O espectro do boicote ronda a farsa eleitoral!

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Ato contra a farsa eleitoral na Central do Brasil (RJ), 27/8/2014

A recente eleição para o Parlamento Europeu registrou a maior taxa de abstenções da história do sufragismo supranacional da União Europeia. No último 25 de maio, apenas 42,54% dos cidadãos dos 28 Estados-membros da UE atenderam ao chamado dos chefes da Europa do capital monopolista para ir às urnas.

Em nações onde aquela Europa, a do capital, vem impondo um inclemente arrocho à Europa do mundo do trabalho a taxa de abstenção foi ainda maior. Entre os portugueses, por exemplo, apenas 33,76% se deram ao trabalho de tomar partido entre os postulantes ao PE, tamanha a consciência da irrelevância do voto neste ou naquele candidato - este ou aquele comprometido apenas com os projetos e as políticas antipovo, não obstante as diferenças de nuances entre a direita de peito aberto e o oportunismo mais afeito a falar e agir em nome do povo.

Entretanto, os maiores rechaços à eleição para o Parlamento Europeu vieram justamente dos mais novos membros da UE: Eslováquia (míseros 13,05% de participação), República Tcheca (18,20%), Polônia (23,83%), Eslovênia (24,55%) e Croácia (25,24). Em vez de se animarem com a possibilidade acenada por Bruxelas de participarem das decisões da UE que lhes irão incidir, eslovacos, tchecos, poloneses, eslovenos e croatas parecem cientes de que nada em seu benefício poderá sair do resultado das urnas europeias, seja ele qual for.

O recorde de abstenções na mais recente eleição quinquenal para o Parlamento Europeu não chega a surpreender, tendo em vista que na Europa a ilusão acerca da Democracia Parlamentar é uma doença política em claro processo de cura: em 1979 a taxa de participação nas eleições europeias foi de 69,2%, e desde então, ao longo de um total de oito eleições consecutivas, essa taxa jamais aumentou, ou sequer se manteve no mesmo patamar; ela sempre caiu, com direito a um tombo espetacular registrado entre os sufrágios de 1994 e 1999: de 56,6% para 49,5%.

A exemplo do que as massas do continente vêm fazendo com o sufragismo supranacional, as farsas eleitoreiras nacionais também vêm sendo desmoralizadas ano após ano na maioria dos países europeus. Na França, o índice de abstenções vem crescendo pleito após pleito desde 1977. O último recorde foi batido em março deste ano, quando 35,91% dos aptos a votar optaram por não fazê-lo no primeiro turno das eleições municipais.

O mesmo povo de Portugal que acabou de rechaçar a convocatória às urnas para decidir a composição do Parlamento Europeu também mandou às favas a última eleição organizada para compor o gerenciamento do Estado português com uma abstenção de retumbantes 66% do “eleitorado”.

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No mesmo 25 de maio em que muito mais da metade dos europeus chamados a endossar a farsa eleitoral da UE recusaram-se a fazê-lo, nada menos do que 60% dos eleitores colombianos cadastrados para escolher entre Óscar Iván Zuluaga, Juan Manuel Santos e mais um punhado de candidatos a gerenciar a Colômbia para o imperialismo ianque não apareceram para votar. Foi a mais alta taxa de abstenção registrada no país nos últimos 20 anos, e quase dez pontos percentuais acima da abstenção registrada nas eleições de 2010.

Acossados pela desmoralização do sufragismo burguês em todos os cantos do mundo e pela possibilidade real de um sonoro recorde de abstenções e de votos brancos e nulos na farsa eleitoral que se avizinha no Brasil, as forças reacionárias desta semicolônia já se mobilizam para tentar evitar o boicote popular à “festa de democracia” marcada para outubro, a começar pelo próprio velho Estado. O TSE colocou na praça uma campanha de contrapropaganda intitulada “Vem pra urna”, em alusão à convocatória “Vem pra rua”, que esteve entre as palavras de ordem das jornadas de junho de 2013 em todo o país.

Mais uma vez tenta-se fazer crer que “a urna é a arma do cidadão”, ou patranhas desta estirpe que visam desmobilizar as massas das lutas mais urgentes, as classistas e as radicalizadas, tentando circunscrever o âmbito da política à política eleitoreira e institucional, justamente onde ela é mais podre e irrelevante.

O tiro, entretanto, tende a sair pela culatra, uma vez que as massas populares – a julgar pela amplitude das campanhas, ações pelo não-voto e de ojeriza às eleições de norte a sul do país – estão cada vez mais cientes de que os que se acotovelam pedindo seus votos estão fechados ou com o imperialismo, ou com os militares, ou com as empreiteiras, ou com o sistema financeiro internacional, ou com o “agronegócio” ou com tudo mais que é força antipovo que se possa imaginar. Ou com tudo isso junto – como é o caso dos candidatos a “presidente” da semicolônia Brasil –, menos com os anseios do povo.

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