Ucrânia: as duas eleições da pugna imperialista

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Campo esportivo onde dois jovens foram mortos em bombardeio

No último 31 de outubro, a ONU divulgou, com lágrimas de crocodilo, um levantamento cujos dados dão conta de mais de quatro mil mortos na Ucrânia, país dilacerado pelas contendas interimperialistas desde que lá a situação política se precipitou para uma sangrenta guerra civil.

Além disso, o número de pessoas obrigadas a deixar suas casas por causa da guerra civil já se aproxima de um milhão de deslocados ou refugiados, ou seja, aqueles que fugiram da violência para outros lugares da Ucrânia ou aqueles que por conta dela deixaram o país, a maioria fugindo para a Rússia.

Mais de 300 dentre aqueles mais de quatro mil mortos perderam a vida nos últimos dez dias do mês de outubro e primeiros dias do mês seguinte, incluindo dois adolescentes que estavam em uma quadra esportiva de uma escola da cidade de Donestk, bombardeada no dia 5 de novembro em meio à disputa pelo controle do aeroporto local.

 O episódio foi um entre tantos em meio a uma escalada da violência às vésperas e após as “eleições rebeldes” — que é como os veículos do monopólio internacional dos meios de comunicação decidiram se referir ao pleito não reconhecido por União Europeia, USA e tampouco por Kiev, organizado nas províncias de Donetsk e Lugansk no último 2 de novembro — deitando por terra as ilusões sobre um cessar-fogo formalmente em vigor, mas que não pode resistir justamente ao momento de agudização das contradições do cenário político da Ucrânia e de aumento das tensões e pressões que emanam da disputa interimperialista pelo domínio do seu território.

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Soldados "rebeldes" carregam urna após farsa eleitoral

A expressão “eleições rebeldes” é capciosa, porque reforça justamente o cenário reducionista que o monopólio da imprensa pinta, ou seja, o de uma Ucrânia dividida entre o poder instituído pró-ocidente e separatistas pró-Rússia, acerca de uma realidade política muito mais complexa, na qual a condição de rebelde se aplicaria com mais precisão à resistência antifascista e anti-imperialista — milícias, brigadas e grupos armados que lutam pela libertação do país do jugo estrangeiro, e não contra uma potência dominadora em favor da outra.

O fato de a Rússia dizer que reconheceria as eleições em Donetsk e Lugansk desde antes de sua realização indica que as forças que organizaram e participaram do pleito não são eminentemente anti-imperialistas, mas sim grupos manejados por Moscou que escolheram subjugar-se, em vez de ao USA e à União Europeia — e por certo não sem recompensas —, ao bloco de poder que está na outra ponta do cabo de guerra. Moscou chegou mesmo, a pedido das “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, a permitir a abertura de colégios eleitorais nos campos de refugiados ucranianos instalados nas cidades de Belgorod, Voronezh e Rostov, que ficam perto da fronteira com a Ucrânia.

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