“Liberdade para todos os presos políticos!”

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Dr. João Tancredo fala durante a atividade

No dia 30 de setembro, A Nova Democracia fez a cobertura completa do evento de lançamento da campanha unificada “Liberdade para Caio Silva, Fábio Raposo, Rafael Braga e a extinção de todos os processos políticos” no auditório do curso de Serviço Social da UFRJ, na Praia Vermelha, Zona Sul do Rio. O evento reuniu ativistas, advogados do povo e familiares dos presos e perseguidos políticos. Durante o lançamento da campanha, o comitê de apoio ao AND fez a divulgação e venda de jornais, livros e filmes para os presentes.

O evento foi marcado pelo depoimento emocionado de Marilene Mendonça, mãe de Caio Silva, preso em fevereiro junto com o jovem tatuador Fábio Raposo, acusados pelo assassinato do cinegrafista Santiago Andrade, da rede Bandeirantes de televisão.

— Quem vai para uma manifestação, não vai com a intenção de matar ninguém. Eles [Caio e Fábio] estavam tão assustados com o que fizeram, que eles não conseguiam acreditar que aquilo havia acontecido. Por isso que eles se entregaram. Eles não tinham a intenção de fugir. Eles tinham medo, inclusive, de que a própria polícia os matasse. A intenção era eles se entregarem e responderem em liberdade por essa fatalidade. Porque foi uma fatalidade, um infortúnio. E eles sofrem muito com isso tudo. Não pela cadeia, mas pelo que eles fizeram ao Santiago e sua família. Para eles, isso é pior do que a morte — disse a mãe de Caio.

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O lançamento da campanha encheu o auditório do Serviço Social da UFRJ

— Acho que é a primeira vez que eu choro em um evento assim. Porque tudo o que eu ia falar, denunciar e pontuar ficou muito pequeno perto da fala da Marilene, quando ela diz que o menino dela está lá dentro penando, sofrendo por conta do mal que causou a outra pessoa. Um jovem, que como meu filho, abdicou da luta só pela sua sobrevivência, para cair na rua e lutar pelos direitos de todo o povo. Nós gostaríamos de saber quando esse Estado vai mudar de posição. Porque nós já temos três pessoas encarceradas em situações diferentes. Um deles já está preso e condenado a cinco anos por causa de um frasco de detergente. Só aí, mesmo que ele fosse o único, já teríamos um grande motivo para lutar, pois Rafael foi preso porque é negro, morador de rua e foi escolhido e forjado para servir de exemplo a quem tem o atrevimento de enfrentar esse Estado — disse Cristina Baroni, mãe de Leonardo Baroni, ativista perseguido na véspera da final da Copa do Mundo.

Pronunciaram-se em defesa dos presos políticos, o advogado João Tancredo, do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos, o DDH; o diretor do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), José Pimenta; o advogado Marino D’Icarahy, que defende doze dos 26 ativistas perseguidos e processados; Felipe Nicolau, membro da Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo); representantes da Frente Independente Popular (FIP-RJ) e do Comitê Pela Liberdade de Rafael Braga. Também marcaram presença vários familiares e amigos dos presos, além de inúmeros ativistas que foram ao local prestar apoio a essa justa luta contra o fascismo que inaugura mais uma fase. Como diz a voz das ruas: “Presos políticos, liberdade já! Lutar não é crime! Vocês vão nos pagar!”.

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Banquinha montada pelos familiares para arrecadar fundos

— É por esse ambiente político e jurídico de exceção que se justifica perfeitamente o levantamento das vozes dos familiares atingidos. E eu também sou um desses, já que meu filho está entre os perseguidos. Se justifica também esse ato que estamos fazendo aqui nessa sala repleta e representativa, preparada para repercutir essa luta contra a criminalização do ativismo político, contra a criminalização da pobreza e pela extinção de todos esses processos infames e a libertação de todos os presos políticos — afirmou o advogado Marino D’Icarahy, pai do ativista Igor D’Icarahy, preso na véspera da final da Copa do Mundo e libertado dias depois.

— A justiça não serve para fazer justiça. Ali que se fazem as piores coisas contra as organizações populares. Ali se juntam a polícia, o Ministério Público e a Magistratura. Mais o poder executivo, pronto! Está formada a quadrilha para cometer crimes permanentemente contra a humanidade — alertou o advogado João Tancredo.

— Eu fico preocupado com esse clamor da sociedade por punição. “Porque a justiça tem uma venda?”. A justiça não tem venda nenhuma, não. Ela é completamente comprometida com o status quo e não pretende mudar isso. Eu não estou falando de juiz parcial, juiz venal. Eu não estou individualizando o problema. Estou falando do seu aspecto ideológico. Eu falo da classe social que ele integra, que ele frequenta. Nós não temos juízes da classe operária. Os cursos fazem funis necessários para que somente a classe dominante esteja lá instalada — analisou João Tancredo.

— Isso aqui é uma continuidade das manifestações. Esse número expressivo de familiares dos presos presentes aqui é uma expressão da legitimidade da luta dos seus filhos. Várias vítimas e familiares de vítimas da violência policial deveriam estar aqui, porque essa luta é a expressão da luta contra o fascismo no Brasil atualmente — disse José Pimenta, do Cebraspo.

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