Reforma política: tentam de tudo para ‘animar’ a farsa eleitoral

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Vejam que curioso: em Portugal, onde o esvaziamento dos processos eleitorais, com sucessivos recordes de abstenções, atormenta dia e noite os únicos beneficiários das urnas, ou seja, os que ganham “mandatos” para arrochar as massas e empenhar o país junto ao FMI em troca das recompensas que o controle do Estado pode render às facções eleitoreiras que ascendem ao seu topo, lá, os vende-pátria e parasitas em geral estão tentando arranjar um jeito de “animar” o circo da eleições, e já se fala na adoção do voto preferencial, como é hoje na semicolônia Brasil, como “solução” para a “democracia” portuguesa, na esperança de que o elemento pessoal (votar não apenas no partido, mas também no candidato) encha de vida, por assim dizer, campanhas eleitoreiras hoje totalmente desacreditadas.

Enquanto isso, a gerente Dilma está propondo justamente que as eleições, atentem, sejam como são hoje em Portugal, ou seja, com sistema proporcional de listas partidárias, com o objetivo de diminuir a “sensação de corrupção” que seria inerente às campanhas de base personalista. Estas campanhas seriam muito caras e, portanto, dependentes do financiamento de empresas que depois vão pedir favores aos seus apadrinhados eleitos, como se a grana da Friboi ou das empreiteiras fossem mais determinantes, por exemplo, do que os acordos entre o oportunismo e o imperialismo para a perpetuação das características semifeudais e semicoloniais do velho Estado brasileiro, e como se mesmo este papel secundário das doações da grande burguesia para campanhas eleitoreiras não pudesse ser cumprido por atalhos dos quais as frações do Partido Único são useiras e vezeiras, como o caixa dois e a utilização de laranjas para doações via pessoas físicas.

Sim, o desespero do oportunismo eleitoreiro em todo o mundo com a recusa cada vez mais retumbante das massas em participar das suas farsas eleitorais é capaz de produzir este tipo de bazófia: duas nações economicamente arrasadas e com os trabalhadores sob grande arrocho aventam levar a cabo um troca-troca dos seus respectivos sistemas políticos, cada qual enxergando no modelo do outro, ou pelo menos dizendo enxergar, afinal a melhor maneira de convencer o povo a votar.

O PT, depois de ressuscitar a múmia PSDB e com a farsa eleitoral agora agonizando em seu colo após ser nocauteada pelo não-voto, mal comemorou a “vitória” e já se vê atarefado com a urgência de reanimar o moribundo, mostrando-se empenhado em lançar mão das artimanhas que preciso for para incrementar a “festa da cidadania”, esvaziada ano após ano por sucessivos recordes de abstenções e votos nulos, refletindo a consciência popular de que nada de bom para ele, o povo, pode sair das urnas desta velha e decrépita “democracia” — quando muito uma “festa” estranha e patética do voto no “menos pior”.

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A ilusão da ‘luta institucional’

Ainda com os ouvidos zunindo por causa do “silêncio ensurdecedor” de 37 milhões de brasileiros que poderiam ter optado entre a sua candidatura e a de Aécio Neves no segundo turno da farsa eleitoral de outubro, mas que preferiram não se dar ao trabalho de engrossar as filas nas zonas eleitorais para escolher entre o capiroto e o cramulhão — não obstante os apelos do TSE e dos nomes mais destacados dos veículos impressos e televisivos do monopólio da imprensa reacionária pelo “exercício da cidadania” — a gerente Dilma, reeleita com susto, apressou-se em acenar com uma “reforma política” que, caso vá mesmo adiante, configura-se mais uma panaceia para tentar salvar da completa desmoralização o sufragismo do velho Estado burocrático.

Estas piruetas que se prenunciam como os novos ilusionismos para tentar desesperadamente animar a platéia do picadeiro — sistema proporcional de listas partidárias, fim do financiamento empresarial às campanhas eleitorais, constituinte, referendo ou plebiscito, etc — precisam ser imediatamente desmascaradas, porque a “classe política” — eles, os ruralistas, usineiros, o charlatanismo religioso, governo, oposição e tudo mais que é força ou facção antipovo — acena com a intenção de arrastar até onde puder a mais nova cortina de fumaça com a qual tenta enevoar a real natureza do oportunismo eleitoreiro que se alimenta do circo sufragista, como o abutre depende da carniça.

Puxar daqui, esticar ali, emendar acolá, ou seja, reformar um sistema cuja essência, e não a aparência, é que está em xeque, tudo para dar novas tintas às mesmas estruturas de sempre de exploração e repressão, à mesma base econômico-social incapaz de atender às mais básicas demandas das classes trabalhadoras; tudo apresentando ao respeitável público como se fossem grandes reviravoltas nas estruturas do velho Estado, enchendo a barriga de certa militância que morre de medo de falar em revolução, e que repete sem parar o ronrom de que a luta — seja lá que objetivo tem essa de que falam — precisa ser “institucional”, para deleite do imperialismo, do oportunismo e do latifúndio.

E já se sabe que, vejam vocês, a figura expressivamente “progressista” e “renovadora” de Michel Temer cumprirá o papel de “articulador da reforma política” entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

E assim a camarilha petista vai rastejando entre os escombros da terra arrasada desta “democracia” de fachada, aturdido pela descrença geral na velha ordem, confrontado ao mesmo tempo pela conscientização das massas acerca do que ele, o PT, realmente representa e pelas velhas elites — parte delas — agrupadas em torno de frações do Partido Único e que agora botam a cara na rua clamando até pelo exército para escorraçar os “petralhas” do poder.

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