México rebelde

A- A A+
http://www.anovademocracia.com.br/141/18a.jpg
Imagens da rebelião popular mexicana

O assassinato covarde dos 43 estudantes da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos, na cidade de Ayotzinapa, próxima à Iguala, estado de Guerrero, tem levado centenas de milhares de mexicanos às ruas de todo o país em combativos protestos que, não raras vezes, terminam em confrontos com a repressão do velho Estado.

Como noticiamos na última edição de AND, os jovens viajavam para participar de uma manifestação em 26 de setembro contra o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, quando foram pegos pela polícia e entregues a quadrilha narcotraficante ‘Guerreros Unidos’, que os executou. Os corpos foram encontrados carbonizados, o que causou ainda mais revolta entre o povo.

Tráfico e polícia

Segundo a Procuradoria do México, Abarca ordenou que a polícia parasse os veículos que levavam os manifestantes. O objetivo era impedir que eles se manifestassem durante um discurso de sua esposa María de los Angéles Piñeda. Houve confronto e seis pessoas morreram.

Em seguida, os agentes policiais capturaram 43 estudantes, que foram encaminhados ao cartel que comanda o tráfico de drogas na região. Eles foram amontoados em três veículos até o lixão de Cocula. Alguns pistoleiros afirmaram que 15 chegaram ao local mortos por asfixia e os demais foram assassinados de forma cruel e selvagem. O procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam, declarou que três homens detidos confessaram ter recebido os estudantes da polícia e que a ordem para a execução e incineração dos corpos partiu de oficiais.

De acordo com Murillo, os corpos foram queimados em alta temperatura (1.600º) por cerca de 14 horas. “O alto nível de degradação causada pelo fogo aos restos mortais que encontramos dificulta a extração do DNA para permitir uma identificação”, declarou.

Até o momento, dezenas de policiais foram presos por envolvimento com quadrilhas narcotraficantes, evidenciando a íntima ligação (histórica, aliás) do aparato repressivo e burocrático do Estado com o crime organizado.

Rebelar-se é justo!

http://www.anovademocracia.com.br/141/18b.jpg

Inúmeras manifestações ocorreram por todo o país envolvendo estudantes, trabalhadores e demais setores dos movimentos populares. Correram o mundo as imagens do protesto na Cidade do México no dia 8 de novembro quando os manifestantes incendiaram a entrada do Palácio Nacional, sede do governo.

No dia 8 também ocorreram manifestações em Chilpancingo, capital de Guerrero. Veículos foram incendiados e coquetéis molotov foram arremessados contra a sede do governo local. No dia 10, um protesto bloqueou o acesso ao aeroporto de Acapulco. Dois dias depois, professores atearam fogo em algumas instalações do Cengresso de Guerrero e, no estado vizinho de Michoacá, educadores bloquearam os acessos ao aeroporto de Morelia.

“Vivos os levaram, vivos os queremos”, canta a população nos protestos. Diversos vídeos foram publicados nas redes sociais mostrando a fúria popular partindo para cima dos agentes de repressão, que foram obrigados a recuar inúmeras vezes.

“Autoridades” do velho Estado

A voz das ruas, além de responsabilizar as “autoridades” de Guerrero, também culpa o presidente Enrique Peña Nieto, que recentemente teve sua reputação ainda mais desmoralizada após a revelação de que sua esposa comprou uma mansão avaliada em US$ 7 milhões do Grupo Higa, vencedor de importantes licitações realizadas pelo governo. Este mesmo Peña Nieto, gerente do velho Estado semicolonial do México, não demorou em condenar os “protestos violentos”.

Já o ex-prefeito de Iguala e sua esposa, acusados de participação na morte dos 43 estudantes, foram presos durante uma operação da Polícia Federal no dia 4 de novembro. Abarca e María Piñeda foram encontrados em uma residência no bairro Iztapalapa.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Assine já!

Receba quinzenalmente a edição impressa
do Jornal A Nova Democracia no seu endereço
e fortaleça a imprensa popular e democrática.

Endereços


Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20.921-060
Tel.: (21) 2256-6303

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

EXPEDIENTE

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda 
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond 
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja
Rafael Gomes Penelas

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait