Cinema: As chacinas no Rio nos últimos 21 anos

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Dirigido pela cineasta Theresa Jessouroun (Produção Kino Filmes e Urca Filmes), o documentário À Queima Roupa mostra os vinte anos que separam o bárbaro episódio que ficou conhecido como a Chacina de Vigário Geral no Rio de Janeiro em 1993, e os dias de hoje, quando centenas de jovens são assassinados pela polícia como no massacre há 21 anos. Ao traçar um cronograma das inúmeras chacinas que aconteceram no Rio nessas duas décadas, o filme revela a inércia de um sistema empenhado somente em criminalizar a pobreza e condenar os pobres à completa falta de dignidade.

— A ideia inicial era fazer um filme sobre a Chacina de Vigário Geral, porque esse massacre trouxe à tona toda a corrupção e a violência das polícias e sua relação com o tráfico de drogas. No entanto, a abrangência do filme se diversificou durante a nossa pesquisa, pois apareceram tantas outras chacinas tão violentas quanto e que não haviam sido resolvidas, e que os criminosos não haviam sido punidos, chegando aos dias de hoje e o grave problema que temos dos autos de resistência. Então nós acabamos fazendo um filme que traça a trajetória de expansão da violência da Chacina de Vigário Geral até a atualidade — diz.

— Eu já havia visto alguns filmes com essa narrativa, essa forma de misturar documentário e ficção. Inclusive, já adotei esse formato em um dos meus filmes, Clarita, no qual a atriz Laura Cardoso interpretou a minha mãe. Eu acho essa linguagem interessante, porque o documentário tem um limite. Quando as pessoas estão contando coisas do passado no presente, o público fica com a ausência dessa imagem — explica Theresa sobre a linguagem do seu filme.

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Theresa já dirigiu vários documentários, entre eles, Clarita, Samba, Alma de Mulher, Quando a casa é a rua, Vida Severina, Coração do Samba, entre outros. O jornal A Nova Democracia entrevistou a cineasta e traz para você com exclusividade a impressão dessa devaneadora do cinema que ousou escancarar as atrocidades praticadas pela polícia mais violenta do mundo. Além de contar com imagens de AND, a construção do filme À Queima Roupa teve a participação do jornalista Patrick Granja na pesquisa de personagens e produção do documentário e do cinematógrafo Guilherme Chalita no registro de algumas das imagens do Making Off.

— Nós entrevistamos várias pessoas envolvidas nessas chacinas que tiveram a coragem de falar diante das câmeras. Muitas dessas pessoas tiveram que ter sua identidade disfarçada porque têm medo, obviamente, visto que todas as comunidades hoje no Rio de Janeiro são dominadas por esse sentimento de medo. Portanto, esse filme traz depoimentos que podem servir de denúncia do que está acontecendo hoje nas favelas e periferias do país — conta.

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Cenas do filme

— O que mais me chocou nisso tudo foi o legado social, aproveitando que esse termo está na moda, dessas pessoas vitimadas pela polícia. Elas são completamente abandonadas pelo Estado, não sabem a quem recorrer, não sabem de quem exigir uma reparação, indenização. Se não fosse o esforço de alguns advogados que se voluntariam para ajudar, nenhum desses casos teria um desfecho. Essas pessoas ficam completamente entregues à própria sorte. Quantas pessoas ainda precisam morrer para isso tudo mudar? Desde que eu terminei o filme, mais de 40 pessoas já foram mortas pela polícia, em casos que na maioria das vezes não são noticiados e a gente nem fica sabendo — diz.

O filme estreia em outubro no Festival do Rio de Cinema e, em seguida, terá o calendário de exibições divulgado aqui no AND. A princípio, as estreias serão no dia 16 de outubro no Rio e 13 de novembro em São Paulo. No entanto, para ampliar a divulgação e distribuição do filme, está sendo promovida uma campanha no portal Catarse.me para arrecadar fundos que serão investidos em inúmeros recursos visando a ampla exibição do documentário. Acesse catarse.me/aqueimaroupa e saiba como colaborar.

— A gente conseguiu captar recursos para a produção e finalização desse filme em editais públicos do Fundo Setorial e BNDES. No entanto, não conseguimos dinheiro para a comercialização, a divulgação. Por isso, nós estamos com uma campanha pelo Catarse, que é a maior plataforma de financiamento coletivo do Brasil, para conseguir essa quantia. Quem puder, por favor nos ajude, porque é muito importante que esse filme tenha uma divulgação decente e atinja um público maior — termina a cineasta.

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