‘Livrai-nos do Banco Central Europeu’

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Manifestação em Nápoles, Itália

No último dia 2 de agosto, o povo da cidade de Nápoles, na Itália, representou toda a Europa do mundo do trabalho quando desafiou a repressão feroz e tentou interromper um encontro da cúpula de tecnocratas do Banco Central Europeu. Naquela quinta-feira, uma multidão marchou até um palácio século XVIII onde o BCE realizava uma reunião ordinária para fixação de metas — as metas antipovo que ajudam a delinear, por exemplo, as intervenções da famigerada Troika Europa afora.

Aconteceram violentas escaramuças entre o povo e a polícia italiana, que destacou sua tropa de choque para tentar conter a massa revoltosa. Até helicópteros sobrevoaram a multidão. À frente da massa uma enorme faixa com os dizeres: “Insegurança no trabalho, pobreza, desemprego, especulação. Livrai-nos do BCE!”.

Na Espanha, um estudo levado a cabo por uma central sindical escancarou e comprovou que as políticas de Madri, do BCE, da Troika e da Europa do capital monopolista em geral levaram a uma situação em que os trabalhadores da administração pública do país tiveram seus salários deteriorados em um terço no intervalo entre 1991 e 2014, sendo que só nos últimos cinco anos — anos em que a crise geral implodiu a economia capitalista espanhola com especial potência — os salários dos funcionários públicos minguaram em 11,5% do seu poder de compra.

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Jovem exibe cartaz contra o Banco Central Europeu

A julgar pelos engendros do gerenciamento Mariano Rajoy e da Europa do capital monopolista, esta situação só tende a piorar. Com os salários congelados e se degradando há quatro anos consecutivos, os trabalhadores da administração pública da Espanha já foram avisados que em 2015 não será diferente, ou seja, mais um ano de acúmulo de defasagem em relação ao Índice de Preços ao Consumidor. Além disso, os funcionários públicos espanhóis vêm sendo penalizados ainda com um sem número de cortes e supressões de direitos historicamente conquistados pela via das lutas classistas, como o fim do chamado “subsídio de Natal”, extinto desde 2012.

Já os trabalhadores da administração pública da Grã-Bretanha intentam fazer neste mês um outubro classista contra o congelamento salarial imposto pela administração do capitalismo britânico desde 2010. Para o dia 15 está agendada uma greve de 24 horas que pode abranger até 250 mil funcionários públicos.

Nos dias imediatamente anteriores param os profissionais de saúde e os trabalhadores da função pública nos municípios, respectivamente nos dias 13 e 14, em uma sequência coordenada na qual durante três dias grande parte da administração pública britânica estará paralisada sob a autoridade da classe trabalhadora. No dia 18, no fim desta semana de lutas, está prevista uma grande marcha do mundo do trabalho que promete sacudir a capital Londres.

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Enfrentamento com a tropa de choque da polícia fascista

Na Grã-Bretanha a deterioração dos salários ante a inflação e ao aumento de impostos, como o aumento da contribuição previdenciária, já bate na casa dos 20% desde que a “austeridade” virou a palavra de ordem na “terra da rainha parasita”.

Ansioso por voltar ao poder, o chamado Partido Trabalhista, a gente da laia de Tony Blair, já tenta manejar a questão salarial com o veneno eleitoreiro, prometendo mais que dobrar o salário mínimo britânico (hoje de 6,31 libras por hora), visando a farsa eleitoral agendada para maio de 2015, quando os britânicos novamente serão chamados às urnas para decidir entre a direita e a direita que se diz esquerda, em mais um circo sufragista em que os “artistas” se apresentarão com aquelas velhas e outras novas piruetas, mas que promete ser mais uma eleição com abstenção recorde no mundo.

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