Prisões políticas escancaram fascismo por toda parte

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Faixa pela liberdade de Igor Mendes em ato no Rio de Janeiro no dia 16 de dezembro

Nada “melhor”, digamos assim, do que um contexto de aprofundamento da crise geral do capitalismo e de vigoroso recrudescimento das lutas populares e classistas ao redor do mundo para expor de forma límpida e cristalina que a democracia burguesa e o fascismo são dois lados da mesma moeda. Aos primeiros sinais de que as massas estão dispostas a dar fim de uma vez a esta ordem de morte e exploração a que chamam de democracia, ou seja, quando protestos radicalizados e agigantados solapam o pacifismo estéril, o padrão sindical chapa-branca e os apelos constantes do oficialismo a uma vida bovina, o discurso das liberdades — de opinião, de manifestação, de ir e vir — logo dá lugar à mais feroz repressão e à mais colérica perseguição.

É o lobo mandando às favas a pele de cordeiro. Muitos aspectos da situação política do mundo atual escancaram esta real natureza do tal “Estado democrático de direito”, e um dos mais notórios é justamente o número cada vez maior de presos políticos feitos pelos Estados acossados pelas massas, seja nos Estados semifeudais e semicoloniais, seja nos países imperialistas, seja nos Estados burocráticos onde justamente, e recentemente, o imperialismo articulou para cavalgar rebeliões populares por uma democracia verdadeira a fim de transformá-las em “primaveras” que mascarassem a manutenção das tiranias.

No USA, o Estado respondeu com prisões em massa de manifestantes ao levante popular que eclodiu após o assassinato covarde pela polícia de mais um jovem negro, Michael Brown, executado com seis tiros na cidade de Fergusson, no estado do Missouri, quando estava desarmado e com as mãos para o alto. A onda de protestos massivos contra a polícia racista e mortífera do USA ganhou corpo após a decisão de um tribunal de não processar o assassino. Só no dia da decisão do tribunal, 26 de novembro, mais de 400 pessoas foram presas em Ferguson e em outras cidades do território ianque por protestarem contra o Estado.

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No Egito, a “justiça” condenou à morte 188 presos políticos por participarem das violentas escaramuças que aconteceram naquele país em 2013 na sequência da deposição da Irmandade Muçulmana do gerenciamento do Estado e da restauração — mais uma — de um gerenciamento militar no país, visto pelo USA como mais capaz de manter as massas agitadas na rédea curta. Nunca é demais lembrar que o exército é a espinha dorsal do Estado egípcio e ponta de lança da dominação imperialista daquela nação.

Mais de 1.400 pessoas morreram no Egito desde a deposição de Mohamed Mursi em consequência da radicalização da situação política no país, mas, sobretudo, por causa da feroz repressão desencadeada pelos militares. Neste cenário, a “justiça” condena centenas de pessoas à execução sumária por causa da morte de 13 policiais, em sentença de teor claramente “exemplar”, caracterizada pela função política de desencorajar “distúrbios” e “desordem”, bem à moda do fascismo mais escancarado.

Hoje, também o Estado brasileiro “redemocratizado” bota sua fuça fascista na janela, à luz do sol, e logo sob o gerenciamento de legendas eleitoreiras associadas à “esquerda”, com uma sanha persecutória de inquéritos, prisões, procura de “foragidos” e enjaulamento de jovens rebeldes que participam de movimentos populares mais consequentes, como Igor Mendes, em infernos como o do complexo penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro.

Pode-se dizer que o papel político da polícia e da penitenciária cada vez mais, e cada vez mais claramente, extrapola a sua função “clássica”, mas não menos infame, no capitalismo em crise, que é a de criminalizar os pobres e suas estratégias de sobrevivência, passando a ter como clientela declarada também quem levanta a voz em tons mais altos e cerra os punhos com mais raiva contra a repressão generalizada e contra a degradação e insegurança que toma conta de todos os aspectos da vida das classes populares.

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