“Precisando tem mais, viu?”

A- A A+
Brasília – A chamada “privatização”, levada a cabo durante o “governo” do presidente Cardoso (1995-2003), na realidade, um desmonte generalizado do patrimônio nacional, favoreceu bandidos e quadrilheiros que se encontravam instalados na administração federal. Destruíram tudo e ninguém é chamado à responsabilidade. 

O que existe é uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista — Banestado 1 —, apurando a remessa de mais de US$ 30 bilhões para o exterior. O caso envolve o ex-braço direito de Cardoso, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e ex-tesoureiro de suas campanhas presidenciais, Ricardo Sérgio.

A empresa Eletricidade de São Paulo S/A — Eletropaulo 2 —, por exemplo, “vendida” à ianque AES Corporation, acaba de ser devolvida em 50%. Vendida, aliás, não é bem o termo. Em 1998, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emprestou à Lightgás, que hoje se chama AES Elpa, a quantia de US$ 888,6 milhões para que “comprasse” a Eletropaulo.

Já no vencimento da primeira parcela, em fevereiro de 99, informaram não ter dinheiro. Não houve problema. O BNDES, em janeiro de 2000, emprestou mais US$ 1 bilhão a longuíssimo prazo. E todos lembram que Cardoso anunciou, no instante da vergonhosa entrega, que estava pagando nossas dívidas externa e interna e que iria deixar dinheiro em caixa para a entrada do Brasil no chamado Primeiro Mundo.

Apesar de não pagar a dívida, a empresa aumentava as tarifas de energia elétrica e enviava dinheiro para a matriz, no exterior, a título de “remessa de lucro”. Dinheiro do povo brasileiro, emprestado a fundo perdido, doado pelo BNDES. Enquanto isso, Cardoso passeava, recebendo medalhas, comendas e títulos inúteis, um autêntico pavão, traindo o Brasil, entregando suas riquezas, atuando como um covarde, moralmente desqualificado.

Quando Itamar Franco, então governador de Minas Gerais (1999-2003), colocou tropas da Polícia Militar mineira para desviar o rio que alimenta Furnas 3, caso Cardoso “privatizasse” a empresa, a revista Veja e a Rede Globo o chamaram de “maluco”.

A Veja, braço impresso do capital financeiro internacional, colocou Itamar Franco na capa, vestido como general francês, e o seguinte título: “Napoleão de Hospício”. E o resto da mídia foi na onda, chamando-o de irresponsável (embora a mais irresponsável tenha sido a própria mídia). O governador, com tal atitude, impediu a entrega de nossas hidrelétricas. Cardoso tinha as ações engatilhadas para doar tudo, inclusive os rios.

Na Argentina, onde o governo do presidente Néstor Kirchner resolveu prorrogar o pagamento da parcela de US$ 2,9 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a situação é de desespero.

A imprensa brasileira, mais uma vez, condena o presidente argentino, alegando que “dívida tem de ser honrada”. Muito bem: e o que dizer da AES, que não paga o empréstimo ao BNDES e continua a majorar tarifas? O que fazer? Será que vão defender a prisão de Cardoso, um lesa-pátria que concedeu tudo e contribuiu para o desmonte nacional?

Essa dívida externa, que deveria ser chamada de eterna, já foi paga várias vezes. Impossível que se deva tanto. Por que não se mais,viu?” faz uma auditoria? Esses juros de agiota vão estrangulando o país e a dívida é absolutamente impossível de ser saldada. Mas o governo do Partido dos Trabalhadores (PT) acaba de criar dois programas de privatização: o Pips e a PPP 4. Melhor induzir a população a cometer suicídio coletivo, entregando o país de uma vez por todas.


Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Notas da Redação:
1
Em 2001, a Polícia Federal chega à Nova York para investigar remessas de US$ 30 bilhões para contas do Banestado (Banco do Estado do Paraná) no exterior, feitas por meio das contas CC-5 (Carta Circular do Banco Central, nº 5), que permite às empresas estrangeiras ou pessoa física abrir contas no Brasil desde o exterior, como também sacar o valor em conta corrente convertido em dólar. Verificou-se que um grupo de doleiros operava essas contas. O dinheiro foi distribuído para outros bancos no USA, depois enviado para paraísos fiscais. A PF suspeita que, uma parte do dinheiro seja proveniente do tráfico. A investigação deu origem a um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado brasileiro. Seguindo orientação do Planalto, o líder do governo, Aloizio Mercadante (senador, PT-SP), articulou o enceramento da CPI, justificando que ela criaria obstáculos para a discussão e votação das reformas tributária e da Previdência.
2
A Eletropaulo, maior empresa de distribuição de energia elétrica da América Latina, foi esquartejada em janeiro de 1998, em quatro: Emae (geração), Epte (transmissão), Metropolitana (distribuição) e Bandeirante (distribuição), para facilitar a sua desnacionalização, que de fato ocorreu em 15/04/1998. A Eletropaulo passou para as mãos das AES Corporation (ianque), Reliant Energy (ianque), Companhia Siderúrgica Nacional- CSN (capital minado, ou “misto”, por gringos); a Electricité de France-EDF (francesa). Em 2001, saem a Reliant e a CSN. A AES passa a administrar a Eletropaulo, como planejado.
3
Furnas Centrais Elétricas S/A.
4
Pips — Incentivo à implementação de Projetos de Interesse Social; PPP — Projeto de privatização denominado Parceria Público-Privada no país.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja