'Se a passagem não baixar, o Brasil vai parar'

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Todo início de ano é a mesma história. Os gerenciamentos de turno “presenteiam” as populações dos grandes centros urbanos com o aumento abusivo das passagens, mas não sem uma resposta contundente da juventude e dos trabalhadores. Todas as campanhas mesquinhas realizadas pelo monopólio da imprensa ao longo de 2014 para criminalizar e tirar os jovens das ruas, bem como a tentativa de intimidação com prisões e perseguições políticas, caem por terra com o revigoramento dos protestos que ocorrem em todo o Brasil. Nos dias 7 e 9 de janeiro foram realizadas os maiores protestos do início de 2015 em algumas capitais.

São Paulo

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"Por uma vida sem catracas": concentração do grande ato contra a tarifa em São Paulo, 9/1

Na capital paulista, onde a tarifa aumentou de R$ 3 para R$ 3,50, a primeira atividade do ano foi realizada, no dia 5 de janeiro, embaixo do Viaduto do Chá: uma aula pública com o tema ‘Tarifa Zero’. Quatro dias depois, cerca de 20 mil pessoas compareceram ao 1º Grande Ato Contra a Tarifa, o mais massivo entre todos realizados pelo país.

A manifestação teve concentração no Theatro Municipal, onde foi realizada uma plenária para definir seu trajeto. Em seguida, um verdadeiro mar de gente saiu pelas ruas, muitas bandeiras, cartazes e faixas, não só contra o aumento, mas também pela liberdade dos presos políticos.

— ‘O transporte é um dever do Estado e um direito do cidadão’, diz a constituinte de 1988. Se temos que pagar por ele, questionamos se é um direito. O dever do Estado seria tornar os meios de transporte acessíveis para a população e não ficar enriquecendo meia dúzia de parasitas. O povo está voltando para as ruas e fico contente em ver que esse aumento não passará em vão. Se a passagem não baixar, o Brasil vai parar! Vamos protestar! — relatou o estudante Bruno Gomes.

Por volta das 18h, o protesto seguiu no sentido Av. Ipiranga. Durante todo o percurso, a Polícia Militar ficou desfilando seus aparatos na tentativa de intimidar a multidão. Diversas revistas e ameaças foram registradas.

Segundo os repórteres Lucas de Freitas e Eduardo Magrão, que cobriram o ato, quando os manifestantes se encontravam na Rua da Consolação, aproximando-se da Av. Paulista, as forças de repressão insistiram numa técnica conhecida como “envelopamento”, para constante e frustradamente tentar intimidar os milhares de manifestantes. Ao passarem com seus camburões bem ao meio da marcha, iniciaram-se as arbitrariedades.

Das 19h30 às 22h foi possível ouvir estouros de bombas em inúmeras e pequenas ruas paralelas às que o ato seguia. Os manifestantes se dividiram em grupos menores enquanto a PM ativara aleatoriamente. Na Av. Paulista e em pequenas ruas da região, camburões e carros encostavam nas calçadas e transeuntes eram jogados nos veículos. O saldo da ação truculenta da polícia foi de 51 prisões e inúmeras agressões.

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Um vídeo publicado pelo grupo Advogados Ativistas mostrou o momento em que a PM atacou a manifestação gratuitamente, lançando “uma verdadeira chuva de balas de borracha, bombas de estilhaço mutilante e bombas de gás”. Outros registros audiovisuais foram divulgados mostrando a violência policial desnecessária, inclusive contra membros da imprensa credenciados e devidamente identificados, como denunciou o Grupo de Apoio ao Protesto Popular.

Denúncias apontam que os presos (dez deles com ferimentos mais graves) ficaram cerca de duas horas rodando em quatro ônibus da PM antes de serem encaminhados, depois das 22h, ao 78º DP, localizado nos Jardins. Os jovens estavam com algemas descartáveis e sofreram empurrões e xingamentos dos agentes de repressão “fantasiados de robocops”. Já de madrugada, quatro menores de idade foram levados para o antigo Presídio do Hipódromo, atualmente Fundação Casa. Os feridos levados ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito também denunciaram os maus-tratos.

O gerente fascista do estado São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu a repressão da polícia contra os “infiltrados” (mesmo sendo de conhecimento público que o ato transcorria de forma pacífica) e disse que a manifestação em si foi “nota 10”. O comando da PM, em nota, alegou — ironia? — que atuou para garantir a “segurança” dos manifestantes e da população.

Um dia depois (10/1) foi realizada nova manifestação na cidade de Santo André, no ABC Paulista, que contou com a participação de centenas de pessoas. Até o fechamento desta edição, um novo grande ato, o 2º de 2015, estava marcado para ocorrer na capital no dia 16 de janeiro com concentração na Praça do Ciclista. Na próxima edição de AND traremos as informações e novidades completas sobre a luta em São Paulo.

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Rio de Janeiro

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A juventude carioca volta às ruas contra o aumento abusivo

A juventude carioca também se mobiliza! No dia 5 de janeiro foi realizado o IV Encontro contra o Aumento das Passagens, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no Largo de São Francisco, Centro da cidade. Cerca de 700 pessoas compareceram ao evento que, pouco tempo depois do início, se transformou no primeiro ato do ano, saindo da universidade em direção à Cinelândia contra o absurdo valor de R$ 3,40 nos ônibus. Pouco antes do início da plenária, a Polícia Militar estava a postos em várias localidades da região e chegou, inclusive, a estacionar dois ônibus em frente ao IFCS numa clara tentativa de intimidação.

Alguns ativistas presentes questionaram a forma como os organizadores encaminharam as discussões durante o Encontro, pois algumas organizações criticaram a presença de movimentos ligados ao governo federal, como UNE e UJS.

No fim da tarde do dia 9 de janeiro, ao mesmo tempo em que São Paulo parava para protestar, uma nova e massiva manifestação parou as ruas do Centro da capital fluminense. Aproximadamente 5 mil pessoas se reuniram na Cinelândia. Além da palavra de ordem contra o aumento das passagens, ativistas exigiram a liberdade dos presos políticos Igor Mendes, Caio Silva, Fábio Raposo e Rafael Braga, e o fim de todos os processos e perseguições contra os movimentos populares. “Liberdade para Igor Mendes e todos os presos políticos da cidade e do campo”, dizia a faixa do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR). A Frente Independente Popular (FIP-RJ) e o Grupo de Educação Popular (GEP) também confeccionaram faixas em apoio aos ativistas perseguidos.

Após a concentração, onde foi definido o trajeto, o ato seguiu pelas ruas do Centro até a Central do Brasil, onde, depois de entrar na estação, uma parcela dos manifestantes saiu e voltou a bloquear a Avenida Presidente Vargas. Já tarde da noite, o repórter Patrick Granja registrou o momento em que PMs arrastaram e prenderam Thamires Fortunato, estudante de filosofia da UFF. O vídeo pode ser visto em nosso canal no You Tube com o título RJ: Polícia bate, prende e joga bombas no fim do ato contra o aumento da tarifa.

No dia da conclusão desta matéria (12/1), estava sendo realizado, em frente ao Tribunal de Justiça, no Centro, uma manifestação pela liberdade dos presos políticos e um novo encontro contra o aumento no IFCS. Novas manifestações estavam marcadas para 15 e 16 de janeiro.

Também em Belo Horizonte, Salvador e outras cidades foram realizadas passeatas que contaram com forte adesão da juventude e dos trabalhadores e amplo apoio da população. No dia 10, a Frente Independente Popular de Pernambuco (FIP-PE) esteve no Recife antigo distribuindo panfletos contra o aumento das passagens e, em 11/11, foi realizada nova atividade na Praça do Arsenal, com distribuição de panfletos e projetação de imagens.

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