Brasília: revolta contra roubo de Terras Indígenas

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Brasília: em ato simbólico, indígenas atiram flechas contra uma foto de Dilma e Kátia Abreu

Em 16 de dezembro, manifestantes de vários povos indígenas protestaram em Brasília e tentaram ocupar a Câmara dos Deputados contra o roubo de seus territórios e contra a Proposta de Emenda a Constituição (PEC) 215, que tramita em uma comissão especial da Câmara e pretende transferir do Executivo para o Legislativo o poder de demarcar terras.

O protesto em Brasília se dá em meio ao acirramento das contradições entre os povos indígenas e o velho Estado, de territórios indígenas ocupados pela Força Nacional de Segurança, perseguições e prisões de caciques e lideranças, ataques de bandos de pistoleiros a mando de latifundiários em diversas regiões do país.

De acordo com denúncia veiculada pelo Cimi, os indígenas exigiam ser ouvidos e tentaram ingressar no anexo 2 da Câmara dos Deputados quando foram agredidos por policiais e seguranças. Seis indígenas — David Martim Guarani, Cleriston Tupinambá, Tucuri Santos Pataxó Alessandro Terena, Claudenir Terena e Idalino Kaingand — foram detidos acusados de terem ferido policiais militares. Duas mulheres indígenas foram agredidas pelos agentes.

Frente a frente com os policiais, lideranças indígenas, com dignidade e combatividade, acusaram: vocês são pagos pelos fazendeiros!

Em resposta às agressões, uma flecha foi lançada atravessando o coturno de um dos agentes de repressão e essa imagem foi rapidamente publicada pelo monopólio da imprensa.

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Quando registrava a ação da repressão policial, o assessor de comunicação do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) teve seu aparelho celular apreendido. Policiais apontaram armas enquanto dirigiam ofensas aos indígenas, que foram presos e empurrados com truculência para os camburões. Os PMs não permitiram que imagens fossem feitas.

— Ficamos o tempo todo na porta da Câmara, quando saímos de lá fomos surpreendidos com carros da PM. Aí já foram puxando os indígenas e jogando as lideranças no carro. Chutaram nosso cocar e nos xingaram. Disseram que iríamos pagar pelo suposto ferimento de alguns policiais — protestou a liderança Nilton Pataxó, presente no momento das prisões.

Após o protesto, "dois ônibus que transportavam os indígenas foram parados pela Polícia Militar, que prendeu mais duas lideranças. A prisão dos indígenas não é um caso isolado, mas resultado de um processo de criminalização dos povos que lutam pela demarcação de seus territórios tradicionais", afirmou o Cimi em nota de protesto.


Caarapó – MS: Kaiowás retomam terras e resistem

Informações do Cimi

Indígenas Garani Kaiowá retomaram parte de seu território tradicional em Caarapó, Mato Grosso do Sul, que vinha sendo invadido e sofrendo derrubada ilegal de matas pela usina sucroalcooleira Nova América.

Cerca de 300 indígenas participaram da retomada na madrugada de 7 de dezembro. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) denuncia que "a paralisação das demarcações é sem dúvida um jogo lucrativo para as empresas que há décadas exploram de forma exaustiva os territórios indígenas. Os indígenas há muito vêm denunciando que a usina Nova América, apesar de estar fora do território indígena, utilizava a área em estudo para estender sua plantação de cana de açúcar. Por isso, de maneira desleal, derruba as árvores e os recursos naturais lá existentes. Com nome 'Tey Juçu' (aquilo que sempre foi), a área pertence à totalidade da Tekoha Guaçu (grande território) que se estende para além da aldeia de Tey Kue e historicamente foi e ainda é habitado por diversos grupos Guarani e Kaiowá. Hoje os fazendeiros a chamam de 'fazenda toca do jacaré'".

Os Kaiowá denunciam que, após a retomada de seu território, latifundiários tentaram atropelar um indígena numa motocicleta jogando uma caminhonete contra ele e que, por sorte, o indígena conseguiu pular da motocicleta em movimento salvando-se com ferimentos.

No dia 9 de dezembro, a imprensa de Campo Grande, capital do estado, noticiava que o "clima era tenso" no município de Caarapó. A página da comunidade Aty Guaçu no Facebook relatava que latifundiários estariam cercando o acampamento indígena.

Segundo a página campograndenews.com.br, o latifundiário Ademir Bachi procurou a delegacia da Polícia Civil em Caarapó e alegou "ter sido atacado pelos índios quando deixava a propriedade, no domingo (7/12), após ir à fazenda para aplicar defensivo na lavoura de soja". Ele alegou que os indígenas teriam atirado flechas contra a caminhonete de um fazendeiro, "uma Hilux preta".

Jovem baleada e desaparecida

Segundo nota de denúncia do Cimi, por volta das 16h30 do dia 8 de dezembro, um bando de pistoleiros invadiu a área da retomada com caminhonetes e cercou os barracos improvisados. Nesse ataque, denunciam os indígenas, a jovem Julia Venezuela Almeida Guarani Kaiowá, de 17 anos, caiu ao ser baleada e estaria desaparecida.

"Eram todos Hilux, carro de luxo, de fazendeiro. Chegaram e já foram atirando", afirmou Otoniel Guarani Kaiowá, liderança indígena que estava na estrada quando viu a aproximação dos veículos – mais ou menos 40, na contagem dos indígenas. "No meio da poeira eu vi o corpo da guria ser arrastado e jogado na caçamba de uma das caminhonetes, que partiu em alta velocidade. Desde então ela está desaparecida e acho que morta".

No dia seguinte ao ataque, ainda segundo o Cimi, o latifundiário que reclama a propriedade da Fazenda Burana, um dos tantos latifúndios invasores do território Guarani Kaiowá, ligou para uma liderança indígena marcando novo ataque que seria realizado no dia 9.

"Ofereceu dinheiro para sairmos e quando eu disse que não aceitaria ele anunciou o ataque", declarou Edson Chamorro Guarani Kaiowá ao Conselho.

A imprensa de Campo Grande noticiou, após esses graves acontecimentos, a fala do delegado titular da Polícia Civil de Caarapó, Benjamin Lax, que considerou "factoides" as denúncias de que os latifundiários cercaram e atacaram os indígenas, assim como a história de que uma índia teria sido ferida a tiros. Sem dar respostas sobre a ação dos pistoleiros que abriram fogo contra o acampamento indígena e sobre as denúncias contra os latifundiários e suas ameaças, o delegado desmentiu os "supostos crimes" afirmando ter recebido imagens de "30 indígenas com armas longas e revólveres nas margens da estrada" [fonte: midiamax.com.br].

Segundo a página topmidianews.com.br, a Polícia Federal investiga a denúncia da morte da jovem e realiza buscas na região.

AM: FN ocupa Humaitá

Um ano após o suposto "sequestro e assassinato de três homens brancos" por indígenas Tenharim em Humaitá, no Sul do Amazonas, a 490 km de Manaus, a guarda pretoriana de Dilma — Força Nacional de Segurança — ainda ocupa a região e o trecho da rodovia Transamazônica que passa pela Terra Indígena Tenharim-Marmelos.

Os cinco indígenas acusados de ter matado os homens estão presos no município de Lábrea e a sua defesa está empenhada em transferi-los para uma base da terra indígena Hi-Merimã, sob a custódia da Fundação Nacional do Índio (Funai). Nenhum dos indígenas admitiu ter matado os homens e houve grande comoção e revolta na população de Humaitá. Esse fato foi fartamente explorado para jogar a população não indígena contra os Tenharim, fato que também ocorreu em Buerarema – BA entre a população local e os Tupinambá.

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