área, ocorreu um ato político pela celebração dos 10 anos de resistência.

Todos ressaltaram a importância do empenho das famílias do Brilho do Sol na luta pela conquista da terra e destruição do latifúndio no Norte de Minas. Esta área foi uma das primeiras a realizar o Corte Popular, entregando as parcelas de terras individuais para as famílias camponesas. Foram lidas durante o evento as cartas de saudações da LCP do Pará e da Comissão Nacional das Ligas, causando comoção e orgulho aos anfitriões.

O Ato também marcou uma homenagem aos 19 anos da heroica resistência camponesa de Corumbiara (RO). Uma dirigente da LCP leu nome por nome dos mártires dessa batalha que eram respondidos em uníssono: “Presente na luta!”.

Várias intervenções em repúdio à farsa das eleições burguesas conclamaram ao fortalecimento da campanha de boicote, chamando o povo a não participar do processo eleitoral.

Uma grande e vigorosa saudação a heroica resistência do povo palestino contra os ataques do fascista Estado de Israel na Faixa de Gaza marcou a atividade. A juventude camponesa vibrou e se prontificou a confeccionar bandeiras da Palestina para defender e propagandear sua causa de libertação nacional.

Várias companheiras e companheiros se pronunciaram, inclusive um representante das famílias camponesas atacadas em fevereiro deste ano por pistoleiros comandados pelo latifundiário João Fábio Dias na fazenda Torta, em Verdelândia.

No final do ato, como parte da campanha pela libertação do professor indiano Saibaba, foi chamada atenção pelo crescimento da repressão fascista na Índia, a perseguição aos camponeses e povos tribais naquele país e a necessidade de denunciar amplamente a prisão do democrata, exigindo sua libertação.

Outro ponto alto dos festejos foi a tradicional “Corrida de Argolinha” e o leilão promovido pela associação local. A corrida de argolinha é um esporte muito apreciado pelos camponeses. A disputa exige destreza na montaria do cavalo e precisão para se acertar uma pequena argola de metal com uma pequena vareta, em alta velocidade.  

À noite, fechando com chave de ouro as celebrações, sob a luz da lua e da fogueira, ocorreu uma bela roda de violeiros que contou com a participação de vários cantores populares que se revezaram na viola, violão, sanfona e pandeiro.

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