Centelha dos mártires incendeia o México

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No México, a juventude mais combativa empreende uma incendiária rebelião contra o Estado altamente corrupto, totalmente imbricado com o tráfico de drogas e ferozmente repressor. A centelha do desaparecimento e execução de 43 estudantes pelas mãos da polícia mexicana em dobradinha com a mais macabra violência “paraestatal” fez transbordar todo um ódio represado contra as “autoridades” e seu aparato de repressão às massas pauperizadas, especialmente aos jovens mais insubordinados.

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Em todo o México a população vai às ruas: Rebelar-se é Justo!

Os 43 estudantes, alunos da Escola Rural Normal de Ayotzinapa, foram sequestrados no fim de setembro quando se dirigiam à cidade de Iguala, no estado de Guerrero no sudoeste do México, um dos mais pobres do país , para um protesto. No caminho, policiais e “criminosos” (assim noticiou a maioria dos veículos do monopólio, como se fosse possível estabelecer a diferença) ligados ao prefeito e à “primeira-dama” de Iguala (ela, tesoureira de um cartel de drogas chamado ‘Guerreros Unidos’) abriram fogo contra três ônibus ocupados pelos jovens, matando três na hora, além de três outras pessoas que passavam pelo local, e sumindo com 43 deles.

Segundo informações que já vieram à tona, tudo a mando do próprio prefeito, José Luis Abarca Velázquez, que desde 2013 já tinha os estudantes da Escola Rural Normal de Ayotzinapa entalados na garganta. Em julho daquele ano, os normalistas atacaram a prefeitura de Iguala depois do assassinato do líder camponês Arturo Hernández Cardona, cujo mando foi atribuído a Velázquez.

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Há cerca de três meses, quando no fim de setembro o prefeito soube que uma nova caravana estudantil se encaminhava para Iguala, vindo de Ayotzinapa, e logo no dia em que a primeira-dama, María de los Ángeles Pineda Villa, faria um grande discurso na praça central da cidade para se lançar candidata à prefeitura nas eleições marcadas para 2015, Velázquez não hesitou em ordenar à sua polícia municipal que detivesse os estudantes e os entregasse aos ‘Guerreros Unidos’.

Desde então, os 43 normalistas de Ayotzinapa estão oficialmente desaparecidos e o México rebelde arde em chamas, por vezes literalmente. O terrorismo de Estado que vitimou dezenas de jovens encheu as classes populares mexicanas de indignação, levando a uma onda de protestos massivos por todo o país contra o trágico destino dos estudantes sequestrados e o estado das coisas no país, em geral.

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No dia 8 de novembro, colegas dos estudantes sequestrados, acompanhados de outros jovens, queimaram carros na frente da sede do governo do estado de Guerrero e atiraram pedras e coquetéis molotov contra o edifício num protesto contra a leniência nas investigações sobre os desaparecimentos. No dia 12, a juventude rebelde tacou fogo na Assembleia Estadual de Guerrero. Dois dias depois, estudantes e professores incendiaram mais um prédio “público” do estado. No dia 20 de novembro, dezenas de manifestantes enfrentaram com paus e canos a repressão policial nas proximidades do aeroporto da Cidade do México.

No dia 27 de novembro, 11 corpos foram encontrados em um matagal à margem de uma estrada na região em que os estudantes foram sequestrados. A maioria deles estavam decapitados e parcialmente carbonizados. Até o fechamento desta edição de AND não havia confirmação de que estes mortos fossem alguns dos 43 estudantes desaparecidos.

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Mais de 100 mil pessoas morreram no México desde o final de 2006 por causa da violência incontrolável em um país esgarçado pela pobreza, pelo imperialismo e ora de forma mais dramática pelo tráfico de drogas e pela “guerra” aos cartéis movida pelo Estado uma “guerra” muito assim, entre aspas, porque o episódio macabro de Iguala mostra que os cartéis e o Estado mexicano são apenas dois lados da mesma moeda.     

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