‘Guerra ao terror’: o mais feroz imperialismo

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Um levantamento feito por uma organização australiana denominada Instituto para a Economia e a Paz, que diz acompanhar “a evolução do terrorismo” na última década e meia, publicou em novembro a segunda edição do seu assim chamado “Índice do Terrorismo Global”, um documento segundo o qual em 2013 “ataques e ações terroristas” mataram quase 18 mil pessoas em todo o mundo, 61% a mais do que em 2012 e cinco vezes mais do que no ano 2000, ou seja, logo antes dos “ataques” com aviões a Nova Iorque e Washington em setembro de 2001.

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Tropas imperialistas bombardeiam Bagdá em 2003

Ainda que este tipo de estudo obedeça à lógica e ao léxico do imperialismo, e que seja funcional à contrapropaganda, sobretudo do imperialismo ianque ao abarcar como “terroristas” e “terrorismo” forças, ações e lutas de libertação nacional, e ao não incluir na sua contagem os mortos em ataques ordenados e levados a cabo pelos mais verdadeiros terroristas, as potências capitalistas agrupadas na Otan , ainda assim estes são dados que dão conta da barbárie semeada mundo afora pela via dos desdobramentos (ataques, sabotagens, ingerências, invasões e ocupações) da estratégia de dominação global posta em prática por Washington logo após os acontecimentos do “11 de setembro” como alternativa para dar sobrevida aos seus monopólios agonizantes por causa da crise geral do capitalismo, tudo sob o nome fantasia de “Guerra Contra o Terror”.

Não por acaso, a maior parte dos cadáveres contabilizados pelo Instituto para a Economia e a Paz são de pessoas de nações que foram atiradas ao olho do furacão dos esforços do USA para conquistar posições geoestratégicas, abrir mercados e enfraquecer o bloco de poder imperialista rival, aquele encabeçado pelo imperialismo russo, na corrida pela repartilha do mundo: Iraque, Síria, Afeganistão, Paquistão e Nigéria.

É claro que, não obstante todo este sangrento jogo geopolítico, o monopólio da imprensa tirou como conclusão do estudo do instituto australiano a seguinte manchete, com alguma variação de veículo para veículo: “Guerra contra o Terror não freia aumento do terrorismo”, como se o objetivo declarado da dita cuja fosse seu objetivo real, encampando assim a contrapropaganda do imperialismo, como lhe é de costume.

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Prisioneiro iraquiano com criança durante a ocupação ianque

Acerca de toda essa pugna geopolítica, de todo esse jogo semântico e de todos os esforços de contrapropaganda que envolvem o “terrorismo” e a estratégia de dominação global do USA posta em prática na sequência do 11/09 para dar sobrevida aos seus monopólios em crise e sob o álibi do combate ao “terror” com tudo quanto é mistificação e desinformação propagada para dar sustentação à empulhação , os dados que mais importam e informam as massas populares de todo mundo sobre o mais feroz imperialismo da história, que visa uma nova e profunda partilha do mundo entre as potências capitalistas e seus monopólios cambaleantes, são aqueles que dão conta da devastação promovida pelo USA e seus sócios, visando esta Nova Ordem, diante dos nossos olhos, em todo mundo, desde que os ataques a Nova Iorque e Washington marcaram a grande virada da mobilização massiva, ostensiva e irrefreável da máquina militar a serviço da burguesia monopolista ianque para a defesa dos seus interesses mundo afora, levando o desespero, a morte e a destruição aos povos da rota traçada para conjurar a crise pela via dos mísseis e balas de canhão.

No Iraque, por exemplo, até o dia do fechamento desta matéria, 23 de novembro, o número de mortes violentas em consequência da invasão criminosa do país no dia 20 de março de 2003 sob a alegação falsa das “armas de destruição em massa” e da subsequente ocupação militar que perdura até hoje (ainda que oficialmente tenha chegado ao fim em dezembro 2011) pelo USA e seus sócios do imperialismo europeu já passava das 202 mil, incluindo as baixas do imperialismo, e sendo que, destes, cerca de 150 mil vidas perdidas eram de “civis” iraquianos, ou seja, gente que sequer integrava diretamente a resistência armada ao invasor estrangeiro.

Os dados são da organização independente Iraq Body Count (Contagem dos Mortos no Iraque, em tradução livre), e dão conta da dimensão do crime contra a humanidade que constituiu a invasão e ocupação do Iraque, que se não era exatamente uma república popular à época da tomada do país pela máquina militar do imperialismo, era sem dúvida uma nação dirigida por um presidente insubmisso às potências, Saddam Hussein, que, antes de ser deposto e depois executado pelos ianques, lograva acomodar no âmbito do Estado as demandas e interesses muitos e por vezes contraditórios dos diferentes grupos tribais que compõem aquela nação.

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Na Síria, a guerra civil atiçada pelo imperialismo já resultou na morte de mais de 190 mil pessoas.

Apesar da magnitude dos recursos, contingentes e da máquina de guerra empregados pelo USA e comparsas para mover suas ofensivas de conquista e dominação de mercados e posições geoestratégicas mundo afora ou seja, a “Guerra Contra o Terror” , os verdadeiros terroristas encontraram e cada vez mais encontram pela frente vigorosos movimentos de resistência e de libertação nacional que desde o primeiro dia da marcha da “nova ordem” vêm impondo infinitas e por vezes insanáveis dificuldades às potências invasoras, realidade que se expressa, por exemplo, nas 3.479 baixas impostas às fileiras do imperialismo no Afeganistão, sendo que 2.351 desses que tombaram mortos em terra alheia foram militares ianques, e no número de 4.806 integrantes da “coalizão” mortos no Iraque (4.488 ianques), totalizando 8.285 baixas impostas às potências militares “ocidentais” nas duas principais frentes da sua coalização terrorista em 13 anos de ataques covardes e de doutrina fundamentalista de dominação.

O mais novo capítulo dos engendros que cercam a “Guerra Contra o Terror” é uma erva- daninha brotada do atoleiro no qual o imperialismo, sobretudo o imperialismo ianque, meteu- se em sua sanha incontida para a formatação na marra de um “Novo Oriente Médio”. Trata-se do sanguinário Estado Islâmico, cuja ascensão à condição de macabro protagonista naquele tabuleiro não é outra coisa senão a própria imagem no espelho das monstruosidades que o USA e seus sócios têm sido capazes de cometer para seguirem adiante com sua estratégia para levar a cabo uma dominação global como última tentativa de salvar seus monopólios da morte.

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