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Mais de 40 operários mortos nas usinas do Rio Madeira

Publicamos extrato de denúncia enviada a redação do AND pela Liga Operária.

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Operários Cleberson e Roneilson mortos após queda de torre de transmissão

Pelo menos 42 operários tiveram a vida ceifada nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, e dez trabalhadores dessas obras são considerados “desaparecidos”. Somente nas obras de instalação da linha de transmissão das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, o chamado “linhão do Madeira”, doze operários foram mortos, sendo sete deles nos últimos meses de julho e agosto. Os dados são referentes apenas às mortes divulgadas na imprensa, entre maio de 2010 e agosto de 2014, e noticiadas de forma difusa como “acidentes de trabalho”.

Para se ter uma dimensão da gravidade das condições de trabalho a que são submetidos os trabalhadores destas usinas hidrelétricas, somente em julho de 2012 o Ministério Público do Trabalho de Rondônia autuou 198 vezes as empresas que atuam na construção da Usina de Jirau e 143 vezes as empresas que atuam na Usina de Santo Antônio. São irregularidades como jornadas de trabalho excessivas, ausência do descanso obrigatório, de equipamentos de proteção individual e coletiva e falta de manutenção nos alojamentos. Entre as empresas autuadas estão a Energia Sustentável do Brasil, Camargo Corrêa, Odebrecht etc.

Há relatos e denúncias de trabalhadores de que o número de mortes e mutilações é muito superior ao divulgado na imprensa, uma vez que grande parte dessas obras, como a do linhão, é realizada em regiões inóspitas, de selva.

Dados do Ministério da Previdência apontam que um milhão e 300 mil casos de acidentes de trabalho são registrados em média no Brasil todos os anos, sem contar os casos não notificados oficialmente.

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Linhão do Madeira: morte de seis operários peruanos

Listamos aqui a compilação das notícias das 42 mortes de operários nas obras das usinas de Jirau e Santo Antônio e do linhão para que os leitores de AND possam ter a dimensão do massacre silencioso de trabalhadores em curso nos rincões de nosso país.

† 04/08/2014 – Alcimar Pereira da Silva – operário da empresa Tabocas (responsável pela execução dos serviços do linhão que liga Chupinguaia a Porto Velho), teve a cabeça esmagada enquanto fazia a manutenção de um jipe no alojamento da empresa.

† 08/07/2014 – Liner Mozombite Cartagena, Raul Wolfredo Blas Carranza, Alcides Antônio Cainicelacaparachín, Bernardo Contreras Bravo, Elio Alejandro Torres Martínes e Manuel Jesús Tinoco Andana – operários peruanos, morreram esmagados por queda da torre de ampliação da rede elétrica no município de Parecis - RO.

† 01/03/2014 – Robson de Lima Silva – operário maranhense, ajudava a descarregar bobinas de cabos quando o operador do caminhão o atingiu esmagando sua cabeça contra uma parede em Chupinguaia, na obra de construção da linha de transmissão.

† 04/01/2014 – Amilton Ambrósio de Carvalho – sofreu fulminante descarga elétrica no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau.

† 11/10/2013 – Francenilson Souza Veras – soldador, sofreu queda fatal de andaime na usina Santo Antônio.

† 20/09/2013 – Antenor Rocha Nahum – operário paraense, eletricista de manutenção, sofreu fulminante descarga elétrica em Jirau.

† 04/04/2013 – Afonso da Costa Feitosa Filho – o galho de uma árvore caiu fraturando a sua cabeça, braços e pernas, levando o operário à morte em obra da linha de transmissão.

† 05/03/2013 – Edinaldo da Silva Souza – eletricista, sofreu descarga elétrica e morreu depois de sofrer uma parada cardíaca no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau.

† 03/2013 – Sebastião Pereira de Oliveira Neto – ajudante de produção, trabalhador em altura, o corpo foi encontrado flutuando em uma lagoa na usina Santo Antônio.

† 15/02/2013 – Cleberson Pantoja Viana – operário paraense, morreu esmagado no desabamento de torre da linha de transmissão de energia elétrica nos arredores de Chupinguaia, em Rondônia.

† 15/02/2013 – Roneilson Santos Cruz – operário maranhense, morreu esmagado no desabamento de torre da linha de transmissão de energia elétrica nos arredores de Chupinguaia.

† 09/2012 – Paulo Henrique do Nascimento – operário goiano, morreu esmagado por uma árvore em área a ser alagada pela usina hidrelétrica de Jirau.

† 21/08/2012 – Claudemir do Antônio Antonio – carpinteiro, morreu após ser atingido por uma chapa de aço na usina Santo Antônio.

† 14/08/2012 – Derick de Almeida da Silva – operário armador, morreu após queda de uma altura de 50 metros em obra da usina Santo Antônio.

† 03/05/2012 – José Roberto Viana Farias – operário sinaleiro, morto por esmagamento na usina de Jirau.

† 25/04/2012 – Rosivaldo José dos Santos – morreu após ser atingido por peças que caíram de um guindaste no canteiro de obras da Usina de Santo Antônio Energia, em Porto Velho.

† 03/04/2012 – Francisco de Souza Lima – operários testemunharam que a morte de Francisco Lima foi devido às agressões e pancadas que ele sofreu da polícia, mas o corpo foi imediatamente retirado do canteiro de obras. A versão divulgada é que ele teria morrido de infarto durante o incêndio que atingiu a hidrelétrica em Jirau.

† 09/03/2012 – Ronaldo Rosendo Almeida – morreu esmagado por uma carreta na usina Santo Antônio.

† 29/02/2012 – Josivan França Sá – morte brutal por tiro disparado pela polícia dentro do canteiro de obra Jirau.

† 08/2011 – Cláudio Roberto, Gerônimo José, José Edson Gomes, Benedito Pinheiro Cardoso, Sidnei Bezerra Cadete, José Epitácio da Silva e Evandro Morais da Silva – operários que faleceram em acidente com queda de guindaste em Jirau.

† 17/08/2011 – Valdir Pinheiro Amaral – morreu após ser esfaqueado no canteiro de obras de Jirau. Os trabalhadores denunciaram que Valdir foi esfaqueado ao se desentender com outro trabalhador. Após ser ferido, agonizou durante duas horas sem receber socorro algum da empresa e faleceu, o que causou grande revolta entre os operários, que relataram não ser essa a primeira vez que algo parecido ocorreu no canteiro.

† 05/05/2011 – Antônio de Meneses Rocha – carpinteiro maranhense, teve a cabeça esmagada por uma peça que caiu nas instalações do vertedouro em Jirau.

† 02/2011 – João Batista dos Santos – morreu esmagado por uma grua em Jirau.

† 02/2011 – Bruno Alexandre Queiroz Martinho – morreu esmagado uma grua em Santo Antônio.

† 31/12/2010 – Erivaldo dos Santos Pinho – morreu esmagado por um elevador que se desprendeu de uma usina de asfalto na BR-364, acesso às obras.

† 07/2010 – João Edcarlos Sá de Jesus – faleceu após sofrer queda de uma lançadora de concreto em Santo Antônio.

†25/07/2010 – Francisco da Silva Melo – faleceu esmagado em um britador na usina Jirau.

† 23 /05/ 2010 – Niosvaldo Santos Silva – morreu nas obras da BR-364, acesso às obras.

† 05/2010 – Valter Souza Rosa – morreu por choque elétrico na Usina de Jirau.

† 2010 – Renan Ambrósio – morreu afogado durante operação de resgate de galões de combustível. A voadeira (embarcação) em que estava sofreu uma pane e ele foi levado pelas águas do Rio Madeira.

† Operário morto em Alto Paraíso (nome não divulgado na imprensa) – de acordo com o auditor fiscal da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego em Rondônia,  Danilo Felix, além da morte de Afonso da Costa Feitosa Filho, já relatada acima, por queda de árvore em Cacaulândia, ocorreu a morte de um segundo operário pela mesma causa em Alto Paraíso.

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