Estado Islâmico: espelho da barbárie imperialista

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Soldados do Estado Islâmico transportando artilharia anti-aérea

No último 20/8 a estratégia da barbárie posta em prática pelo já famigerado Estado Islâmico em grande parte do Iraque e da Síria, impingindo imenso sofrimento a um grande contingente populacional daquela região, foi apresentada ao mundo pelo vídeo da decapitação do jornalista britânico James Foley. No dia 2/9, mais um vídeo, mais uma cabeça rolando sob a faca, desta vez a do também jornalista britânico Steven Sotloff.

O Estado Islâmico é uma força político-militar fundamentalista sunita composta hoje por cerca de 60 mil soldados. É o resultado da união de várias facções retrógradas e autoritárias que, sim, combatem ou combateram as potências invasoras no Oriente Médio, como a Al-Qaeda no Iraque, mas ao mesmo tempo nutrem projetos políticos reacionários, de atraso e violenta opressão das massas. Estas facções recrudesceram em sua beligerância na sequência da derrubada e do assassinato do presidente Saddam Hussein, cujo governo lograva manter o Iraque soberano e estável graças à acomodação dos interesses dos diferentes e inúmeros grupos tribais dos quatro cantos do país. Com o gerenciamento títere-xiita instalado pelo USA em Bagdá, os sunitas passaram a ser marginalizados de forma política, econômica e social, o que fomentou ainda mais o esgarçamento social e a violência sem fim em um país sob criminosa ocupação estrangeira.

O Estado Islâmico brotou do recente financiamento ianque e europeu a alguns desses grupos sunitas, os que se apresentaram para combater o gerenciamento alauita de Bashar Al-Assad na Síria – no contexto da contenda interimperialista entre USA e Rússia, que atirou aquele país em uma sangrenta guerra civil. Grande parte do armamento inicialmente utilizado pelo ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, hoje só Estado Islâmico) veio de grupos armados pelo USA e depois cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, o auto-proclamado Califa Ibrahim, líder do EI.

Os dezenas de milhares de combatentes do Estado Islâmico estão espalhados por 25% do território sírio e por aproximadamente 40% do território iraquiano, somando uma área total de 215 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao território do Reino Unido. O EI, que tem fartura de recursos graças, sobretudo, ao contrabando do petróleo extraído nas áreas por ele dominadas, declarou a criação de um Califado em uma vasta região entre o Iraque e a Síria, e já expressou intenção de se expandir também para Arábia Saudita e Jordânia.

No covil do imperialismo já se aventa a possibilidade de uma “intervenção humanitária” do Ocidente para livrar a Síria dos horrores das decapitações, crucificações, mutilações que tais e outras barbaridades cotidianamente levadas a cabo pelo Estado Islâmico, cuja terrificante ascensão abre assim a possibilidade do desnivelamento do impasse interimperialista na Síria.

No último 25/6 Obama requisitou ao congresso do USA a liberação de US$ 500 milhões, no âmbito do Projeto de Operações de Contingência no Exterior 2015, para serem usados a fim de ajudar o povo sírio a se defender de “ameaças terroristas”.

Ou seja: o Estado Islâmico, como a própria Al-Qaeda ou mesmo o fascismo escancarado na Ucrânia (ver artigo nesta edição de AND), antes de propriamente terem se tornado “um problema” para o imperialismo após terem sido pagos e armados para fazerem o trabalho sujo das potências, em vez disso, sua ascensão afinal atende à estratégia de dominação e subjugação global do USA e seus sócios, vide a convocatória de Obama a uma coalizão militar (mais uma!) visando evitar um genocídio em potencial que poderia ser levado a cabo pelo EI sobretudo na Síria.

O Estado Islâmico é simplesmente o mais novo inimigo da “Guerra Contra o Terror”, a grande maquinação para uma nova era de esforços pela dominação global lançada por Washington após os ataques ao USA em 11 de setembro de 2001 com o objetivo de tirar o imperialismo da crise. Um inimigo que vem bem a calhar.

Além disso, a Alemanha anunciou que vai enviar 70 milhões de euros em armamentos à região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque, na forma de oito mil rifles de assalto e 30 baterias antimísseis, para que, assim diz a administração de Angela Merkel, os curdos possam se defender do Estado Islâmico.

A ministra alemã da defesa, Ursula Von der Leyen, em uma entrevista para o jornal Die Zeit, sequer se fez de rogada em dizer, ainda que com meias palavras, que a “ajuda” aos curdos do norte do Iraque é a pedra fundamental em uma mudança na, digamos, “política externa” da Alemanha, cujo capitalismo acaba de entrar em recessão, que agora passa a impor seus interesses militarmente ao redor do mundo de forma muito mais agressiva:

“Nós não vivemos em uma ilha. As coisas nos afetam. Se nós atuamos globalmente na economia e na política, então somos desafiados ao redor do mundo em política de segurança. Qualquer um que recue não tem influência.”

Ora, a mutilação de crianças, a violência desmedida, a mais pura barbárie, as perseguições políticas, limpeza étnica, centenas de milhares de refugiados... Tudo o que representa o Estado Islâmico, tudo isso, assemelha-se e atende – e não é surpresa! – ao projeto do imperialismo.

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