Norte de Minas: novo ataque contra camponeses

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Contra ataque à Baixa Funda, camponeses bloqueiam acesso às balsas em Manga

Nota da redação: famílias camponesas que vivem e produzem há mais de 17 anos na Baixa Funda (Fazenda Marilândia), localizada no município de Manga, Norte de Minas, são alvo de novo ataque do velho Estado, forças de repressão e do latifúndio e sofrem nova ameaça de reintegração de posse.

Esse novo ataque contra os camponeses, que já resistiram a quase uma dezena de ameaças desse tipo ao longo dos últimos anos, é mais uma prova do agravamento do conflito no Norte de Minas, confirmado pelo recente brutal assassinato do dirigente da Liga dos Camponeses Pobres do(LCP), Cleomar Rodrigues de Almeida .

Grande contingente de policiais foi enviado a Manga e ocupou a Fazenda Marilândia, cumprindo ordens da Vara Agrária.

Em resposta ao ataque, os camponeses da Baixa Funda ocuparam o porto da balsa que faz a travessia do Rio São Francisco em Manga. Outro contingente policial foi enviado para reprimir o protesto. Os camponeses resistiram protestando e denunciando a decisão da Vara Agrária e as ameaças de destruição de suas roças pelas tropas que ocupavam a fazenda.

A LCP e o Comitê de Apoio à Luta pela Terra denunciaram que a professora Gilvânia, que leciona há mais de 20 anos em Manga e foi presidente do SindManga (Sindicato dos Servidores Municipais de Manga), sempre comprometida com as causas do povo da cidade, recebeu ameaças de morte caso não se afastasse da luta das famílias da Baixa Funda.

Gilvânia afirmou, em nota de denúncia publicada pela LCP, que “se acham que com ameaças vão me intimidar, estão enganados, sigo mais forte que nunca”.

Os camponeses denunciaram em nota que: “Enquanto isso, o Incra se faz de morto, o Ouvidor Agrário Estadual Antônio Miranda não atende telefone, a Procuradora do Incra está de férias e o deputado Paulo Guedes, votado na região (seu irmão é prefeito de Manga), não dá as caras; e o deputado Rogério Correia, da Comissão de direitos Humanos da ALMG, que havia se comprometido a intervir em nome da equipe de transição para que tal ação covarde e injusta não ocorresse, está na Assembleia e seus assessores não o localizam e ficam jogando a responsabilidade uns para os outros.

Enquanto isso, o coronel da PM, como se fosse senhor de tudo e governador do estado, está tentando destruir a roça dos camponeses. O tratorista contratado para tal ação, quando viu do que se tratava, se recusou a fazê-lo. Ninguém em Manga aceitou destruir as roças dos camponeses.

É. Começou o “governo” do PT.”

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A nota da LCP

O juiz da Vara Agrária, Almeida Neves, emitiu mais uma covarde decisão contra as famílias camponesas da Baixa Funda, ordenando a desocupação da área, destruição dos barracos e das roças cuidadas com tanto trabalho, suor, sacrifícios e esperanças pelos camponeses!

Um ano atrás, em dezembro de 2013, enfrentamos as mesmas ameaças e em 1º de abril deste ano as famílias foram retiradas das terras numa operação da PM. Logo após a saída da PM da região, Aulus, filho do latifundiário, junto com capangas, ateou fogo em 8 barracos de famílias da área, destruindo pertences e mantimentos, ameaçando e intimidando os camponeses. Nenhuma providência foi tomada contra esses crimes!

Durante a 748º reunião da “Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo”, realizada em 20 de novembro, onde denunciamos a omissão do Estado no assassinato de Cleomar, após inúmeras denúncias, o superintendente do Incra-MG, Danilo Araújo, se comprometeu a buscar solução para acabar com o impasse, manifestando que iria procurar o latifundiário Thales para negociar.

Agora, no dia 2 de dezembro, foi realizada nova reunião do “Comitê de Crise” para discutir a desocupação da área. Os representantes dos órgãos responsáveis pela “reforma agrária” não compareceram e a PM, de forma arbitrária, afirmou que cumprirá a ordem de reintegração de posse no dia 16 de dezembro, próxima 3ª feira.

Após toda farra com dinheiro público patrocinada pelo governo Dilma/PT para realizar a copa e as eleições, esse é o presente de natal destinado aos camponeses que lutam pelo direito à terra: repressão e despejo!

A tensão é grande na área e na cidade. Tensão causada pelo latifundiário e suas ameaças. Tensão causada pela omissão do Incra e governo federal que não desapropriou a fazenda. Tensão causada pela omissão do governo estadual, que não resgatou as terras devolutas griladas há muito tempo. Tensão causada pela decisão covarde do juiz da Vara Agrária de MG.

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