O jogo dos sete erros da farsa eleitoral

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Um ponto pacífico pernicioso continua unindo tudo quanto é força reacionária, fascista, assassina e parasita do velho Estado, da burguesia ao latifúndio, inclusive o oportunismo eleitoreiro. Trata-se da ideia de que eleição é sinônimo de democracia.

Esta ideia degenerada só pode ainda resistir como substrato legitimador deste modelo econômico-social de pobreza e morte, de injustiças e grilhões, graças à doença do analfabetismo político, que, não obstante esteja em processo de cura no Brasil — com o desmascaramento do oportunismo eleitoreiro —, na última farsa eleitoral e agora depois dela produziu, e ainda vem produzindo, uma grande mixórdia de equívocos e mistificações.

Mas eleições no âmbito do velho Estado são sinônimo de democracia - uma democracia verdadeira - apenas à primeira vista, como os dois desenhos aparentemente idênticos dos velhos jogos de sete erros. Senão, vejamos:

Primeiro erro: boicote é niilismo

Muitos que ainda nutrem ilusões quanto a esta “democracia representativa” acabaram fazendo coro com o TSE e com o monopólio da imprensa contra o não-voto, exortando amigos e familiares mais conscientes a não se absterem de “exercer a cidadania”, quando, na verdade, a única alternativa verdadeiramente democrática em se tratando de uma farsa, nesta última quanto em outras farsas eleitorais passadas e vindouras, é anular o voto ou simplesmente nem aparecer para votar.

Segundo erro: voto crítico

Certa “esquerda” insatisfeita com o PT, mas com a fé mística no velho Estado, apressou-se em declarar e incentivar o chamado “voto crítico” em Dilma no segundo turno, logo que as pesquisas eleitorais sinalizaram a possibilidade real da vitória de Aécio Neves, a título de evitar este suposto “retrocesso ainda maior”, “uma derrota para os trabalhadores e as lutas populares”. Exortaram o voto em Dilma, “apesar de tudo”, ou “tapando o nariz”, ainda que os 12 anos de PT tenham sido tão vende-pátria, repressivos e anti-povo quanto os oito anos de PSDB.

Falaram em derrotar a elite fascista nas urnas e Dilma nas ruas, como se o gerenciamento Dilma não tivesse características claramente fascistas e como se o fascismo atualizado do século XXI não se valesse justamente das urnas para se legitimar. Não se constrangeram sequer com a exortação de Luiz Inácio aos latifundiários pelo, digamos, “voto crítico” na sua sucessora, a fim de evitar o retrocesso das benesses ao agronegócio, conforme disse o chefe maior do PT em um comício em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a poucos dias da votação: “Se todos [os latifundiários] colocassem a cabeça no travesseiro e analisassem o que era a vida deles no tempo de Fernando Henrique Cardoso e o que é agora, deveriam todos votar na Dilma”.

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Terceiro erro: alternância de poder

Outros tantos, quando já sem argumentos para explicar uma opção por esta ou aquela candidatura, já exaustos de tentarem em vão identificar diferenças ou algo de bom entre elas, mas terrivelmente contaminados pela ideia quase obscurantista de que é uma heresia política não optar por alguma, agarraram-se à desculpa da “alternância de poder” como uma espécie de álibi para participar da farsa eleitoral, mal atentando para o fato de que não há possibilidade de alternância real, muito menos de poder real, entre sabujos que servem aos mesmo senhores, nomeadamente o imperialismo, o latifúndio e a grande burguesia. Há, isto sim, alternância de turno entre frações e grupos de poder na tarefa de gerenciar o velho Estado brasileiro, sobretudo para os monopólios internacionais.

Quarto erro: a possibilidade da mudança

Terminada a farsa eleitoral, muitos eleitores do PSDB não muito convictos sobre o PSDB, mas inconformados com a degradação, digamos, moral e cívica do gerenciamento do PT, foram tomados de comiseração pela nação, lamentando profundamente a oportunidade perdida de uma suposta “guinada”, de uma tal “mudança” de rumos na “condução do país”.

Outros, os mais frustrados com a reeleição de Dilma, ameaçaram (e não cumpriram) deixar o Brasil, recomendaram a excomunhão do “Nordeste petista” e assumiram de uma vez a vergonha que sentem do “povinho burro”, desejando-lhe que tenha então o “governo que merece”.

Nas duas campanhas eleitoreiras perdidas por Luiz Inácio para FHC a militância petista chorou as derrotas nas urnas de maneira semelhante, até que, em 2002, a “esperança venceu o medo” da suposta mudança, e o PT afinal se mostrou rigorosamente igual ao PSDB, que, portanto, caso vencesse a farsa eleitoral de outubro último, não seria diferente do PT, porque um e outro são apenas frações de um mesmo Partido Único das classes dominantes.

Quinto erro: o PT é comunista

Atiçados pelos setores mais histéricos da velha direita, sobretudo pelo seu órgão oficial de desinformação, a revista Veja — setores que apostam justamente na despolitização para fazer suas patranhas repercutirem —, muitos analfabetos políticos vêm incorrendo na ignonímia de tentar desqualificar o PT pela via da associação da sigla ao comunismo, do qual morrem de medo.

Para tanto, misturam alhos, como o gerenciamento “bolivariano” da Venezuela e os atuais escombros da revolução cubana, com bugalhos, como as mistificações mais rasteiras acerca do socialismo, sem sequer saber que repercutem a mais perigosa contrapropaganda fascista.

O PT nunca foi comunista, mas sempre foi oportunista, e o oportunista é inimigo do revolucionário. Fosse o PT comunista, bem como o fosse o atual pecedobê, não estariam, um e outro, de braços dados e financiados pela grande burguesia, compondo o Partido Único dos inimigos das massas trabalhadores, acotovelando-se com outras legendas que o integram pelo direito de gerenciar o Estado brasileiro para o capital monopolista e contra o mundo do trabalho.

Sexto erro: o Brasil está dividido

Falar em um povo divido entre as duas siglas eleitoreiras mais proeminentes do Partido Único, mesmo após o fim da farsa eleitoral, e sistematicamente fingir que não existem os reais antagonismos que dizem respeito às massas trabalhadoras (entre explorados e exploradores, oprimidos e opressores), mostra que passar batido pelas questões de classe para se deter nos imbróglios da pequena política parece ser prerrquisito para se tornar um “formador de opinião” neste país semicolonial.

Sétimo erro: ou é democracia ou é ditadura

Cerca de duas semanas após conhecido o desfecho de mais uma farsa eleitoral, pipocaram em alguns pontos do país manifestações de setores da velha direita protagonizadas por algumas dúzias de parasitas que levavam cartazes e faixas com dizeres que imploravam ao exército que tirasse o PT do poder e instaurassem mais uma vez um gerenciamento militar do capitalismo burocrático brasileiro.

A militância petista e a turma do “voto crítico” lavaram a alma, enxergando naquelas ações daqueles grupelhos simpatizantes do fascismo mais escancarado a derradeira justificativa para seu voto no “menos pior”, como já o haviam feito ao apontarem a tentativa de “golpe de direita” da revista Veja e da Rede Globo às vésperas da abertura da votação.

Lavaram a alma porque de fato julgam ter votado na democracia para espantar o fantasma dos “anos de chumbo”, mas não conseguem explicar muito bem as diferenças fundamentais entre uma “ditadura” e um governo civil que gerencia uma democracia apenas de fachada, que investiga manifestantes, faz presos políticos, tortura e assassina pobres, intimida, militariza regiões onde há mais energia para eclodir revoltas das massas populares, acena com aplicação de lei antiterrorismo e, o mais fundamental, serve ao mesmo amo a que os gorilas de farda e medalha diziam amém: o imperialismo.

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