Editorial - Culpem a si mesmos, caros oportunistas

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O oportunismo reformista eleitoreiro, autodenominado por “esquerda socialista”, ainda não digeriu bem o resultado do primeiro turno da farsa eleitoral. Sobretudo os números de abstenções, votos nulos e brancos, os maiores da história, deixaram as siglas da falsa esquerda indignadas, uma vez que, na sua maioria, tiveram resultados próximos do vexame.

E que fique bem claro que tal fiasco nada ou pouco tem a ver com a indigência de sua campanha eleitoral, na qual nada de esquerda e menos ainda de socialista se viu, senão que só é confirmação de que esta farsa eleitoral é mesmo para bandidos de alto coturno financiados a peso de ouro.

Por falar nos bandidos, “quanta ingratidão!”, dizem os governistas PT/pecedobê, ainda entalados com a perda de 23 cadeiras na câmara dos deputados – mais de 20% – e 3 no senado. Sim, porque esses ilustres dignitários da república, depois de 12 anos à testa do velho Estado, já se julgam os maiores benfeitores da humanidade, acreditando eles mesmos em sua contrapropaganda biliardária.

E o que dizer do playboy bombado por todos os meios e modos no mais artificial frenesi, onde a tucanalha não se contém de euforia, esfrega as mãos e lambe os beiços, prometendo salvar a pátria?

Mas resta ainda o segundo turno, quantos vão boicotá-lo?

Durante a campanha, o velho Estado, através do TSE, se esmerou em convocar a população às urnas, se apropriando inclusive da consigna de “Vem pra rua!” da juventude combatente e a transformando no ensebado “Vem pra urna”. As distintas siglas do Partido Único requentavam velhos bordões para cativar os não votantes chamando a “protestar nas urnas”. Depois do pleito, revelada a inocuidade de tal prática, choveram recriminações colocando a culpa do “triunfo da direita” em quem não votou.

Apegados “como nunca na história desse país” a seus lugarzinhos rendosos no velho Estado, para os quais se venderam por muito menos que um prato de lentilhas, não ousam reconhecer na sua própria maneira de fazer política as razões de sua derrota.

Porque definitivamente a velha cantilena plebiscitária de direita versus esquerda encontra cada vez menos eco entre o povo, que vem aumentando sua consciência de que a atual gerência do velho Estado nada mais é que a continuação dos sucessivos lacaios do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia.

De nada adiantaram as tentativas de usurpar a revolta popular de 2013 e canalizá-la para os podres fins eleitoreiros. Das siglas oportunistas que assim se portaram, como PSTU e PSOL, apenas o último logrou algum êxito, mesmo assim porque elegeu o Rio como sua praça forte, alavancando bancada para a câmara federal. Contudo, no senado caiu de dois para um representante.

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O fato é que os não votos chegaram ao segundo lugar na votação presidencial. Em alguns estados, bateram o primeiro colocado no pleito a governador. Os números para senador e deputados são assustadores. Se somarmos os que votaram em alguém por medo disso ou daquilo, com certeza o boicote seria o grande vencedor das eleições.

E só não foi o vencedor numérico, mas se considerarmos as condições da “campanha”, o voto obrigatório, a ausência de patrocínio e dinheiro do fundo partidário, nenhuma aparição em rádio e televisão, o boicote alcançou grande popularidade. Isso também é uma lição aos oportunistas que pretendem reformar o sistema eleitoral para disputar em “igualdade de condições” com as candidaturas ungidas pelo imperialismo.

Isso nos leva à palavra mágica “legitimação”. Segundo as siglas que se autodenominam “de esquerda” ou “dos trabalhadores”, o boicote “legitimou” a vitória da “direita”. Muito pelo contrário, o boicote estrondoso nega exatamente a legitimidade das eleições e seu resultado, ainda que a participação dessa escumalha oportunista que implora por votos tente representar alguma coisa legítima. Tal choraminga só faz de seus autores partidários de mais um argumento da vala comum da politicalha burguesa-latifundiária, a de que a culpa da própria derrota ou vitória do adversário é culpa do povo, dos eleitores.

Pode um governador eleito em primeiro turno, como na Bahia, reivindicar legitimidade se teve menos votos que as abstenções, nulos e brancos?

O triunfo dos Bolsonaros não é resultado das jornadas de protesto popular de 2013, como os acadêmicos de meia pataca estão repetindo agora. E jamais a Marina será herdeira das aspirações daqueles que se rebelaram no ano passado. E embora o boicote, por si só, não signifique mudança nenhuma, observemos os próximos lances. Há mais insatisfação a explodir nos próximos anos e os números de boicote não são mais que mera sinalização.

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