As candidaturas do Partido Único de corpo inteiro

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No processo da farsa eleitoral os candidatos do Partido Único usam a propaganda “gratuita” e os debates para esconder as suas intenções de darem prosseguimento à política de subjugação nacional que tem como eixo a manutenção da política econômica e o aumento da repressão contra o povo. Estes dois aspectos são o centro da política do Partido Único e que as sublegendas encabeçadas por Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva esmeram-se em explicitálos nos convescotes com as classes dominantes, numa acirrada disputa pela preferência e o financiamento do latifúndio, dos monopólios e do imperialismo. Enquanto isso engabela as massas através da propaganda eleitoral, com fraseologia vazia sobre saúde, educação e segurança e a apresentação de obras de fachada que abarrotam os cofres de seus financiadores. Concretamente, estão a serviço do imperialismo e seus serviçais.

A política de subjugação nacional

Por mais que as classes dominantes e a academia, a seu serviço, procurem esconder, o mundo vive a época do imperialismo. Nesta etapa de apodrecimento do capitalismo a principal contradição é entre “meia dúzia” de nações opressoras e exploradoras, capitaneadas pelo imperialismo ianque, e a grande maioria das nações oprimidas e exploradas, reduzidas à condição de colônias e semicolônias.

Para manter a sua exploração, as nações opressoras criaram instrumentos como a ONU e suas agências como a UNICEF e a FAO, o FMI, o Banco Mundial, a OMC (Organização Mundial do Comércio), dentre outros, os quais elaboram políticas que trazem em seu bojo o estabelecimento de relações desiguais entre as nações, favorecendo as ricas, exploradoras, em detrimento das pobres, exploradas. Estes organismos internacionais que funcionam na aparência de estarem acima dos interesses particulares desta ou daquela nação, na verdade, ao exigirem a adesão dos Estados às normas draconianas impostas principalmente pelo USA, impedem qualquer tentativa das nações oprimidas de romperem o círculo de fogo da subjugação, pois ferem mortalmente a soberania das mesmas.

A existência formal de uma Constituição para reger o funcionamento dos poderes executivo, legislativo e judiciário, que por sua vez são instrumentos da dominação imperialista sobre o conjunto da nação, dá a aparência de existência independente de seus Estados nacionais, ainda, reforçados com o disfarce democrático da realização de eleições para o executivo e o parlamento.

Para exercer o controle sobre estas nações o imperialismo impõe o seu modelo de eleições comandadas pelo capital, buscando criar entre as massas a ilusão de que o seu voto poderá decidir o destino da nação. Assim, o dinheiro dos bancos, das empreiteiras, das empresas transnacionais e do “agronegócio” é aplicado nas candidaturas que assumam explicitamente o compromisso de manter a submissão do país aos ditames do sistema financeiro, através da continuidade de uma crescente dívida pública atrelada a juros cada vez mais elevados; a manutenção de relações desiguais de troca, onde os ricos entram com produtos de elevado valor agregado, enquanto que os pobres entram com produtos in natura (commodities), com pouco ou nenhum valor agregado; respeito aos draconianos contratos de assistência técnica, pagamento de royalties, e remessa de lucros; imposição de políticas salariais e previdenciárias que reduzam ao mínimo o custo da força de trabalho; salvo conduto para livre circulação no território nacional das forças armadas imperialistas; abertura de seu mercado interno e, de resto, de toda economia para que, através de privatizações, fusões e aquisições, ocorra o crescente processo de desnacionalização da economia.

A manutenção da política econômica

As exigências do imperialismo para assegurar sua exploração sobre os países dominados são expressas por seus organismos internacionais, como FMI e Banco Mundial que, no caso do Brasil, consiste na afirmação do tripé de manutenção da “estabilidade” da economia. Este tripé consiste na política de meta inflacionária com base nas altas taxas de juros, no cambio flutuante e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

A “Carta aos Brasileiros”, assinada por Luiz Inácio em 2002, seguida de sua visita à Casa Branca para se entrevistar com Bush Filho, é um exemplo patente de compromisso com a manutenção da subjugação nacional. Mas não único, haja vista que todos os “mandatários”, sejam do período imperial sejam do período republicano, tiveram a mesma atitude subserviente. Os que tentaram, no decorrer do mandato, seguir outro caminho como meio de potenciar base social própria e poder pessoal sob o discurso de defender os interesses do povo e a soberania nacional, como Getúlio Vargas e João Goulart, foram golpeados e defenestrados.

Em se tratando da farsa eleitoral encenada em 2014 é evidente a vergonhosa disputa entre as três candidaturas do Partido Único quando, nos encontros promovidos pelas entidades representativas dos interesses do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo, como a CNA, FIESP, CNI, FEBRABAN e outras, reafirmam seu mais irrestrito apoio ao asseguramento desta política de manutenção do tripé de estabilidade da economia. O mesmo acontece quando são sabatinados pelos monopólios de imprensa, os arautos das classes dominantes no país.

Mais adiante daremos exemplos concretos das declarações de cada um dos candidatos.

O aumento da violência contra as massas

Para implementar sua política de saqueio das nações oprimidas o imperialismo lança mão de crescente repressão contra as massas. O fascismo, como política do imperialismo para conter a resistência das massas à sua opressão e exploração, é implementado pelo Estado sob a direção de gerentes de turno que só galgaram tal posto por seu compromisso prévio de observar as estratégias do império para a “manutenção da paz” nas colônias e semicolônias.

Políticas de combate às drogas; de desarmamento geral do povo; de militarização de todas as polícias; execuções sumárias, principalmente de jovens negros de favelas e bairros periféricos das grandes cidades; de quebra da privacidade das pessoas dispondo de todos os meios tecnológicos criados para este fim; criminalização dos movimentos populares; redução de idade penal; revisão do código penal com o aumento das penalidades e, por consequência, da população carcerária. São as medidas exigidas como compromisso dos candidatos a gerentes de turno.

A implementação destas medidas é gerenciada e monitorada pelo imperialismo, através da venda de armas e de equipamentos, do envio de assessores e consultores de “segurança” (leia-se repressão), como aconteceu durante a Copa, mas não só, extraindo vultosas somas do dinheiro público. Tudo isso fazendo parte de uma estratégia de guerra de baixa intensidade a qual se combina com a aplicação de políticas assistenciais focalizadas. Assim, a população, principalmente o povo pobre, fica submetida a dois fogos: por um lado a desmedida repressão e por outro a cooptação mediante a esmola oficial.

Fica bem claro, portanto, os dois aspectos do eixo que une as três principais candidaturas do Partido Único. Tal eixo rege não apenas estas candidaturas, todas elas do agrado do imperialismo e das classes dominantes lacaias como, de resto, o comportamento de todas as siglas que de forma mais descarada ou envergonhada defendem e participam desta velha e apodrecida “democracia” das classes dominantes e de sua farsa eleitoral.

Passaremos então a apresentar o perfil das três candidaturas em pugna pela simpatia dos amos imperialistas. Advertimos, porém, que as particularidades que diferenciam uns dos outros em nada alivia sua situação, em face de sua adesão à política de subjugação nacional, uma vez que é ela a responsável pela manutenção do país no atraso e impedindo, por consequência, a verdadeira prática de uma nova política, uma nova economia e uma nova cultura.


Marina Silva: PSB/REDE e a autonomia do Banco Central

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Seu patrono é o finado Eduardo Campos, que se tornou conhecido nacionalmente pelo alarido que o monopólio de imprensa fez com o seu trágico desaparecimento. Apesar de haver sido pintado como estadista, progressista e até revolucionário, Eduardo Campos aprendeu a fazer política com seu avô Miguel Arraes, populista e conciliador, chegado a acordos com usineiros, latifundiários e coronéis.

Para não fugir à tradição, não só como governador que teve um usineiro como vice, mas como candidato a presidência, ampliou de tal forma suas alianças que esbarrou no furado discurso de uma nova política alardeado por Marina Silva. Com o seu falecimento, os compromissos com Geraldo Alkimim e com os representantes do latifúndio do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul colocaram Marina em uma saia justa. A saída foi o PSB escolher para seu vice um chegado do latifúndio e do “agronegócio” para fazer as intermediações e o monitoramento de Marina, que já deu sinal de que a contradição não é antagônica, uma vez que ela não é totalmente contra os transgênicos e que considera o “agronegócio” importante para as receitas do país e blá-blá-blá.

O tal discurso de uma nova política, exaustivamente bradado por Marina, é um verdadeiro engodo. Ele tem uma dupla face, fazendo lembrar Collor de Melo que se colocava como caçador de Marajás para agradar a classe média e o povão e ao mesmo tempo em que urdia seu plano de lesa-pátria de entregar ao imperialismo o patrimônio nacional.

Marina fala à juventude e à classe média que o país já não aguenta esta polarização entre PT e PSDB; que é preciso um projeto de unir o Brasil; que não se submeterá às imposições dos partidos na formação do governo; que buscará os melhores, independente de partido; que é a continuadora da estabilidade econômica de FHC e da política social de Luiz Inácio.

Por outro lado, ela ostenta profundas ligações com o ambientalismo internacional, patrocinado e financiado pelas ONGs do imperialismo, com o sistema financeiro via Banco Itaú e agora com o empresariado de alto coturno ao qual já deu esperanças mil ao declarar que manterá o tripé da estabilidade econômica e a independência do Banco Central. Isto fez o imperialismo abrir um sorriso de orelha a orelha, correr para o abraço e gritar: Vai, Marina!


Aécio Neves: PSDB e o futuro do passado

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Seu patrono, Fernando Henrique Cardoso, foi distinguido pelo AND em sua edição nº 5 com a manchete: FHC, o mais imoral e vende-pátria de todos os tempos. Isto porque o PSDB, partido constituído como a consciência crítica do PMDB, sob sua influência assumiu todas as teses elaboradas pelo imperialismo ianque, através do FMI e do Banco Mundial para, além de dar o golpe do Real, ainda no gerenciamento de Itamar Franco, praticar o crime de lesa-pátria ao incrementar a onda de desnacionalização do patrimônio nacional.

As chamadas “privatizações” realizadas sob a desculpa de ser uma modernização para adequar o Brasil ao movimento de “globalização” da economia, abater a dívida externa e aplicar os recursos na saúde e educação, nada mais foram do que um dos maiores saqueios ou derramas sofridos pelo país em todos os tempos.

Aécio Neves em nenhum momento levantou sua voz contra este assalto à nação. Muito pelo contrário, seja como parlamentar, seja como governador, ajudou a aprovar as leis de privatização, a lei Kandir que isenta de impostos as exportações, a lei de responsabilidade fiscal que limita as despesas da União, dos estados e municípios para garantir o superávit fiscal para fazer face ao pagamento dos juros da dívida externa e interna.

No exercício do gerenciamento do estado de Minas Gerais deu prosseguimento à aplicação das políticas ditadas pelo FMI e Banco Mundial para o funcionamento da máquina do Estado com arrocho salarial e repressão sobre os servidores, dando prioridade à construção de obras de fachada como a sede administrativa do governo estadual, favorecendo as grandes empreiteiras, em detrimento da destinação dos recursos para saúde, educação, saneamento etc. Mesmo tentando amarrar seus apoiadores ao anunciar o nome do agente do FMI, Armínio Fraga, para o seu Ministério da Fazenda, está em maus lençóis, principalmente depois que Marina Silva entrou na disputa presidencial. Ele já não tem como estancar a migração de seus apoiadores e eleitores para a mesma. Tudo indica que ele será expectador da disputa entre Dilma e Marina.


Dilma Rousseff: PT/pecedobê et caterva

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Seu patrono, Luiz Inácio da Silva, antes de completar seis meses de gerenciamento, foi distinguido pelo AND com a manchete: O governo Lula é uma fraude. O restante de seus dois mandatos só veio confirmar essa assertiva de nosso jornal.

Isso porque, iniciando seu gerenciamento numa verdadeira “lua de mel” com seu antecessor, procurou de imediato se acercar e se escudar numa das figuras mais nefastas de velha “democracia” brasileira, no caso, José Sarney. Sem deixar por menos, vai ao USA para um “teretetê” com o chefe do império do qual, entre outras recomendações, recebe como indicação para compor seu governo o representante do FMI Henrique Meireles e a ongueira internacional Marina Silva. Ademais de não haver denunciado e muito menos revogado nenhuma das privatizações de FHC, Luiz Inácio seguiu mantendo a sua política econômica, conforme havia se comprometido com o “mercado” em sua carta compromisso com o imperialismo, mal denominada de “Carta aos brasileiros”.

Ao final de seu segundo mandato, após ver queimados José Dirceu e Antonio Palocci, dois de seus prováveis sucessores, resolve apostar seu prestígio na indicação do que ficou conhecido na época como o “poste”.

Dilma Rousseff foi eleita após uma verdadeira farra com o dinheiro público com uma avassaladora carga de propaganda ostensiva e subliminar do governo federal, das empresas estatais e das empreiteiras e transnacionais beneficiadas com empréstimos subsidiados, obras de fachada, renúncia fiscal e outras benesses, além do favorecimento escandaloso ao sistema financeiro com o aumento da dívida interna, a chamada inclusão compulsória bancária de cerca de 40 milhões de pessoas e a ampliação do crédito. Luiz Inácio fez pouco da crise do capitalismo ao nível internacional, taxando-a de “marolinha”, e, estimulando o consumismo na população, elevou artificialmente o PIB, para passar a ideia de que o Brasil, sob o gerenciamento da “mãe do PAC”, havia ingressado em um novo e prolongado período de crescimento econômico.

A farra de Luiz Inácio em 2010 trouxe como consequência uma ressaca de quatro anos. Assim, o gerenciamento de Dilma Rousseff vem se arrastando em um rosário de obras em atraso e resultados pífios na economia, não obstante suas tentativas de levantar recursos com a privatização e desnacionalização do petróleo, da telefonia móvel, das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Mesmo o discurso da manutenção de níveis invejáveis de desemprego, já não se sustenta diante de demissões, férias coletivas e suspensão de contratos de trabalho iniciados pela indústria no ínicio de agosto.

Diante do espelho, Dilma se pergunta: “Espelho, espelho meu, existe na farsa eleitoral, dentre dos mais confiáveis ao imperialismo, alguém mais viável do que eu?”

E o espelho respondeu: existe sim, e o seu nome é Marina Silva.


Os coadjuvantes da farsa eleitoral

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Os argumentos apresentados no artigo acima são por demais elucidadores do porque de boicotar as eleições que se aproximam, por se tratarem de verdadeira farsa montada pelas classes dominantes subordinadas ao imperialismo, principalmente ianque, para manterem a opressão e a exploração da nação e povo brasileiros.

Quem chafurda com os porcos, porco é

A obrigação de quem se diz comprometido, minimamente, em romper com este círculo de fogo é denunciar e boicotar a farsa eleitoral. O simples fato de pedir registro partidário na burocracia do Estado reacionário e dele receber as migalhas para sua sustentação já demonstra uma atitude de capitulação da luta revolucionária.

Pior ainda é imobilizar quadros e militância, deslocando-os para o cumprimento da triste tarefa de se igualarem a toda espécie de escroques e picaretas, brandindo propostas, as mais absurdas e enganadoras, com vistas a ludibriar a boa fé do nosso povo, dando-lhe a esperança de que é possível transformar este país pela via eleitoral.

E não venham com o surrado argumento de que Lenin, para as atividades do trabalho legal, em determinada circunstância e momento específico, aconselhou a tática de se servir do processo eleitoral burguês. Tanto o momento como as circunstâncias em que vivemos em nada se assemelham ao caso apontado pelo histórico dirigente comunista. O que estes oportunistas escamoteiam e escondem de seus incautos seguidores é o de que a tática de Lenin à época estava voltada à atividade de desmascarar e desmoralizar as instituições burguesas e não para servir, como ele mesmo denunciava, de “lugarzinhos rendosos” para a malta de oportunistas, traidores da causa revolucionária do socialismo científico e força auxiliar da burguesia. Escudar-se em Lenin para defender o próprio cretinismo eleitoreiro só é comprovação a mais de o oportunismo não tem limites.

Também, não venham com a balela de que o período eleitoral é uma oportunidade de falar para as massas. Os revolucionários não precisam de nenhum momento especial para falar para as massas. Todo tempo é tempo para se dirigir ao povo, levando-lhe a denúncia concreta sobre os vários modos que as classes dominantes utilizam para oprimi-lo e explorá-lo.  Conclamando-o a falar pelas ações, confrontá- lo com os seus exploradores e com o Estado opressor.

Siglas como PSOL, PSTU, PCO e PCB e outras organizações, autodenominadas de “esquerda”, coonestando o espúrio processo burguês só poderão ter como futuro ocupar o espaço ao lado dos direitistas PT, pecedobê, PDT e PSB. Seus discursos, como o de Luciana Genro no debate da Bandeirantes, só servem a criar a ilusãode que há algo de democrático nesse farsante processo, embelezando-o. É isso que a burguesia necessita, quer e se regozija.

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