Editorial - PT ressuscita a múmia PSDB

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O derradeiro capítulo da presente farsa eleitoral se encerrou com um suspiro de alívio da camarilha petista, como o de quem escapa da morte por um triz. Mas sua vitória apertada já é reveladora de uma situação de crise que ocupará o cenário político doravante.

E é com pompa e circunstância que os próceres e corifeus das principais siglas do Partido Único, vencedores e derrotados da farsa eleitoral, regozijam-se cometendo declarações em frases de efeito de que quem venceu foi a democracia. Isto para fazer o panegírico de instituições, as quais não podem mais que ser nominadas de escombros de uma velha democracia, valhacouto e tugúrios da moral.

Basta ver os pilares de tal ordem que Dilma chamou de uma das maiores democracias do mundo: PT, PSDB e PMDB, só para ficar no principal do entulho. Uma mirada no cenário político nacional de um ano e meio atrás, comparada com o desfecho da farsa eleitoral, é suficiente para concluir que a maior façanha política do PT foi a de ressuscitar a múmia PSDB. Aí estão como sempre os fantasmas e monstros do lado ou por trás da nova direita a que se alçou o PT: os Sarneys, os Barbalhos, os Calheiros e Collors, e, como contraponto do “jogo democrático”, um PSDB assentado e legitimado nas regiões mais desenvolvidas, mais ricas e mais populosas do país.

Esse verdadeiro estado de calamidade pública – expressão da decomposição do velho Estado genocida brasileiro, de seu sistema e regime políticos e de sua base econômico-social, o capitalismo burocrático e a dominação semicolonial imperialista vigentes no país – é a face do resultado eleitoral. Para isso as duas candidaturas se valeram dos recursos mais ignóbeis para faturar votos. Foi um show de falso moralismo anticorrupção, de falso combate à corrupção, de ameaças de volta à Idade Média e de ofensas pessoais distribuídas subterraneamente (assim como os dois fizeram com Marina, que era igual a eles).

De maneira geral, as duas campanhas confirmaram (não era necessário) mais uma vez que as duas candidaturas eram iguais na essência da subjugação nacional e dos favorecimentos ao latifúndio e à grande burguesia. Nos “debates” televisivos, propagandas eleitorais, em qualquer lugar, nada se viu sobre os problemas fundamentais do povo.

A democratização do acesso à terra, antes uma bandeira do oportunismo petista, não encontrou nem um sussurro de contemplação. Aliás, a vergonhosa política agrária da atual gerência, aliada ao incremento, por tropas federais, da repressão aos camponeses, indígenas e remanescentes de quilombolas, garantiu-lhe o apoio incontinenti dos latifundiários. Ao mesmo tempo, o latifúndio ganhou carta branca para assassinar camponeses, como o caso da tocaia contra o dirigente camponês Cleomar Rodrigues de Almeida, assassinado covardemente nas proximidades da tomada de terra onde morava e produzia com sua família no Norte de Minas no dia 22 de outubro, dias antes da “festa da democracia”.

Sobre a militarização que vem tomando conta das populações pobres, seja com as polícias estaduais ou as tropas do exército e da Força Nacional de Segurança ocupando os bairros proletários e invadindo acampamentos camponeses e sem-teto, o que prometeram foi ampliá-la ao máximo. E no caso dessas promessas não havia nada de cínico.

E nada foi dito, porque concordam também, sobre a perseguição e prisões políticas da juventude combatente dos protestos que se iniciaram em junho do ano passado. Claro está que aos que continuarem nas ruas está reservada a costumeira e brutal repressão em qualquer esfera.

O país continuará entregue à dominação imperialista, principalmente ianque, com a integridade da política econômica apontada para a manutenção e sobrevida dos monopólios estrangeiros, com renúncia fiscal sem garantia de empregos, enormes taxas de juros, desindustrialização, etc..

Aos operários, particularmente com o inevitável agravamento da crise, seguirão reservadas as inalteráveis precarização, achatamento salarial e as péssimas condições de trabalho, ademais do corte de direitos e de preferência, com armas apontadas para suas cabeças a pretexto de garantir a ordem nos canteiros de obras. As empreiteiras, grandes financiadoras de campanha, seguirão sendo fiéis clientes do velho Estado.

Com muito mais dificuldade que nos pleitos anteriores, as siglas eleitoreiras conseguiram transformar a farsa eleitoral em um plebiscito, algo bem ao gosto de gente escolada na política do ‘nós contra eles’, ou seja, na arte de transformar em opostos dois candidatos muitíssimos parecidos.

E talvez nem se deram conta de que cada voto para seu candidato foi, na verdade, o voto contra o outro, voto esse influenciado por preconceitos, moralismos, ataques pessoais, etc.. Ao final, as cenas de confraternização, de elegância bufa dos pronunciamentos da vencedora Dilma e do derrotado Aécio, seriam hilárias se não fossem o suprassumo do cinismo descaramento. Se bem que é ao mesmo tempo confirmação a mais de que são todos farinha do mesmo saco.

Se os números totais do boicote foram ligeiramente menores que no primeiro turno, aumentou o número das abstenções, que são a forma mais consciente e ativa de boicotar a farsa eleitoral. No Rio de Janeiro, estado tradicionalmente mais rebelde, o boicote foi o primeiro colocado, ultrapassando os votos do candidato eleito a governador.

Ao sair do período de catarse coletiva criado pelos marqueteiros, o país segue no rumo do agravamento de uma crise econômica já instalada e profunda, cujo agravamento foi adiado para depois das eleições (o PSDB fez o mesmo com a crise da água em São Paulo).

Com sua base social reduzida e resultado eleitoral ilegítimo – mesmo dentro da farsa que é – pela alquimia dos votos válidos, o oportunismo eleitoreiro mergulhará em águas turvas, pressionado por setores “críticos” a reformar a fachada imunda do putrefato velho Estado. Porém, não será capaz de atender as mínimas demandas populares.

Triunfante, Dilma discursou falando de transformações, apelando à união nacional! Descontado o cinismo de sempre, de que transformação ela falava? Falou em resposta e sintonia com as palavras que o derrotado Aécio lançou aos seus ouvidos ao cumprimentá-la pela vitória.

Preparemo-nos, aproximam-se tempestades cada vez maiores! A luta de classes está em um novo ciclo e é cada vez mais urgente derrotar o imperialismo, o latifúndio, a grande burguesia e as condições para o desmascaramento completo do oportunismo eleitoreiro, imprescindível para liberar as energias revolucionárias das massas populares, amadureceram formidavelmente.

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