19 anos da resistência de Corumbiara: A Santa Elina é dos camponeses!

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Na manhã do dia 9 de agosto, rojões anunciaram para a população de Corumbiara o início de uma vibrante manifestação de camponeses, estudantes, professores e apoiadores da luta pela terra que percorreu as ruas da cidade, com faixas, cartazes e bandeiras vermelhas. O protesto celebrou os 19 anos da heroica resistência camponesa na fazenda Santa Elina.

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Manifestação da LCP nas ruas de Corumbiara

A histórica batalha camponesa de 9 de agosto de 1995 foi recordada pelos camponeses em suas palavras de ordem e discursos. Após 15 anos de muitas lutas, tentativas de retomadas, resistência contra reintegrações de posse e enfrentamentos contra bandos de pistoleiros, em meados de 2010, os remanescentes da resistência de Corumbiara, organizados pelo Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina, com o apoio da LCP, retomaram parte das terras da Santa Elina, realizaram o Corte Popular e distribuíram os lotes às cerca de 800 famílias de camponeses sem terra ou com pouca terra que hoje lá vivem e trabalham.

Celebrando a memória dos mártires e as conquistas da luta combativa, os manifestantes entoaram palavras de ordem conclamando a população a não votar e em defesa da Revolução Agrária. Camponeses vítimas da repressão e tortura de Santa Elina e seus remanescentes, moradores da área e de diversas outras áreas camponesas de Rondônia fizeram uso da palavra relembrando os mártires de Corumbiara e denunciando que até os dias atuais os principais culpados pelo massacre de camponeses: Valdir Raupp (PMDB), o latifundiário Antenor Duarte e o comando da PM de Rondônia a época permanecem impunes. Também denunciaram as manobras da Fetagro (PT) e Incra para desmobilizar e retirar as famílias das terras para servir aos seus interesses eleitoreiros.

No final da manifestação os nomes dos mártires da Resistência de Santa Elina foram mais uma vez recordados. Os manifestantes conclamaram os camponeses da região a tomar mais terras do latifúndio, destruir a secular concentração de terras e impulsionar ainda mais a economia local. Uma brigada de jovens distribuiu panfletos e exemplares do jornal AND para moradores e comerciantes.

Vitorioso Encontro de Delegados

Uma vibrante manifestação antecedeu o 6° Encontro de Delegados da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental, que reuniu representantes eleitos pelas Assembleias Populares de dezenas de áreas camponesas, professores, estudantes e apoiadores.

A abertura do Encontro foi realizada na tarde de 9 de agosto com a presença de representantes do Movimento Classista de Trabalhadores em Educação (Moclate), Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Escola Popular (EP), advogados do povo, ativistas do movimento indígena, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), Comitê de Apoio do AND, Movimento Feminino Popular (MFP), Comissão Nacional da LCP e Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental.

As atividades iniciaram com saudações especiais à heroica resistência palestina; ao professor indiano Dr. Saibaba, prisioneiro político do velho Estado indiano; e aos mártires da luta pela terra. Fotos de vários camponeses e dirigentes do movimento camponês combativo assassinados ornamentavam as paredes. O exemplo de cada um deles inspira outros a seguirem seus passos na luta sagrada pelo direito à terra e por um novo Brasil.

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Os participantes saudaram a realização do Encontro e falaram sobre a situação da luta pela terra no país e também em Rondônia, denunciaram a situação dos últimos anos de crescente criminalização e repressão ao movimento camponês, com perseguições, prisões e assassinatos de lideranças e ativistas.

O Encontro debateu a total falência da "reforma agrária do governo", em que o gerenciamento petista gasta bilhões com o agronegócio e perdoa dívidas de latifundiários enquanto atua na desmobilização, criminalização e repressão das lutas dos camponeses e povos indígenas através do judiciário, Ouvidoria Agrária, Polícia Federal, Força Nacional e demais órgãos de repressão e do monopólio das comunicações.

Os participantes em peso defenderam a necessidade de uma grande campanha para conclamar todo o povo a não votar e a necessidade de mobilizar centenas de famílias para tomar terras do latifúndio. Também reafirmaram a necessidade de fortalecer o funcionamento das Assembleias Populares e os Comitês de Defesa da Revolução Agrária nas áreas, organizações para debater e deliberar sobre a solução de todos os problemas das áreas.

No segundo dia, os participantes estudaram em grupo as teses do 6° Congresso da LCP. O debate foi bastante amplo e participativo. Destacamos o papel da juventude camponesa, que compareceu em considerável número e participou com concentração e disposição de todas as atividades.

Uma das partes importantes do Encontro foi a escolha das companheiras e companheiros que farão parte da nova coordenação da LCP. No encerramento todos os participantes realizaram a cerimônia do juramento da Liga dos Camponeses Pobres diante da bandeira vermelha da organização.

O 6° Encontro culminou a primeira parte de preparação do 6º Congresso da LCP. Ele foi construído por meio de diversas reuniões de grupos de moradores e de Assembleias Populares nas áreas que debateram os problemas e reivindicações locais como: estradas péssimas, a distância das escolas, a saúde precária, a falta de incentivo e apoio à produção camponesa, a perseguição de lideranças e crescimento do número de famílias que querem participar de novas tomadas de terras ,etc.

Concluídos os trabalhos do Encontro de Delegados, os ativistas das massas camponesas das áreas organizadas pela LCP em Rondônia iniciam a preparação para a plenária final do Congresso. A palavra de ordem é 'Todos ao 6° Congresso da LCP!'.

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