Rondônia: ameaça contra “a área mais produtiva”

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Luiz Carlos Silva, camponês desaparecido

“O Canaã é a área camponesa mais produtiva de Rondônia”. Essas são palavras de um funcionário do Incra do estado. Toda semana saem dois caminhões de banana e a produção diária de leite chega a 2.200 litros. Este ano foram colhidas 150 sacas de café e 600 quilos de cacau, apenas em uma safra nas terras do Canaã.

A área Canaã, localizada na região de Jaru e Ariquemes, já ameaçada outras vezes pelo latifúndio e pelo judiciário do velho Estado, presente em outras ocasiões nas páginas do AND, está novamente sob o fogo da “justiça”. Uma ordem de despejo decretada pela juíza estadual Elisângela Nogueira, de Ariquemes, determina que as famílias camponesas, que há mais de dez anos vivem e produzem na área , têm até o dia 2 de janeiro de 2015 para desocuparem suas terras.

Camponês segue desaparecido na região

Em nota, a LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental denuncia que os camponeses das regiões de Jaru, Ariquemes e Buritis estão enfrentando outra onda de repressão das polícias e pistoleiros a mando de latifundiários grileiros de terras públicas. Nessa mesma nota, a LCP destaca que o camponês Luiz Carlos da Silva, morador de uma área próxima ao acampamento Elcio Machado, localizada na divisa entre os municípios de Monte Negro e Buritis, segue desaparecido desde o dia 28 de novembro de 2014.

“A família do trabalhador registrou ocorrência, mas as polícias se negaram a procurá-lo. O cunhado de Luiz Carlos denunciou o descaso na televisão e pouco depois teve sua casa queimada. Familiares e vizinhos do camponês fecharam a rodovia RO-421 por várias horas e com isso conseguiram denunciar amplamente o desaparecimento” — denuncia a LCP.

Os camponeses acompanharam policiais militares de Buritis até o local do sequestro de Luiz e seguiram as suas pegadas e quatro outras pegadas que conduziam para a sede da fazenda do latifundiário Jair Miotto. Um camponês que acompanhou a busca relatou que Luiz não foi encontrado na fazenda.

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A Comissão Nacional das LCPs informou à redação do AND que, dez dias após o desaparecimento de Luiz Carlos, o exército brasileiro, que fazia buscas, as suspendeu sem apresentar informações sobre seu paradeiro. Os camponeses relatam que a polícia está realizando rondas nas estradas, pressionando e intimando trabalhadores para depor, realizando prisões e, “como sempre, nada foi feito contra latifundiários e seus bandos de pistoleiros”.

A LCP ressalta que o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Filho, foi notificado do desaparecimento de Luiz Carlos e também é ciente de que os bandos de pistoleiros que atuam na região são integrados ou comandados por policiais militares.  “Também tem pleno conhecimento da cumplicidade de funcionários do Incra de Rondônia com a grilagem de terras por latifundiários, como é o caso do latifundiário Nadir Jordão dos Reis e de Caubi Moreira Quito e outros. Mesmo com documentos provando que os mesmos são grileiros de terras do PA Rio Alto e PA Santa Cruz, Gercino faz vista grossa para esses crimes”.

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