Europa: recorde de “ilegais” mortos

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O ano de 2014 chegou ao fim com cerca de cinco mil pessoas mortas enquanto tentavam migrar de seu país de origem para outras paragens do mundo em busca de trabalho, de melhores condições de vida ou fugindo da violência sem fim, via de regra semeada justamente pelos países onde a maioria deles tenta entrar (USA e União Europeia).

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Imigrantes no mar Mediterrâneo

O dado é da Organização Internacional para as Migrações (OIM), cujo mais recente levantamento sobre a morte de “ilegais” em 2014 data do último 16 de novembro e dava conta de exatamente 4.868 mortos. A maioria desses migrantes morreu enquanto tentava atravessar o mar Mediterrâneo, fugindo da África devastada pelas agressões e rapinas imperialistas e tentando ingressar na Europa. Segundo a contagem da OIM, só no Mediterrâneo morreram 3.224 pessoas em 2014.

O número de migrantes mortos em 2014 é o maior desde que este tipo de dado começou a ser coletado de maneira sistemática, e mais que o dobro do número registrado no ano de 2013, que foi de 2.378 mortos. Acrescente a esta realidade o número de migrantes que perdem a vida em tentativas desesperadas de burlar as regras do jogo infame da geopolítica e das políticas de migrações das potências, e que não entram nas estatísticas das entidades internacionais “humanitárias” e “independentes”.

A própria OIM, diante das centenas de milhares de corpos de africanos boiando no mar Mediterrâneo e com o número impressionante de 207 mil pessoas que em 2014 tentaram atravessar de um continente a outro em condições praticamente suicidas, limitou-se a dizer, em nota, que “todos os países têm a obrigação internacional de salvar a vida de quem pede ajuda. Devem prosseguir as operações de resgate nas águas internacionais do Mediterrâneo. A Operação Triton em curso é louvável, mas abrange uma região demasiado pequena”.

Aquela operação à qual a OIM se refere como louvável não passa de um reforçado e acirrado patrulhamento das águas do Mediterrâneo feito muitas vezes em águas territoriais da Líbia a fim de “cortar o mal pela raíz”, ou seja, de impedir a saída de barcos e balsas lotadas de migrantes da costa de uma nação historicamente usurpada pelo imperialismo italiano e agora mesmo política e socialmente esgarçada por força de intervenções recentes do USA e da Otan, ou seja, do imperialismo “ocidental”.

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Além disso, os incensados resgates por navios da Triton de migrantes à deriva no Mediterrâneo não absolvem os responsáveis por esta operação da culpa pelas milhares de mortes resultantes do aumento do número das tentativas de travessia de alto risco promovidas pelos chamados traficantes de imigrantes, a quem os mais desesperados recorrem justamente para tentar driblar as patrulhas anti-gente da Europa. E agora com o pânico em torno do Ebola como elemento a mais e à mão dos fascistas para insuflar o medo e, como consequência, a perseguição.

Uma outra entidade, esta oficial e, digamos, “protagonista”, divulgou também já nos últimos dias do ano passado um outro recorde, o de imigrantes que desembarcaram na Europa em 2014 em situação irregular, ou seja, sem os documentos que os países-membros lhes exigem para ingressar e ficar na União Europeia. Este número recorde, de 270 mil “ilegais”, foi divulgado pela Agência Europeia de Fronteiras, a Frontex, e amplamente propagado muito mais que o outro, o de mortos pelo monopólio da imprensa burguesa, que mais uma vez tenta pavimentar o terreno para novas e mais draconianas políticas racistas e xenófobas e para a ascensão de mais e mais grupelhos abertamente fascistas às instâncias políticas dos Estados nacionais da UE.

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