Colômbia: exército mente e continua repressão a camponeses

http://www.anovademocracia.com.br/140/15.jpg

Tropas militares continuam ocupando uma área rural no munícipio colombiano de Macarena e reprimindo agricultores pobres da localidade de San Juan de Lozada, conforme denunciou recente relatório da entidade Reiniciar (Corporação para a Defesa e Promoção dos Direitos Humanos).

Os camponeses e organizações de direitos humanos tinham acreditado em promessas feitas por um comandante regional do Exército, durante assembleia realizada em 27 de julho, de que os soldados desocupariam o vilarejo de San Juan e que as ações abusivas contra os moradores, bem como ataques armados a diversas casas (cometidos por “desconhecidos”, provavelmente integrantes da própria tropa de ocupação), seriam investigados.

Agora, no fim de setembro, a comunidade constatou que nada foi feito e que o Exército mentiu. A ilusão de que diálogos e acordos com os podres poderes das classes dominantes possam resolver problemas do povo oprimido é comum em locais e situações onde grupos verdadeiramente revolucionários não existem. Os revezes, como este ocorrido no vilarejo colombiano, embora lamentáveis, têm a qualidade de aguçar o senso crítico das massas e promover o amadurecimento de lutas populares mais consequentes.

Relembrando o caso

Conforme nota da Associação Nacional de Zonas de Reserva Camponesa (ANZORC) que AND publicou na edição no.134 (segunda quinzena de julho), o quadro em San Juan naquele mês era o seguinte:

“Neste local há tropas acampadas dentro e ao redor da parte urbana, a cargo do major Leonardo Portela (ou Miranda) vinculado ao Batalhão de Combate 71 da Brigada Móvel Nº 9, o qual viola as normas estabelecidas no Direito Internacional Humanitário (DIH).

Em novembro de 2013 essas tropas chegaram a San Juan de Lozada, onde instalaram dentro e ao redor do casario dois acampamentos militares, permanecendo até hoje e cometendo infrações ao postar-se perto das moradias da população civil e fazendo ocupação de terrenos comunitários como: a pequena casa comunal, a praça da feira e o prédio de propriedade do senhor Jairo Andrés Giraldo.

Desde a chegada do Exército Nacional em San Juan, têm sido constantes as agressões e os operativos (detenções, interrogatórios ilegais e registros fotográficos e em vídeo de carteiras de identidade e de pessoas).

Perto das 7:50 da noite de 4 de julho de 2014 se produziu um metralhamento indiscriminado contra as casas do centro povoado no setor 3, que deixou como resultado o pânico e o terror entre a comunidade, ademais dos danos contra a residência de Ángel Humberto Torres Zapata, representante legal da Associação Camponesa Ambiental Lozada-Guayabero e membro da ANZORC.”

No documento, a Associação responsabilizava o gerente Juan Manuel Santos Calderón (“presidente” da República), o ministro de Defesa Nacional Juan Carlos Pinzón e o major Leonardo por todas as violações verificadas naquela comunidade. E marcava uma assembleia, tendo também militares como convidados, para 11 de julho.

Transferida para 27 de julho, a reunião contou com a presença de moradores/camponeses, diversos organismos de direitos humanos (inclusive ONGs internacionais) e o coronel Baquero, do comando do Batalhão Caçadores de San Vicente Del Caguán.

O representante do Exército prometeu que os soldados desocupariam o vilarejo; que os “direitos humanos” passariam a ser respeitados; que as ações abusivas contra os moradores, bem como ataques armados, seriam investigados.

O otimismo (ou a ilusão) foi grande. E o noticioso Prensa Rural deu a seguinte manchete no dia 30 de julho, na internet: “Realizam-se acordos entre a ZRC de Lozada-Guayabero e a Brigada Móvel no. 9”.    

Marcou-se nova assembleia, para avaliação das medidas adotadas, para 27 de setembro com a presença de Baquero.

Resultado: o homem não apareceu. E pior, a entrada de militares na sala, chefiados pelo major Leonardo Miranda (ou Portela), não foi para participar de nada e sim para fotografar e fichar todos os presentes.

A denúncia foi feita por Esmer Montilla Gutierres, presidente da DHOC (Fundação pela Defesa dos Direitos Humanos do Oriente e Centro da Colômbia) à entidade Reiniciar e publicada em relatório desta, na internet.

Nem é preciso dizer que a avaliação da assembleia foi de que nenhuma medida foi adotada pelo Exército, nenhuma promessa foi cumprida, e a repressão prossegue.

____________
Fontes utilizadas: Relatório, em sítio na internet da entidade colombiana Reiniciar (Corporação para a Defesa e Promoção dos Direitos Humanos). (Reportagem) Se logranacuerdos entre la ZRC de Lozada-Guayabero y la Brigada Móvil no. 9; 30 de julho 2014, em sítio prensarural . org.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro