Norte de Minas: o exemplo de uma jovem dirigente camponesa

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Em 6 de setembro, os camponeses reunidos no Encontro de Delegados da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Norte de Minas e Bahia prestaram emocionante homenagem a camponesa Patrícia Evangelista da Silva, ativista falecida em 9 de julho último em São Paulo após enfrentar anos de tratamento de saúde. Publicamos aqui trechos de um texto produzido pela LCP do Norte de Minas e Bahia e pelo Movimento Feminino Popular (MFP) em memória dessa jovem e dedicada dirigente camponesa.

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Patrícia participou do ato internacionalista no consulado da Índia, em Brasília, contra a "Operação Caçada Verde", 2010

Patrícia nasceu no ano de 1975, na cidade de Januária, à margem do Rio Grande. Filha de uma família de camponeses pescadores, com grande esforço e dedicação concluiu o ensino médio.

Iniciou sua militância na Comissão Pastoral da Criança e era muito conhecida por sua solidariedade e abnegação na defesa das pessoas mais simples do povo. Ingressou no movimento camponês combativo quando integrou um grupo de famílias que se preparava para tomar o latifúndio Quinta das Palmeiras, em Januária, no ano de 2004.

Foi eleita delegada da área União para o 4º Congresso da LCP em 2005 na cidade de Manga e intensificou sua militância e dedicação à luta combativa contra o latifúndio. Defendeu o Corte Popular das terras e denunciou o papel do Incra como representante dos interesses do latifúndio.

Propagandeou a necessidade de uma Revolução Democrática Agrária e Anti-imperialista em nosso país.

Participou ativamente das atividades mais importantes promovidas pela LCP do Norte de Minas e Bahia ao longo dos últimos anos, sendo eleita para a sua coordenação. Participou do 1º Encontro Nacional do Movimento Camponês Combativo em Goiânia em abril de 2006, apoiou a construção da Ponte da Aliança Operário-Camponesa, construída por camponeses e operários organizados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte – Marreta, em Varzelândia/São João da Ponte. Trabalhou com afinco na mobilização e organização das massas camponesas para tomadas de terras e defesa das áreas conquistadas, organizando especialmente as mulheres.

Participou também, com uma grande delegação de camponeses, do 1º de maio classista convocado pela Liga Operária em Belo Horizonte (2007) e em São Paulo (2008 e 2011). Integrou a delegação camponesa que protestou diante do Consulado da Índia, em Brasília, contra a “Operação Caçada Verde”, operação de guerra do Estado fascista indiano contra os camponeses e povos tribais daquele país.

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Teve papel destacado na coordenação regional dos camponeses de Pedras de Maria da Cruz e Januária, sempre se dedicando ao trabalho de propaganda da Revolução Agrária, desenvolvendo uma rede de solidariedade à luta entre professores, estudantes, comerciantes e trabalhadores nas cidades próximas às áreas camponesas.

Travou, junto da coordenação da LCP, incessante luta contra as posições oportunistas que utilizavam da velha política de vender vagas em listas para conquista da terra, de manobrar com interesses das massas camponesas para benefício próprio. Combateu as intrigas criadas por esses oportunistas carreiristas que tentavam dividir as famílias organizadas. 

Patrícia também teve papel destacado na luta contra a discriminação por ser mulher e ter papel de direção no movimento. Sua persistência e firmeza a fez ser reconhecida por todos pela sua postura classista e combativa. Assumiu de forma convicta a organização e propaganda do Movimento Feminino Popular nas áreas camponesas e teve papel importante na organização do 1º Encontro Regional do MFP em Januária. Incentivou a participação das camponesas, em especial as jovens, em todas as atividades políticas do movimento camponês. Organizou uma delegação para participar em duas combativas manifestações organizadas pelo MFP no Rio de Janeiro em apoio a heroica resistência do povo palestino e outra pela punição dos torturadores criminosos do regime militar fascista.

Foi uma das fundadoras da Associação Rural Comunitária Quinta das Palmeiras e enfrentou, junto das famílias dessa área, tentativas de reintegração e posse e a perseguição do latifúndio e as intrigas oportunistas. Enfrentou a perseguição ambiental animando todos a aumentar as áreas de plantio das roças e organizou Grupos de Ajuda Mútua para produção coletiva. Organizou um mutirão que abriu a estrada dentro da área União e promoveu curso de artesanato organizado pelas camponesas da área para vender a produção.

A companheira Patrícia sempre será lembrada por sua postura séria e dedicada na construção e defesa da aliança operário-camponesa e da Revolução Agrária.

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