Vida e monumentos à cultura popular

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Na sua edição de número 11, em Julho de 2003, AND já fazia uma homenagem ao artista plástico pernambucano falecido no último dia 23 de Setembro aos 90 anos.

Abelardo Germano da Hora nasceu no dia 31 de Julho de 1924. Aos 12 anos inscreveu-se no curso de Artes Decorativas no Colégio Industrial Professor Agamenon Magalhães, por falta de vagas no curso de mecânica e para acompanhar o irmão que queria ser escultor.

Destacou-se logo o seu talento nas primeiras aulas e três anos depois ganhou uma bolsa na Escola de Belas Artes do Recife, onde foi eleito presidente do diretório acadêmico.

Liderava um grupo de estudantes que “resolveu sair dos espaços fechados para pintar a vida, deixar de lado os modelos de gesso para retratar a vida do povo e as paisagens pernambucanas”.

Numa dessas excursões, já no fim do curso, seu trabalho chamou a atenção do industrial Ricardo Brennand, que o convidou a trabalhar com cerâmica artística na Usina São João, onde passou a morar e conviver (e ensinar) com o futuro artista plástico Francisco Brennand. Pratos e jarros com motivos florais, da cultura nordestina e artefatos em terracota foram suas especialidades nesta época, que durou três anos.

Em 1945, teve breve passagem pelo Rio de Janeiro e começou a dedicar-se às esculturas. Nesta época começou suas preocupações políticas, inicialmente na luta contra o cancelamento do Salão Nacional, encabeçada por artistas, jornalistas e intelectuais.

Primeira exposição e filiação ao PCB

Em 1947 voltou ao Recife com a intenção de criar uma sociedade de artistas para lutar em defesa das artes no Brasil e de fazer uma exposição na capital pernambucana. Passou todo o ano trabalhando em obras para sua primeira exposição que aconteceu em Abril de 1948, na Associação dos Empregados do Comércio de Pernambuco. Esta foi a primeira exposição de esculturas realizada na cidade. Neste ano, juntamente com Hélio Feijó criou a Sociedade de Arte Moderna do Recife. “O interessante é a gente começar a formar na mentalidade dos artistas esse amor pela tradição e pelas coisas do Brasil.”

A partir daí começou a se impressionar com as coisas da Cultura Popular, “mas como a luta contra a desigualdade, contra a miséria, na minha cabeça estava muito cheia, eu comecei a fazer uma série de esculturas expressionistas, como a ‘Fome e o Brado’ que foi praticamente a bandeira da minha primeira exposição em 1948. ‘A Fome e o Brado’: o brado contra a fome e a miséria”.

Foi também em 1948 que Abelardo da Hora começou a militar no Partido Comunista do Brasil (PCB) e conheceu sua futura esposa, Margarida Lucena, falecida em 2010.

Depois de assumir a presidência da Sociedade de Arte Moderna do Recife, abriu um curso de artes plásticas no Liceu de Artes e Ofícios. Pouco depois, o diretor do Liceu precisou da sala que havia cedido, então Abelardo decidiu cotizar com os alunos (participando ele mesmo da cota) e alugar uma sala para ministrar as aulas gratuitamente. Daí surgiu o Ateliê Coletivo, do qual se tornou professor e diretor, dando impulso fundamental para a construção da espinha dorsal da arte pernambucana no século XX. Deste curso participaram grandes nomes das Artes plásticas como Gilvan Samico, Zé Cláudio, Wilton de Souza e Wellington Virgolino.

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