“O segundo turno deveria ser entre Dilma e o fim da Democracia Representativa”

A- A A+

http://www.anovademocracia.com.br/139/09c.jpg

A frase do título, de uma ativista anarquista em uma rede social, nos chama atenção para a importância de se analisar a política por fora de vícios normativos. Se fosse mesmo democrático, o procedimento eleitoral deveria dar conta de dissolver o sistema político e permitir a discussão de sistemas alternativos.

Fomos 38.797.556 os eleitores que decidimos não participar do teatro eleitoral (enquanto o segundo mais votado recebeu o apoio de 34.897.211), seja porque ninguém nos representa, ou porque a diferença entre os candidatos não é suficientemente relevante, ou porque sabemos que mudanças políticas profundas não podem ser realizadas por meros figurantes do poder, ou porque o melhor candidato jamais teria poder suficiente para implementar suas propostas, ou porque a corrupção é endêmica e afeta a todos os partidos que chegam ao poder, ou porque não acreditamos na inviolabilidade da urna eletrônica, ou simplesmente porque tínhamos algo mais importante ou interessante a fazer, ou tudo isso junto entre muitas outras razões.

O que muitos cientistas políticos tentam ignorar é que o próprio sistema político está caducado. Ficou velho, podre e viciado em sua própria existência. Se mesmo com a obrigatoriedade do voto e uma soma bilionária em gastos de marketing eleitoral, somos a segunda preferência do eleitorado, quer dizer que a política do Estado está realmente muito desgastada e desacreditada. Na verdade, o próprio Estado está desgastado. Ou ele existe na base da força física e do abuso permanente da autoridade, ou ele existe fazendo do abuso da autoridade uma exceção tão permanente que se torna a própria regra tácita, que, por não ser a regra declarada necessita configurar indivíduos em cidadãos e exigir deles alguma participação para legitimar a ordem.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Na prática a representação funciona como legitimação, pois nenhum partido, político ou candidato é capaz de aglutinar e representar a todas as singularidades da multidão. E as preferências de uns sempre serão excludentes às preferências de outros. Qual predominará nas instituições do Estado serão aquelas com maior afinidade aos grupos sociais cujas regras constituídas lhes deram as condições necessárias para exercer poder sobre essas instituições. Em uma sociedade em que o dinheiro compra tudo, não é difícil concordar com Marx, quem controla a economia, controla a política, ou com Proudhon, que a política só é relevante se suas alterações forem acompanhadas de alterações equiparáveis na economia.

Mas no formato atual das instituições, qual a possibilidade de transformar a economia através de um procedimento político direta e indiretamente subordinado ao paradigma econômico? Nenhum. A questão, finalmente, é se há possibilidade de uma política transformadora no Estado, se a política do Estado sempre estará condicionada às condições estabelecidas por quem o governa. Seja príncipe, partido, igreja ou empresa.

*Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Autônoma de Barcelona e Professor Permanente do Mestrado em Sociologia Política da Universidade Vila Velha.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja