Uruguai: A grande greve na saúde pública termina vitoriosa

Montevidéu - Após um grande conflito de 56 dias — iniciado com ocupações de policlínicas em bairros periféricos, uma paralisação generalizada, dirigida pela Federação de Funcionários da Saúde Pública e pelos médicos do Sindicato Médico do Uruguai, seguido por ocupações dos principais hospitais do país durante 33 dias —, foi firmado o acordo com o governo no dia 12 de setembro. 

A luta foi concentrada no aumento salarial fixo de 2 mil pesos, cerca de 70 dólares, para todo o pessoal não médico (que recebe em média 4.500 pesos) e de 1.500 pesos para os médicos que recebiam menos de 4.500. Havia outros pontos, onde se avançava na estabilidade trabalhista, e diversos temas econômicos.

O governo, ao longo desse conflito, decretou esses serviços como essenciais, reprimiu e, inclusive, desalojou um hospital com a ajuda da polícia. Também utilizou a Justiça, obrigando os dirigentes a se apresentarem. Ameaçou os trabalhadores, constantemente usando a expressão “terroristas assistenciais” para se referir aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, afrouxou — não de todo, porém, na maior parte dos pontos não salariais — concedendo um aumento por parcelas de 800 e 1 mil pesos que, nas condições atuais, para os 10.500 trabalhadores e mais de 2 mil médicos que recebem 1.500 pesos é uma vitória importante, pois os servidores em geral receberam algo em torno de 2% de aumento.

A luta abriu caminho, desde as últimas eleições do sindicato, quando surge uma nova direção com mais peso classista e de estilo democrático, se erguendo da base uma onda incontida. Ao final, 20% da assembléia queria manter o movimento.

Entre os médicos, ocorreu algo distinto: a direção moderada perdeu várias assembléias ante à firmeza dos trabalhadores em geral e não pôde mais resistir. Isso pesou, num país onde à crise e à recessão se somam, agora, mais tarifas, o aumento de mais de 50% sobre o preço da carne, etc.

No movimento sindical, desta vez, o apoio foi maior por pressão do classismo que ganhou posições, e das massas em geral que o apoiaram desde o início da luta. Foi concretizada a Paralisação Geral em 28 de agosto, atingindo seus objetivos, com as ações nos hospitais e várias passeatas — a das ‘túnicas brancas', de 4 de setembro, que reuniu 20 mil pessoas, foi decisiva para definir o movimento.

Na luta, o governo foi obrigado a substituir o ministro da Economia. Não só por essa razão, houve uma crise no Ministério da Saúde Pública, acompanhada de renúncias.

Em resumo, o combate não se generalizou, como pretendia o movimento, porém mostrou, na prática, ser possível derrotar o governo na luta por salário e saúde.

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