Vitorioso 6º Congresso da LCP

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Ativistas da Liga dos Camponeses Pobres agitam suas bandeiras vermelhas de luta: "Viva a Revolução Agrária!"

Camponeses que lutam, vivem e produzem em seus lotes na terra conquistada, tomada do latifúndio; camponeses acampados, que estão resistindo a ataques de pistoleiros e polícias; e camponeses sem terra mobilizados por convocação reuniram-se, nos dias 27 e 28 de setembro, em Jaru, no 6º Congresso da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental.

Também participaram representantes de movimentos democráticos e populares como a Liga Operária, Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belo Horizonte, Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), Movimento Feminino Popular (MFP), Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo), Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap), Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação (Moclate) e Escola Popular. Foram lidas saudações de movimentos e organizações do Brasil e outros países que não puderam estar presentes. Uma advogada popular do México, que está no país pesquisando sobre a luta pela terra, também fez sua saudação ao Congresso.

“Aumentar as tomadas de terra do latifúndio!”, “Não votar!” e “Viva a Revolução Agrária!” foram as consignas levantadas pelos camponeses na mobilização para as atividades.

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Manifestação pelo boicote às eleições

O 6º Congresso da LCP foi aberto com uma calorosa manifestação pelas ruas de Jaru conclamando o povo a boicotar as eleições. Agitando faixas, bandeiras e cartazes, os camponeses organizados em filas gritaram palavras de ordem e entoaram canções de luta. Tochas acesas seguradas pelos manifestantes iluminaram o protesto e deram um tom vibrante a noite de Jaru, chamando a atenção da população. Em frente ao maior supermercado da cidade, sob aplauso geral, manifestantes queimaram cavaletes com a propaganda enganadora de candidatos. O ato chamou a atenção dos trabalhadores dos comércios. Motos e carros buzinavam em sinal de apoio. Os manifestantes representavam o sentimento da maioria do povo brasileiro que cada dia mais repudia as eleições podres e corruptas.

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Manifestantes queimam cavaletes de candidatos

A Santa Elina é do povo!

A LCP sempre reverencia os bravos camponeses da heroica Batalha de Santa Elina, ocorrida em 1995, pois guarda as melhores tradições de luta do povo brasileiro, daqueles que sabem que não é possível reformar este sistema podre e que os direitos do povo, especialmente a terra para quem nela trabalha, só serão conquistados com luta dura. Para a Liga, a Batalha de Santa Elina é uma luz que guia a luta camponesa.

Desde sua fundação, em 1999, a LCP fez o compromisso de retomar a fazenda Santa Elina, em Corumbiara. Diferente dos políticos eleitoreiros que só prometem, os bravos camponeses organizados pela LCP e Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina (Codevise) cumpriram sua palavra em 2010, quando tomaram parte da fazenda, cortaram e distribuíram para famílias. É o povo fazendo justiça.

Defender a posse das terras pelos camponeses

Vários presentes no 6º Congresso são posseiros. Apesar de não possuírem documentos de propriedade de suas terras, nelas vivem e trabalham há muitos anos. Eles lutam pela regularização para ficarem livres das ameaças constantes de despejos.

Camponeses presentes no Congresso denunciaram que há vários casos de famílias que foram obrigadas a vender seus lotes por não conseguirem saldar suas dívidas nos bancos. Também debateram a necessidade de lutar pelo direito ao acesso a energia elétrica. Em Rondônia, aproximadamente vinte mil famílias vivem no escuro, segundo recente levantamento feito por várias entidades envolvidas com a questão agrária.

“É uma vergonha que isso ocorra em um estado onde estão sendo construídas duas grandes usinas hidrelétricas, financiadas com recursos públicos e que gerarão energia para empresas estrangeiras que funcionarão em São Paulo” denunciou um camponês, que chamou a atenção para o fato de milhares de trabalhadores terem perdido suas terras e casas alagadas e destruídas pelas obras das usinas. Membros da Liga Operária denunciaram na plenária que mais de 40 operários foram mortos nas obras dessas usinas e linhas de transmissão de energia devido às péssimas condições de trabalho.

Os camponeses também denunciaram as dificuldades impostas e os ataques dos governos contra a produção. Denunciaram a cobrança de taxas como o imposto sobre o transporte de porcos e galinhas para comércio. Fiscais estão proibindo a venda de vários produtos tradicionais em feiras livres alegando “falta de higiene”. Os camponeses têm grandes dificuldades de acesso ao gás e a combustíveis devido à proibição do transporte desses produtos.

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Tochas iluminaram as ruas de Jaru durante manifestação

Crescem as tomadas de terra do latifúndio

Chupinguaia, Ariquemes, Buritis, Alto Paraíso, Monte Negro e Cujubim estão agitadas por tomadas de terra. E a LCP aproveitou o 6º Congresso para anunciar novas grandes tomadas na região.

Os coordenadores da LCP destacaram a elevação das tomadas de latifúndios em Rondônia no último período, apontando que isto está relacionado com o aumento do desemprego provocado pela diminuição das obras das usinas Santo Antônio e Jirau e devido à grave crise econômica geral no país. Outra causa é a falência da reforma agrária do governo. “Nos 12 anos de gerenciamento petista o Incra assentou muito menos até que a gerência de Fernando Henrique Cardoso (PSDB)” — denunciam.

Amigo dos latifundiários, inimigo dos camponeses

Durante os debates do 6º Congresso, os camponeses recordaram que Luiz Inácio Lula e o PT se elegeram prometendo dar terra aos camponeses, mas que após 12 anos de gerência do velho Estado, desataram feroz repressão contra os que lutam pela terra.

Atualmente, mais de 20 camponeses são presos políticos em Rondônia. Número mais absurdo e criminoso é o de camponeses assassinados em conflitos agrários, que cresceu na gerência petista. O 6º Congresso aprovou uma moção de repúdio ao delegado Lucas Torres, responsável pela investigação do assassinato do líder camponês Renato Nathan em abril de 2012. Esse delegado, no último período, cometeu resposta à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal dos Deputados, dizendo que o líder camponês Renato Nathan era “um bandido” e foi “o único responsável por sua própria morte”.

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